Rio de Janeiro, 1983. Marisa (Cris Vianna) amamenta o pequeno Alessandro (Marcello Melo Jr.), em sua casa na favela. Viciada em drogas, assiste impotente seu filho ser retirado de suas mãos pelo chefe do tráfico local, devido à uma dívida não paga. Dez anos depois Sandro (Michel Gomes), filho único, vê sua mãe ser morta por dois ladrões. Apesar de ficar sob os cuidados da tia, ele decide fugir e passa a conviver com um grupo de garotos que dorme na igreja da Candelária, onde tem acesso ao mundo das drogas. Apesar de não saber ler ou escrever, Sandro sonha em ser um famoso compositor de rap. Para tanto ele espera a ajuda de Walquíria (Anna Cotrim), que realiza um trabalho voluntário junto a meninos de rua. Só que Sandro testemunha mais uma tragédia, a chacina da Candelária, onde 8 meninos de rua foram mortos pela polícia. Este evento aproxima Sandro e Alessandro, que passam a ter um forte convívio.
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Excelente o filme. Muito bom!! Vale a pena assistir!!! Porém, apenas acho que a grande vítima da história, a cearense Geísa, teve pouca relevância na trama. Sua vida antes do acontecido, foi pouco explorada. |
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O filme é um tiro a queima roupa, no meio do peito. Tem que ter estômago, pois é um exercício de necropsia no corpo moribundo desta cidade partida, em que transitamos completamente alheios ao seu cheiro de putrefação. Esteticamente não há surpresas, nem deleites, é retrato em preto e branco, quase jornalístico, duro, dolorosamente real, como as capas dos tablóides populares. Bruno Barreto teve o mérito de conseguir transportar o espectador, sem meias palavras, ao mundo animalizado dessas crianças e adolescentes cuja alma foi completamente carbonizada pela violência, pela dor, pela solidão, pelo descaso. Cinematograficamente, considero Linha de Passe um filme melhor, pois explora com poesia um mundo quase tão duro quanto àquele que Bruno Barreto se propôs mostrar. Mas será que não foi mesmo esta a idéia do diretor? Purificar cada fotograma (sem, contudo, deixar de ter apuro técnico) de tudo que não fosse a realidade? Se há retoques na obra, acredito que estão localizadas em certos aspectos do roteiro que poderiam ser mais bem pontuados, como por exemplo, a demonização e a lavagem cerebral que crianças como Alessandro (atuação surpreendente e impactante) são submetidas para que possam ser recrutadas ao crime; e a solidão, a culpa e a dor das mães desses pequenos cadáveres sociais. Esse último aspecto, aliás, poderia ter fornecido ao filme um ritmo melhor, pois traz consigo um dos ingredientes mais instigantes ao espectador que é a surpresa. Como o próprio Walter Salles disse, o mérito de um filme é sua capacidade de contar a história de um povo, para que possamos evoluir, melhorar, não esquecer (idéia, aliás, em oposição ao mercado cinematográfico). Se esse é o maior mérito de um filme, Bruno Barreto cumpriu com muito sucesso. Vale a pena conferir. |
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