Roberto Cunha, Colunista do Adoro Cinema - Nota
10:
"Uma
das coisas que ninguém pode negar é a influência de 007
nos filmes ação. Goste ou não do estilo, algumas de suas
características são indeléveis e ficarão para sempre.
E é impossível não recordar do personagem de Ian Fleming
quando se assiste Triplo X. Sai a fleuma britânica e entra a truculência
americana. Mas vale lembrar: tudo numa boa e muito bem feito. Assim é
Triplo X. O filme já começa a mostrar que bebeu na fonte "bondiana"
com uma sequência de ação de tirar o chapéu e o humor
- marca registrada do agente secreto mais famoso do cinema - está ali,
presente o tempo todo. Seja na morte de um agente do governo em forma de mosh
- aquele momento em que os fãs mergulham do palco em cima da galera durante
um show - ou quando Xander Cage - o Triplo X - "surfa" um Corvette
vermelho roubado despencando de uma ponte gigantesca. E isso é só
o começo.
Enquanto quase todas as peças
promocionais de 007 mostram Bond de frente para você, o cartaz promocional
de Triplo X mostra uma nuca tatuada e em outra, Vin Diesel está de costas.
Esse estilo irreverente, meio anarquista de herói que pode estar surgindo
no mundo do cinema também é revelado em sua primeira fala para
as câmeras quando ele tira um sarro com um político corrupto, dono
do tal Corvette roubado. Nome do político: Dick. Precisa dizer mais?
As citações sobre 007
são uma constante, mas não incomodam. Para Xander Cage fazer o
triplo X se tornar mais do que uma simples tatuagem e virar seu codinome secreto
(?), ele precisa enfrentar alguns desafios. Encarar um poderoso traficante com
dentes de prata. Familiar, não? Mas não é só isso.
Assim como Bond, Triplo X tem o agente Shaver, que inventa de tudo bem no estilo
"Q" de ser, eternizado por Desmond Llewelyn. Bond dirigiu por muito
tempo um Aston Martin inglês. Triplo X possui um Pontiac GTO, americano,
equipado para suas missões, mas ele ironiza chamando de inúteis
as invenções semelhantes as do Aston de 007. Em tempo: não
por acaso os dois carros são de meados dos anos 60. Quer mais? Triplo
X usa um parapente com a bandeira americana. Você já não
viu algo parecido com a bandeira inglesa?
Muita gente que ficou famosa com
doses cavalares de adrenalina nas veias ajudou a compor o personagem e ainda
fez ponta no filme. Tony Hawk, o astro do skate, é só um deles.
Entre as muitas coincidências (?) com o "3" do filme, existem
as três condenações, os três delitos, três horas
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para iniciar uma missão, as três sílabas de uma determinada
palavra, a poderosa arma é composta por três foguetes e Triplo
X lá pelas tantas diz que vai transformar o nariz de alguém em
três narinas. O filme tem tudo para virar mania e quem se habilitar a
lançar um video game - isso foi até citado no filme, tem grande
chances de ganhar rios de dinheiro.
Trilha sonora? Muito boa, timing
perfeito e rica de estilos. Desde o metal pesado alemão até Chemical
Brothers e Orbital. Não espere muito do roteiro. As coisas acontecem
em alta velocidade e fica impossível evitar atropelos, mas isso não
incomoda. São muitas sequências de ação -destaque
para o snowboard - e a proposta é divertir. Ah! E tem Samuel L. Jackson,
claro, com uma cicatriz dispensável fazendo as vezes do chefão
"sabichão" querendo controlar o pupilo. É notório
que ele pode ser mais do que escada para atores mais novos, mas money talks
?!
Se você achava que citar 007
"não era o bastante", espere para ver a apresentação
do filme que eles deixam para o final. Está tudo ali, da música
tema ao detalhe do "cano do PPK" presente nas aberturas de 007. É
só conferir. Verificando os créditos você descobre que o
- agora - astro Vin Diesel apostou no filme como produtor executivo. E por mais
que os Brocolli da vida afirmem que não existe substituto para James
Bond, a briga promete ser boa e, quem sabe, pode colocar até os dois
numa missão em parceria. Haja fôlego para aguentar essa dupla."