Carlos Massari, Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

"Após os atentados terroristas ocorridos no último dia 11 de Setembro, pouquíssimas pessoas ainda apostavam que esse `A Soma de Todos os Medos`, que tem como tema geral o terrorismo, fosse sair do papel. Ainda mais com a postura anti-americana que a obra original mantém. Mas o diretor Phil Alden Robinson, conhecido por seus thrillers psicodélicos, bateu o pé e resolveu levar outra história do agente Jack Ryan às telas. Com o raro trunfo da manutenção de igualdade entre as nações abordadas (Descontando alguns excessos com a bandeira estadunidense), Robinson construiu um filme tenso e inteligente, embora com alguns furos estratosféricos em seu roteiro. Jack Ryan (Aqui interpretado por Ben Affleck) é o agente da CIA que está com a missão de investigar a situação (E as pretensões) da Rússia, e suas chances de causar uma nova guerra. Seu superior (Morgan Freeman) é amigo do presidente e desconfia da possibilidade da existência de uma bomba prestes a ser detonada nos EUA. O problema máximo da obra está na construção de Jack Ryan, não sei se pelo livro original ou pelo próprio Ben Affleck. Explico: Ele é um intelectual incrível (Que sabe, inclusive, falar ucraniano!), porém com um corpo definido, namorando uma linda médica bem-sucedida! Continuando a história, os agentes descobrem que a tal bomba realmente existe, mas que não foi construída pelos russos, que sequer possuem conhecimento dela - Se trata de um grupo néo-nazista que pegou cientistas russos insatisfeitos com a postura de seu governo, e resolveu fazer a guerra entre as duas potências. O líder do tal grupo explica que `Hitler não era louco, e sim burro - Não é possível lutar contra a Rússia e os EUA, é necessário fazer um lutar contra o outro` Vários dos diálogos do filme são bem construídos, já que o roteiro, escrito por Paul Attanasio, Daniel Pyne e o próprio Tom Clancy, se baseia mais na ação inteligente e elegante que na supremacia visual. Ainda assim, quando as explosões acontecem, os efeitos dão conta do recado. O roteiro falha na hora de montar a coerência da trama - Muitos personagens mudam de ação do nada, feitos se desmancham e questões ficam no ar - O mais evidente são erros de continuidade geral, como os agentes (E o próprio presidente) russos, que no início da projeção, usam auxílio de intérpretes, para logo em seguida, falar inglês fluente e no final, voltarem a usar intérpretes! Destaca-se também a eficiente trilha sonora de Jerry Goldsmith e a fotografia de John Lindley - A tomada aérea inicial é de cair o queixo. `Quando um amante se intromete em um casamento, sempre acha que está certo e não prejudica nada, e depois reclama quando isso gera um crime ou assassinato - É exatamente isso que os EUA fazem ao se intrometer na guerra dos outros` `Vocês bombardearam Hiroshima e Nagasaki e ninguém falou nada por que não tinha nada a ver com isso - Por isso, vocês não têm o direito de se intrometerem na Chechênia` Realmente, o mais notável de `A Soma de Todos os Medos` é a postura crítica que assume contra os EUA e contra a guerra em geral. Essas frases, ditas pelo presidente russo, exprimem com precisão a idéia que os roteiristas têm da intromissão estadunidense na guerra alheia - Exatamente a contrária da maioria das produções atuais, que são extremamente ufanistas e maniqueístas. Na visão do filme, EUA e Rússia são iguais (Claro, tirando os maneirismos com a bandeira e o hino do país, que aparecem na conclusão do filme). No geral, `A Soma de Todos os Medos` está longe de ser um filme excepcional ou grandioso - É um thriller de espionagem internacional que cai como uma luva na situação atual do mundo - Principalmente após os atentados de 11 de setembro, onde os EUA tentam passar a falsa imagem de pobres-coitados e de justos injustiçados (!)."