Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:

"Depois de muito tempo no limbo, então finalmente chega ao Brasil "The Replacements". Já tinha praticamente perdido as esperanças, mas o filme acaba de chegar direto nas locadoras, o que foi uma injustiça! O filme é muito interessante, são duas horas de muita diversão e cenas hilárias, além, é claro, de uma boa história. O estranho é que mesmo com um astro em alta no Brasil (Keanu Reeves) as distribuidoras não acreditaram na força do filme e ele só chegou agora, meses e mais meses depois de ter estreado nos EUA.

Hoje em dia tem tão pouco amor ao esporte que o filme explora muito bem esse lado da ânsia e ganância por dinheiro dos jogadores de esportes de grandes rendas. A história começa quando os jogadores do Washington Sentinels estão em greve por causa do salário. Com o que eles recebem eles não estão conseguindo pagar os seguros das Ferraris (!). Sendo assim, o dono do time só acha uma solução: contrata o técnico Jimmy McGinty (Gene Hackman) para comandar os substitutos. Mas Jimmy acaba caminhando por um outro caminho, ele vai encontrando ex-jogadores ou pessoas que se destacam por alguma identificação pelo esporte. É onde surge o Shane Falco (Keanu Reeves), um jogador que se deu mal e agora tem uma segunda chance.

O time acaba sendo formado pelos seres mais esquisitos que existem: um ex-lutador de sumô, dois seguranças, um pastor, um maluco que está endividado com quem não deve, um ladrão, entre muitos outros. O filme usa a personalidade de cada um para passas suas lições de moral, que mesmo sendo evidentes acabam funcionando, pois o que o filme quer realmente mostrar é que com união e amor, seja qual for o objetivo, ele pode sim ser atingido. E ainda surge um leve e despretensioso romance entre o quarterback e a líder das belas cheerleaders, que mesmo sendo altamente superficial funciona direitinho.

Mas é uma coisa curiosa é ver como os americanos gostam do futebol de lá. Nos últimos tempos tem saído filmes e mais filmes com o tema central sendo esse esporte. Para listar alguns, entram a visão de Oliver Stone em "Um Domingo Qualquer" (bom filme), a comédia pastelão "O Rei da Água" (divertido), a versão teen de "Marcação Cerrada" (fraco) e terminando no drama verídico de "Duelo de Titãs" (excelente!). Dentre todos os que saíram tratando o esporte, esse "Virando o Jogo" consegue o honroso "segundo melhor", perdendo apenas para o maravilhoso "Duelo de Titãs".

"Virando o Jogo" é previsível do começo ao fim, quando necessita usa bem os clichês mais comuns do gênero, mas mesmo assim a diversão é das boas. O diretor Howard Deutch soube tratar bem um assunto sério dos esportistas do mundo com muito bom humor e descontração, e ainda deu uma lição de amor ao esporte, que falta hoje em muitos esportistas que preferem ficar fazendo nome em comerciais televisivos. A Warner teve a infelicidade de não lançar esse filme no cinema, mas pelo menos lembrou de pelo menos lançá-lo em vídeo. Agora que pintou a oportunidade, você não irá perdê-la, não é mesmo? Ou irá? Então corra para a locadora e boa diversão!"