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| 9 - | Um Olhar do Paraíso | 7 | 40 |
| 10 - | Entre Irmãos | 8 | 5 |
Julien
Impressionante filme de animação... e que trata de um assunto extremamente duro: os massacres dos campos de refugiados palestinos no Líbano, Sabra e Shatila, e da participação do exercito israelense, Tsahal, aos massacres (não diretamente, mas os soldados israelenses estavam a beira dos campos de refugiados, deixaram os falangistas cristianos libaneses entrar nos campos, testemunharam execuções de civis, mas demoraram 24h para mandar parar...).
O filme começa de maneira leve, com um amigo contando para o Ari Folman (o diretor do filme) um sonho, na verdade, um pesadelo, que vem atormentando ele. Isso é o gancho para o Ari perceber que, a pesar de ter participado da guerra do Líbano, ele não se lembra de nada, basicamente.
Parece que a historia vai tratar de busca de memoria, porque a memoria trava, sonhos e lembranças... mas desencadena de forma muito dura, com uma condenação bastante clara da atuação do exército israelense nessa guerra, da falta de humanidade de todos os participantes armados de uma lado e do outro, dos massacres dos civis, da falta de culpabilidade de muitos envolvidos. O lado absurdo de algumas "entrevistas" durante o filme, com soldados que estavam na primeira linha em relação ao massacre de Sabra e Shatila, e mesmo assim não quiseram perceber, aceitar, o que estava acontecendo... A cadeia de comando que esconde a verdade, deixa cada soldado na ignorancia...
As imagens de animação são lindas, com predominancia do amarelo e do cinza, criam uma atmosfera peculiar e que cria um clima perfeito para a historia.
O final é duro, e termina, sem excesso e com bastante pertinencia, com imagens de arquivo dos massacres, os corpos amontoados, homens, mulheres, crianças... o horror da guerra...
Parabéns pelo filme / animação, muito interessante, e muito sútil sobre varios aspectos da historia, muito realista sobre a violencia e o lado absurdo das guerras, sobre a falta de culpabilidade dos homens e falta de "aprendizado" (uma das falas mais fortes do filme é quando um amigo de Ari o compara a um nazista, porque ele passou a noite perto de Sabra e Shatila, ajudando indiretamente os phalangistas a massacrar os refugiados, lançando "flares" para iluminar o ceu, sabendo por entre-ouvidos o que estava acontecendo, mas a nenhum momento fez qualquer coisa (poderia ter feito alguma coisa???) para impedir aquela situação horrorosa).
Vale a pena ver, refletir...
Rafael Vespasiano
"Valsa com Bashir" é um filme israelense, do diretor Ari Folman, uma animação dramática e semidocumental. A memória é um recurso usado de forma soberba pelo diretor para mostrar o Horror da Primeira Guerra do Líbano. E a culpa de todos os envolvidos na guerra; o massacre de palestinos por libanenses com a complacência dos israelenses é mostrado no filme sem concessões baratas ao sentimentalismo; todos os lados da guerra são considerados culpados por Folman. Animação maravilhosa e reflexiva. Dez!