Só Deus Sabe

Só Deus Sabe 2010-05-22 Francisco

Título original: (Sólo Dios Sabe)

Lançamento: 2005 (Brasil, México)

Direção: Carlos Bolado

Atores: Alice Braga, Diego Luna, Claudette Maillé, Jaime Bernardo Ramos.

Duração: 115 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 4 5

(4 votos)

                   

Sinopse

Dolores (Alice Braga) é uma brasileira, estudante de arte, que vive em San Diego. Quando viaja a Tijuana com suas amigas, ela encontra Damián (Diego Luna), um jovem e místico jornalista mexicano. É um passaporte perdido que os aproxima. Na Cidade do México uma intensa paixão surge entre os dois, mas Damián guarda um segredo que pode separá-los para sempre. O destino conduz o casal ao Brasil, onde Dolores precisa compreender os eventos que a cercam e Damián tem que tomar uma difícil decisão.

 

Elenco

Alice Braga

(Dolores de Maria Silveira)

Diego Luna

(Damián)

  • Claudette Maillé (Inês)
  • Jaime Bernardo Ramos (Javier)
  • José Maria Yazpik (Jonathan)
  • Renata Zhaneta (Renata)
  • Brian Runser (Brian)
  • Jonathan Kakacek (Michael)
  • Leigh Crow (Sra. Bailey)

Comentários

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Erika Liporaci, Colunista em 02/01/2005

A brasileira Dolores é uma estudante de arte que vive em San Diego. Uma noite vai a Tijuana com amigos e perde o passaporte, o que a deixa retida no México. Damián, um jornalista mexicano, encontra seu passaporte mas, como está interessado na moça, oculta o fato dela e se oferece para ajudá-la na missão de tirar novos documentos.O filme é equivocado do início ao fim. Em primeiro lugar, consegue agregar em menos de duas horas todos os clichês já vistos na sétima arte. Cenas sensuais? Tem banho de rio, beijos ardentes sob a chuva, olhadelas pelo espelho quando o outro troca de roupa, enfim, um verdadeiro catálogo de imagens publicitárias. Romance? Tem a pequena mentira com boas intenções, a atração reprimida por uma das partes, o velho truque de criar tensão ao dividir a mesma cama durante uma viagem. Para qualquer aspecto do filme, há dúzias de cenas previsíveis e já vistas em milhares de outras produções de segunda categoria. Mas isso nem é o pior. O mais revoltante é a tentativa de mostrar as diferenças de enfoque religioso entre um mexicano, supersticioso por natureza, e uma brasileira que, de repente, descobre suas raízes no candomblé. A partir desse ponto, o filme assume a típica visão gringa diante do sincretismo religioso e mostra um Brasil folclórico, desses que povoam o imaginário de quem não conhece nada do nosso país. Um exemplo disso é o apartamento da avó da protagonista: ninguém, por mais fanático que fosse, viveria num local tão apinhado de objetos ritualísticos. Essa visão desfocada lembra bastante o também sofrível "Sabor da Paixão" (Penélope Cruz de cozinheira baiana, lembram?). Em uma das cenas, a mãe de Dolores repreende o jovem casal dizendo: "Meu Deus, vocês acham que estão numa novela mexicana?". Podemos dizer que foi a única frase que soou verdadeira em todo o filme. É inexplicável que a bonitona Alice Braga e o simpático Diego Luna, duas estrelas em ascensão, tenham se sujeitado a um filme tão primário.

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Maria Eugenia de Carvalho Arrudaa em 05/01/2005Nota: 4     

Gostei do filme porque ele é forte no que diz respeito à fé, no que é passado através das gerações. Ele faz vibrar o divino, que colocamos em altares, em deuses, em santos, em orixás, em elementos da natureza, mas que está dentro de cada um de nós.

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Alexandre Lucchese em 04/01/2005Nota: 4     

O olho se abre, não sabemos se ela está acordando de um sonho bom ou de um pesadelo. A câmera escorrrega por seu corpo e surpresa! estamos em uma cena de sexo. Convenhemos, não uma bela cena, a bela Alice Braga não paga nem um peitinho sequer. Mas calma espectador, o filme está apenas começando: há ainda muita estrada pra rodar. E quanta estrada! Logo de cara temos um road-movie daqueles difíceis de largar. O mexicano Damián (Diego Luna) tem um velho conversível, mas com todo o estilo. É a barca com a qual leva a personagem de Alice (Dolores) até a capital do México. É impossível não lembrar de Dean Moryarty e Sal Paradise atravessando o deserto até a Cidade do México no On the road de Kerouac. Depois disso, mais uma reviravolta e o filme meio mas só meio que se estabiliza no Brasil. Carlos Bolado, além de dirigir, roteirizou Só Deus sabe, e usa de todos os clichês para fazer um filme surpreendente mesmo que ainda sendo totalmente previsível. Tudo está lá: objetos que se perdem para pessoas se encontrarem, mulheres se trocando em frente ao espelho para criar um tensão no nosso querido protagonista que está de costas, a mentira bem-intencionada e mal-compreendida, etc. etc. etc. Finalmente alguns cineastas estão captando a lição de Beleza Americana ou então de Betty Blue. Bolado filma como quem toca um jazz totalmente free. O que ele quer é fazer imagens, levar o público ao gozo. Porque ele aprendeu o que a modernidade está há tempos tentando ensinar: que a forma é o próprio conteúdo. Não há como dissociar esses dois conceitos, eles se constroem mutuamente. E é lamentável constatar que alguém ainda creia nisso. Sim, estamos diante de um filme que é pura curtição. E nesse ponto, ele é completamente sincero. Bolado não está interessado em se perder por labirintos encantados como seu conterrâneo Guillermo Del Toro. Só este pretensioso e megalomaníaco diretor cometeria a aberração de tentar conciliar seu moralismo cristão com o engajamento dos revolucionários espanhóis anti-Franco. Revolucionários anarquistas e ateus triunfando na terra e Deus no céu sentado num trono representando a sociedade patriarcal. Santa contradição, Batman! Del Toro poderia aprender com Bolado: calçar as sandálias da humildade e fazer filmes sobre o que conhece. Mas enfim, nos livramos desse pesadelo e o Brasil escolheu o mexicano certo para começar a parceria cinematográfica entre os dois países. É claro que o filme não é uma obra-prima, não tem nenhuma preocupação alguma de questionar as diferenças sociais entre os personagens, aliás, dinheiro parece não ser o problema para os protagonistas. No entanto, Bolado não tenta falar do que não entende, o que é um mérito. Ele peca apenas nos maneirismos visuais, se eles não estivessem lá o filme seria mais cru, mais orgânico, talvez melhor. Pura diversão, imagens publicitárias, boa música e sexo. O que mais você quer, leitor? Ok, eu também quero mais que isso, mas por enquanto está ótimo.

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Christiane Silva Aquinoa em 03/01/2005Nota: 4.5     

Discordo totalmente da sua opinião. Achei o filme criativo, a fotografia belíssima, os atores ultra competentes e vi, acho que pela primeira vez, um homem chorando no cinema (o cara que se sentou do meu lado). Mas não foi só isso. A platéia do Festival de Cinema de Brasília (super exigente, por tradição) deu altas garagalhadas em várias cenas e batemos palmas ao final. Não achei o enredo nada previsível!

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