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Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 3:

"Inesperado sucesso nos cinemas norte-americanos, onde ultrapassou a marca de 70 milhões. "U-571" não conseguiu o mesmo sucesso nos cinemas nacionais, já que passou despercebido e depois de um longo atraso, enfim chegou nas locadoras em DVD e vídeo. O filme foi indicado para o Oscar nas categorias de melhor som e melhor edição de som, onde saiu vencedor deste último. Prêmio por sinal merecido, já que o filme se baseia apenas em barulhos e mais barulhos e tem um fiapo de história para contar. Se é que podemos chamar isso de "história".

O filme narra uma história real que aconteceu logo no início da Segunda Guerra Mundial. Um grupo americano é retirado da folga para cumprir uma missão: se infiltrar em um submarino alemão e pegar uma máquina que pode codificar os códigos dos alemães. A missão é comandada por Mike Dahlgren (Bill Paxton), que tem o auxilio do tenente Andrew Tyler (Matthew McConaughey). O plano saiu um pouco fora do esperado e a coisa passa então a se complicar a cada minuto.

Devido ao filme ter sido um grande sucesso de bilheteria e ainda ter tido uma boa recepção da crítica especializada e do público, eu assisti ao filme naquele clima de "já ganhou". Não esperava ver algo com estética e profundidade, esperava apenas me divertir com uma história envolvente. Coisas que acabaram por não acontecer. O filme se baseia apenas em fazer cenas barulhentas e um dos poucos méritos é dar uma real sensação de estar em pleno mar profundo e perigoso. Porém o clima de tensão é inexistente e o que temos é apenas uma câmera desesperada e cenas descerebradas.

O bom seria se fossem apenas estes os defeitos do filme. O que deveria ser o grande triunfo da fita, acabou sendo o maior desastre: o elenco. Matthew McConaughey é um ator bem regular. Sempre mantém boas atuações, contudo aqui ele está ridículo e sem carisma. Sem exageros, a pior atuação de sua limitada carreira. Já Bill Paxton nem está ruim, mas me decepcionou muito. Ele fica presente no filme durante pouquíssimo tempo e não tem a mínima utilidade. Já o Harvey Keitel está derrubando sua carreira ao envolver-se com filmes como este, "Little Nicky" e "Fogo Sagrado". Além dos filmes não serem lá grande coisas, Keitel está péssimo em todos. E para atrapalhar um pouco mais temos uma pequena e idiota participação de Jon Bon Jovi.

Um elenco ruim poderia ser salvo por um roteiro bom e uma direção competente. Mas o roteiro é um desastre. O roteiro foi escrito por 3 mãos (Jonathan Mostow, Sam Montgomery e David Ayer) e acabou ficando totalmente fora de sintonia. Esse é por muitas vezes o grande problema de um roteiro escrito por muitas pessoas. Quando funciona é uma maravilha, porém quando acontece o contrário uma catástrofe está para acontecer. E aqui aconteceu... As situações são clichês atrás de clichês, mas esse nem chega a ser um problema, já que o que se sobressai são os diálogos terríveis. Harvey Keitel e Matthew McConaughey soltam umas preciosidades que nem merecem ser relembradas e eu nem quero me lembrar.

Calma, as coisas ruins não param por aí. Richard Marvin fez um trabalho belíssimo na trilha sonora, contudo foi extremamente mal executada, o que acabou parecendo que sua trilha sonora era apenas um complemento para pieguice. Uma pena. Os efeitos especiais são exagerados e juntando com aquela barulheira sem sentido acaba se tornando tudo insuportável. Afinal, quem é o responsável por uma tragédia cinematográfica? A resposta é o diretor Jonathan Mostow, que já havia nos brindado com a bomba "Breakdown".

"U-571" (dispenso o sub-título nacional "A Batalha do Atlântico") nada mais é do que um armamento feito para os americanos se glorificarem. Muitas cenas passam a se repetir e tolerar os clichês piegas e moralistas do filme se tornam insuportáveis. Não vá me entender : eu não vejo como problema um filme ser moralista, mas existem alguns filmes que são tão moralistas que e enchem a paciência de tanta lenga-lenga e este "U-571" se encaixa perfeitamente neste grupo. Isso sem esquecer o patriotismo. Jonathan Mostow bem que tentou fazer finalmente um filme de verdade, porém ficou novamente na tentativa. E adivinhem que vai ser o diretor de "Terminator 3: The Rise of the Machines"? Pois é. Comecem a rezar."