Felipe Guerra da Cunha (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Maravilhoso, surpreendente, poético, metafórico, belo, simplesmente o melhor filme do ano e disparado o melhor do Oscar. Quando o filme recebeu 10 indicações não foi por lobby ou por outros interesses, como aconteceu no caso de "A vida é bela". O filme de Ang Lee é feito com extrema sensibilidade e, principalmente, com muito amor ao cinema e a cultura de seu país de origem e vai além disso, é também cinema-pipoca, mas com uma história densa e muito bem contada. O que se assiste na tela é de uma beleza e uma delicadeza que nem parece que estamos vendo um filme sobre guerreiros lutando.

A história começa com o roubo de uma espada, a Destino Verde, que tem 400 anos e é roubada por uma ladra. Logo o guerreiro que pretendia se aposentar, vivido por Chow-Yun Fat, tem que voltar à ação para recuperar não só a espada mas também colocar a vida de Jen no caminho certo, para que depois ele volte para os braços do seu grande, mas ressentindo amor de sua vida.

Tudo é orquestrado de uma maneira eficiente na tela. As cenas de luta são uma mistura de balé e kung fu e são mais surpreendentes das que foram vista no filme "Matrix". Os atores estão perfeitos e a direção de Ang Lee é uma aula para muitos diretores do cinema de Hollywood, não tem os movimentos bruscos e rápidos que têm os diretores americanos (não todos, mas a maioria) que seguem a liguagem de videoclipe. A direção de Ang Lee é simples, com movimentos leves, giradas de câmeras com eficiência. Bem diferente da direção de Ridley Scott em "Gladiador", onde percebe-se a diferença do estilo de dirigir um filme. Scott nos proporciona uma direção bruta, rápida, cheia de sangue e escalpes e desejo de vingança. Lee nos mostra quase a mesma violência e o mesmo desejo de vingança, mas de forma bela e poética.

Ao final da projeção, o espectador que entrar na história se sentirá literalmente nas nuvens e querendo por um dia ser um guerreiro wuxia, para poder voar e dar saltos espetáculares. É um filme mágico, dramático, denso, divertido é uma obra-prima do cinema e desde já aqui vai a minha torcida para que no dia 25 de março ele ganhe quase todos os prêmios em que concorre, principalmente melhor filme e melhor diretor, já que melhor filme estrangeiro ele já ganhou, só falta oficilizar o prêmio.

Será muito bom se "O Tigre e o Dragão" ganhar o Oscar, pois assim talvez o cinema, principalmente o cinema americano, siga o caminho que ele segue. Numa época de comédias escatológicas, de suspenses adolescentes e de filmes mais pretensiosos do que são, "O Tigre e o Dragão" é uma dávida dos deuses cinematográficos, nos faz sentir no coração e na emoção que o cinema ainda é e sempre será a melhor diversão combinada com fortes emoções. Esse é o papel do cinema e foi isso que Ang Lee resgatou em "O Tigre e o Dragão". A mim, um cinéfilo, só me resta agradecer, assistir e depois de uma lágrima tocada pela emoção, bater palmas para o louvor e a consagração final!!!!"