Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 4:

"Que diabos Mike Myers está fazendo neste filme? Ele se dá bem em comédias, - principalmente vivendo o agente Austin Powers -, mas aqui colocaram-no para viver um personagem sarcástico, rabugento e homossexual. O inevitável aconteceu: o personagem acabou ficando brega e ultrapassado, tendo formas caricatas e exageradas. Mas não é somente ele que está perdido no meio da confusão, Neve Campbell tem uma personagem que ao mesmo tempo em que é importante para o começo é inútil para a conclusão. É impressionante como uma atriz no nível dela se enfia em cada projeto, ela se nega a fazer outros "Pânico"'s (não que eu queira, mas...) para perder tempo fazendo filmes como este ou "Caindo na Real". Ela precisa urgentemente trocar de agente. Ryan Phillippe e Salma Hayek ainda conseguem se salvar no meio da história.

Pelo filme ser passado na década de 70, o trabalho da produção foi irretocável. O filme conseguiu o clima, o visual e o estilo da década. Com certeza os trabalhos mais ricos foram o da trilha sonora de Marco Beltrami, que resgata hits e o trabalho de figurino de Elen Lutter. O grande problema foi o diretor inseguro e insensível, mas varia entre bons e maus momentos durante a curta duração do filme. Mark Christopher perde o bom sendo em diversas passagens do filme, perde a naturalidade inicial da trama, e é então que o filme começa a mostrar a verdadeira cara e não passa de uma chanchada moderninha.

O filme retrata a ascensão e decadência de uma famosa casa noturna chamada Studio 54, que fez bastante sucesso mundialmente na década de 70, onde estrelas e pessoas importantes freqüentavam. Na realidade a boate é um pano de fundo para contar a história de Shane (Ryan Phillippe), um jovem de Nova Jersey que se anima ao ver uma conterrânea fazendo sucesso em Nova York. Ele decide ir com alguns amigos para a boate mais movimentada e disputada atrás de diversão e da garota. Chegando lá, o dono do local, o desdenhoso Steve Rubell (Mike Myers) oferece para Shane a oportunidade de ser um barman.

Em meio à história rola muita droga, sexo, intrigas, amizades, tráficos, entre outras coisas. Shane começa a fazer sucesso, a fama começa a lhe subir a cabeça, humildade não faz mais parte de seu dicionário. Sua família não lhe dá mais atenção, ele tenta trair o melhor amigo seduzindo a esposa cantora. Por infelicidade do roteiro, tudo não passa de uma boa intenção. A história nunca decola de verdade e passa sua uma hora e meia, do mesmo jeito que começou. Mark Christopher se mostra um roteirista limitadíssimo e um diretor inexperiente, mas por momentos bem criativo e competente.

"Studio 54" é um filme que não chega a ser ruim, mas sua limitação é transmitida para o espectador, o que acaba deixando um filme vazio e calculado. Para quem gosta do estilo, recomendo uma conferida em "Boogie Nights", de Paul Thomas Anderson, ou no clássico "Os embalos de sábado à noite", com John Travolta. Garanto que a sensação será bem melhor e sincera do que com este "Studio 54". Para finalizar, relatar a história de uma das boates mais conhecidas até hoje poderia render um grande filme, mas para isso precisa de alguém mais acordado e estético. "Studio 54" não passa de um filme cheio de superficialismo."