Carlos Massari (e-mail),
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Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
"Desde
que as luzes do cinema se acenderam, estou com uma dúvida na cabeça:
quem foi que resolveu classificar "Vanilla Sky" como romance? Na verdade,
se trata de um suspense daqueles bem fora da realidade e ainda bem complicado.
Isso já era esperado, já que o filme é uma refilmagem de
"Abre Los Ojos", do diretor chileno Alejandro Amenábar ("Os
Outros"). Para essa versão, o ator, e agora produtor, Tom Cruise,
comprou os direitos da refilmagem e como Amenábar não topou faze-la
foi contratado Cameron Crowe ("Quase Famosos"), com quem Cruise já
havia trabalhado em "Jerry Maguire". Também para o elenco,
ele escalou a namorada espanhola Penélope Cruz e a sempre bela Cameron
Diaz.
A premissa do filme é bem
interessante: um playboy, dono de várias empresas e revistas (Cruise),
tem uma namorada ciumenta (Diaz) que não consegue vê-lo perto de
outra mulher. Quando o playboy se apaixona por uma espanhola (Cruz, fazendo
a única coisa que lhe é permitida), ela resolve suicidar-se, com
Cruise no carro. O resultado é um acidente feio, que realmente causa
a morte de Diaz e a desfiguração do rosto de Cruise que, ainda
por cima, é acusado de assassinado. Ele deve então encarar essa
realidade, mesmo com todas as contradições que vão sendo-lhe
atribuídas.
Por ser uma história originalmente
de Amenábar, já era de se esperar algo bem sobrenatural. Embora
Cameron Crowe tenha reescrito o roteiro para essa versão, a projeção
apresenta um suspense fora do comum, que se baseia em situações
estranhas para abrir novos caminhos à projeção. Isso porque
a história, no começo do filme, se apresenta de forma extremamente
morna e repetitiva, até o complemento da metade da projeção.
Isso mesmo: o filme se divide em duas metades totalmente diferentes, que regulam
a fita.
Até mesmo a direção
de Crowe se alterna. O começo é confuso, a seqüência
inicial é irritante, um variado de closes em uma cidade que chega a dar
dor de cabeça. Com o desenrolar do filme, Crowe, que é um ótimo
diretor, se acerta e passa a caminhar na linha do ótimo roteiro. O problema
maior de toda a direção é que ele arrasta os acontecimentos
de uma forma desnecessária, o que logo deixa o espectador com vontade
de voltar para casa.
Graças ao dinamismo que o
roteiro atinge, o espectador NÃO volta para casa. A história toma
caminhos que ninguém pode imaginar e por isso se torna também
bastante complicada, mas conforme o filme se desenvolve a trama envolve o espectador,
que entra cada vez mais no drama do personagem, que não sabe de forma
alguma o que se passa com ele. Vale lembrar que isso é coisa do suspense,
já que a cada tentativa dramática só é conseguida
a profundidade de uma poça d'água. No final, ao contrário
do que todos pensavam, o filme passa sem furos, explicando tudo aquilo que atormentava
a mente do público.
O elenco está razoável
e contraditório. Tom Cruise é outro que só consegue crescer
após a metade da projeção, sendo que no início também
é pura repetência. Penélope Cruz está melhor que
de costume, mas ainda longe de ser boa atriz. Cameron Diaz... Essa sim está
ótima, com um papel dinâmico consegue uma das melhores interpretações
de sua carreira, mesmo não estando muito tempo em cena.
Vale destacar também a ótima
trilha sonora, com músicas do ex-Beatle Paul McCarthney, e a fotografia
clara e reluzente, que ajuda a envolver o espectador. "Vanilla Sky"
peca por seu início fraco, mas logo toma a cara de um suspense forte
e complicado, do jeito que o público gosta.
É um bom filme, mas pouco
para as pretensões de ser o melhor do ano."