Bruno Salama Herszage (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Eu não sei como começar essa crítica por duas razões: Primeira, eu não tenho palavras para expressar como me senti vendo este filme. Segunda, eu quero dizer tanta coisa que não sei por onde começar.

Vamos tentar.

Li Mu Bai (o excelente Chow Yun-Fat, de "Anna e o Rei"), lendário guerreiro e espadachim, volta BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> para sua casa após passar tempos sob treinamento. Lá o aguarda outra lendária guerreira, Yu Shu Lien (Michelle Yeoh, de "007 - O amanhã nunca morre"). Chegando lá, Li Mu Bai decide aposentar-se e pede que Shu Lien, que está de partida para Pequim, entregue sua espada, a Destino Verde, considerada a melhor e mais sagrada espada de todos os tempos, para um velho amigo, Sir Te (Sihung Lung). No entanto, no mesmo dia que é entregue, a espada é roubada e tudo indica que a ladra é Raposa Jade (Pei Pei Cheng), famosa assassina que, entre vários, matou o mestre de Li Mu Bai. Este chega a Pequin e só então é avisado que sua espada foi roubada. O filme então deslancha, inicialmente puxado pelo roubo da espada para depois virar uma história de coragem, amor e traição.

Ang Lee (de "Razão e Sensibilidade") conseguiu dirigir um dos filmes mais belos de todos os tempos, ao meu ver. É de colocar lágrimas nos olhos as belas paisagens pelas quais nossos heróis passam em sua missão. Fora isso, o diretor consegue com sutileza incrível conduzir uma história leve, que é entremeada por selvagens lutas coreografadas que colocam as lutas de "Matrix" no chinelo. Tudo é tão perfeito, os movimentos tão sutis e delicados que todos não aparentam estar lutando. Aliada às belíssimas lutas está a imaginação do diretor, que voa longe assim como seus personagens, que literalmente voam por onde querem. É de uma beleza extrema ver Li Mu Bai e seu oponente lutando numa floresta de bambu, eles praticamente surfam por entre as árvores, em movimentos tão perfeitos que nem mesmo Tarzan chegaria perto de produzir.

É isso que o filme mostra para o público, a sutileza de uma luta, a liberdade que é voar e a filosofia chinesa, o que é mais impressionante no filme. É emocionante, para não dizer tocante, as falas do filme, todas arquitetadas para produzir o máximo efeito. Mais impressionate é que o filme nem americano é... as falas nem mesmo em inglês são, é tudo em mandarim (um dialeto chinês), o que é um grande obstáculo para que o filme conseguisse o mínimo sucesso, já que muitas pessoas nao gostam de filmes onde a lingua falada não seja o inglês. Mas tudo isso é ignorado quando o filme começa. É delicioso ver uma tão bela história, contada de uma manera peculiar e única, por tão bons atores e por um excelente diretor.

Em suma, "O tigre e o dragão" merece todas as 10 indicações que recebeu e merece igualmente ganhar por quase todas suas indicações; pela sua sutileza, beleza, profundidade e honra, que impede que duas pessoas que se amam acima de tudo não possam declarar esse amor um pelo outro para depois, num final perfeito onde até o mais insensível pode se debulhar em lágrimas, saber que continuarão se amando seja qualquer o obstáculo. Um filme que mostra tudo que outros grandes filmes não conseguiram demonstrar, por isso, não fiquei perdendo tempo vendo qualquer outro filme que esteja em cartaz, aproveite a chance e veja "O tigre e o dragão" uma vez, duas, três, quatro..."