Angélica Takako Bito (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Embalado pelo som do jazz
nos anos 30, Woody Allen nos apresenta em "Poucas e boas" um filme-documentário-musical
ao contar a história de um guitarrista egocêntrico, beberrão
e hilário. É Emmet Ray, vivido por Sean Penn, "o melhor guitarrista
do mundo", como se autoproclama. Bem, o segundo, pois há na França
o cigano Django Rejnhardt, que provoca em Emmet desmaios e pânico. Django
é uma de suas paixões, além de sua música e guitarra.
Além de ser beberrão e egocêntrico,
Emmet é estranho: seus passatempos prediletos são atirar em ratos
no lixão da cidade e observar os trens. Esse hábito afasta muitas
garotas, a não ser Hattie, uma menina muda interpretada magistralmente
por Samantha Morton, com quem vive um romance por mais de um ano. A história
de Emmet é contada através de depoimentos de pesquisadores, escritores
e Woody Allen, como se fosse um documentário. As histórias da
vida de Emmet atravessaram o tempo através do "boca a boca".
Lendas em torno do excêntrico guitarrista foram construídas, como
quando ele descobre que sua esposa o traía, em várias versões.
O elenco deste filme é um espetáculo
à parte. Sean Penn e seu enorme topete está perfeito na pele de
Emmet. É como se Penn sentisse a música que Emmet sente enquanto
toca. Não é à toa que concorre ao Oscar de melhor ator,
junto a Samantha Morton, concorrente ao prêmio de atriz coadjuvante. No
papel da namorada muda de Emmet, Samantha dá um show. É como uma
musa do cinema mudo, capaz de expressar dor, carinho, amor e tristeza sem dizer
uma palavra. Há também a hollywoodiana Uma Thurman, sexy, elegante,
como sempre. Ela interpreta Blanche, com quem Emmet se casa depoia de abandonar
a doce Hattie.
O jazz é uma das paixões de
Woody e "Poucas e boas" é uma homenagem a esse mundo. "É
um filme de época que mostra as aventuras de um selvagem e excêntrico
gênio da guitarra, no final dos anos 30. Vamos segui-lo em uma série
de cômicas e trágicas aventuras com músicos, gângsters
e amantes protagonistas de uma farsa criada por ele mesmo", resume Allen
sobre seu próprio filme."