Nano Souza (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Um
pÔster de uma atriz na parede é a única esperança
de redenção para um inocente na prisão. É assim
que eu resumo, num oração, Um sonho de Liberdade, filme que soaria
bem melhor com seu título original (algo como Rendenção
em Shawshank). É uma fábula sobre perseverança, coragem
e lealdade num dos lugares onde isso seria menos provavel de se encontrarem:
uma prisão.
Shawshank é uma daquelas duras e feias casas de denteção
norte-americana, com seus diretores corruptos, seus policiais violentos, seu
ambiente decadente beirando a selvageria, enfim, aquele ambiente acolhedor que
já deu origem há tantos filmes e até séries de televisão.
Mas apesar desta ser uma pelicula baseada num conto de Stephen King, não
é uma história de terror: é uma fábula sobre a esperança.
Se o horror existe ele é psicológico. Está na destruição
no humano e sonhador dentro de cada homem.
Quando Andy Dusfrane (Tim Robbins)
chega a prisão, logo lhe dizem para não ter esperança no
fim do túnel. Mas se não há tunel para se ver uma luz no
fim, então construa um túnel! Como um bom geólogo, Andy
sabe que tudo só precisa de tempo e de pressão até ceder.
Mas quem irá ceder antes? As paredes da prisão ou o próprio
Dusfrane?
Podem aprisionar o corpo de um homem,
mas não seu espírito. Para resistir as torturas e sadismos físicos
e psicológicos, Andy passa a trazer um pouco de seu mundo dentro da cadeia.
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Num lugar onde a vida não vale nada, é na amizade de seus companheiros
de sela que ele pode dar um mínimo de alento na convivencia forçada
de cada um deles.
De início de forma tímida,
logo após mais competentemente, auxiliado por seu amigo Reed (Morgan
Freeman, numa interpretação que deveria ter lhe valido o oscar),
Andy toma as rédeas da situação e começa a melhorar
não só suas condições mas também as de seus
companheiros, mesmo não que de forma definitiva, mesmo ilusória,
mas cria aí um ambiente de "civilização", tal
como um Robson Crusóe perdido numa ilha deserta de justiça, mas
não de compaixão e solidariedade. E não é nos homens
da lei que encontra esses ultimos valores, mas naqueles homens faltosos com
a ordem vigente, com aqueles proscritos que também forma banidos do convivio
social. Formam todos uma irmandade, compartilham todos um laço mútuo
e Andy compreende: "Em Shawshank ninguém é inocente".
Duas cenas que vale aqui ilustrar
e que me marcaram para eleger esse como um dos meus filmes preferidos: quando
Andy é preso por colocar uma ópera de Mozart nos autofalantes
da prisão, sendo depois enclausurado na solitária por uma semana,
ele sai do castigo com um sorriso no lábio e em perfeito estado de saúde
mental: "Eu não estava sozinho, explica ele. Estava com Mozart".
A segunda, e mais marcante, quando
o corrupto diretor de Shawshank rasga o poster de Rita Hayworth da parede da
cela de Dusfrane e descobre por onde ele fugiu. Rita, sua luz no fim do tunel.
Rita, que apontava o caminho de sua redenção. O que segue é
uma espetacular cadeia de acontecimentos que mostram o quanto a determinação
de um ser humano podem fazer em 18 anos de confinamento. Um final mais do que
apropriado não só para os personagens, mas de toda película,
culminando numa bélissima imagem de por de sol, filgurando como uma "redenção".
Foi com esse filme que Tim Robins
se confirmou, ainda que Hollywood e a crítica especializada não
lhe façam justiça, como um dos meus atores favoritos. Seletivo
na escolha de papéis, são os temas humanos e em favor dos direitos
civis os que mais chamam a atenção do ator. Mas, mais do que senso
social, Robbins tem talento de sobra não somente para discursar ou denunciar,
mas sobretudo para colocar, em simples expressões, laivos de esperança
e de coragem do ser humano, assim como conferiu a Andy Dusfrane em "Um
Sonho de Liberdade". E está dito o necessário."