Carlos Massari (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:

"Não consigo entender porque tanta gente recebeu mal "Doce Novembro". Na verdade, trata-se de um filme belíssimo, emocionante e muito sensível. Além disso, Charlize Theron, a segunda atriz do cinema atual, tanto em questão de beleza quanto em talento (perde em ambos para Angelina Jolie) dá um verdadeiro show, se responsabilizando por boa parte da emoção apresentada, além de comseguir uma química perfeita com Keanu Reeves. Um lenço por perto é indispensável.

A história mostra Nelson (Keanu Reeves), um publicitário que só se preocupa com o trabalho e não dá a menor atenção à sua namorada. Um dia, por acaso, ele conhece uma garota (Charlize Theron) aparentemente louca, muito agitada, que lhe faz uma proposta: ele deveria ir passar um mês no apartamento dela, largando tudo. No dia seguinte, de repente, ele perde tudo. A namorada, o emprego e fica sem ter o que fazer. É aí que ele resolve aceitar a proposta e se apaixona perdidamente pela moça, que também se apaixona por ele. A partir daí a moça revela seus segredos, que contribuem com uma boa dose de emoção para o filme.

O roteiro do filme, é sim um pouco clichê, mas parece que foi escrito para Theron. Sem contar que a graduação de gênero que faz o filme passar de comédia romântica para um drama forte, extremamente lacrimogênio, é muito bem feita. E esse é um defeito que costuma atingir vários filmes - a transição mal feita. Até mesmo filmes consagrados como "Laços de Ternura" erraram aí. E com "Doce Novembro" isso não acontece, a passagem é sóbria. O começo da história até pode parecer um pouco louco, mas na metade ele assume uma forma encantadora, se tornando uma lição de vida de como damos importância para grandes coisas sem valor e esquecemos os pequenos detalhes da vida, que realmente são os que interessam.

Além disso, a direção de Pat O'Connor é leve e faz o filme fluir sem a menor dificuldade. Não fica chato, nem cansa. O espectador mal sente os 119 minutos passarem. Isso faz a diferença em um filme.

A fita foi muito acusada de ser piegas. Mas que filme que trata de questões tão profunda e não é "piegas"? Acredito que esse conceito é utilizado para quando as situações são fracas e esse não é o caso de "Doce Novembro". Os personagens são tão bem explorados e abertos que fica difícil pensar que um romance entre os dois não entraria nesse conceito. Piegas é uma coisa, emocionante, sensível e lacrimogênio é outra. Este filme entra no segundo caso.

O elenco está ótimo, como já disse, Keanu Reeves e Charlize Theron tem uma química perfeita em cena. Sempre que estão juntos transmitem exatamente a intensidade necessária. Eles já haviam contracenado no ótimo suspense "O Advogado do Diabo" e aqui novamente estão vivendo um romance entre seus personagens. Reeves está bem até o ponto que seu talento permite, mas Charlize dá uma verdadeira aula de como interpretar, nos brindando com uma das melhores atuações já vistas no cinema. Lembra muito Angelina Jolie em "Gia".

Ou seja: não ligue para as críticas equivocadas e corra para a locadora. Você terá uma ótima surpresa, vendo como o clima de alegria se transforma em pura angústia, caminhando para o final melancólico. E, repetindo, não assista sem um lenço por perto. É o acessório mais necessário para ver "Doce Novembro"."