Kim Peterson do Rego, Leitor do Adoro Cinema - Nota 0:

"Os ingredientes: má atuações, previsível demais, final óbvio, incoerência de gêneros e técnica precária. Junte tudo. Misture bem. E o resultado é isso: Serendipity. Ou melhor pronunciável Escrito nas Estrelas (Serendipity, EUA, 2001, Buena Vista International, Drama/Comédia/Romance). O filme é muito ruim, em uma aspecto geral. Olha, internauta, eu Kim Peterson, diretor da RSKP e do Ponto Cine (www.pontocine.hpg.com.br ), vou ser bem sincero: não faço vista grossa quando olho um filme. Não faço mesmo. Sempre tento averiguar o que o filme tem de bom, sempre vejo uma produção pelo seu lado positivo. Assumo que a conta de e-mail da RSKP (rskp@globo.com) ficou abarrotada de mensagens sobre a crítica do filme Fixação. Eu elogiei ardorosamente o filme, dizendo que ele até merece ser indicado a alguma categoria do Oscar, talvez por melhor enredo ou melhor atriz coadjuvante , por Shiri Appleby. Opinião minha que se mantém até hoje. Mas eu deixei bem claro que eu não amei o filme e deixei também claro que o filme teve atuações ruins em certas partes, mas mesmo assim o povo não me perdoou pelos elogios ao filme. Ainda assim insisto: se você for ver um filme com vista grossa, você não achará "película" alguma boa. Para você ter uma idéia, Escrito nas Estrelas é de decepcionar até o cinéfilo que amou Xuxa e os Duendes. É verdade, não estou exagerando. Vou ser bem realista: a primeira hora do filme parece um sonífero, bocejava todo instante. Eu e mais os vinte poucos que acompanharam a sessão comigo. E pelos números você percebe como anda a moral de Serendipity nos cinemas brasileiros. Escrito nas Estrelas conta a história de Jonathan e Sara. Eles estão voltando para suas cidades para passarem as festas de fim de ano, e por acaso se conhecem em uma loja de departamentos. Ele mora em São Francisco. Ela em Huston. Os dois estão em Nova York, fazendo compras e atrasados para voltarem as suas cidades. Ali nasce uma prematura paixão, bem ao estilo amor a primeira vista. Sara a principio não aceita a idéia de se apaixonar por um cara que só viu a 5 minutos. Ela é meio (completamente) fã da idéia nada é coincidência, tudo tá escrito (isto te lembra algo?!) e bola mil e uma maluquices para saber se eles realmente nasceram um para o outro, como por exemplo eles escreverem cada um seu nome e telefone em uma nota e depois comercializa-la, e se o destino fizer com que eles recebam a nota de volta eles se reencontram e vivem felizes para sempre (que história fútil!). Mas atenção as manteiguinhas derretidas de plantão: o reencontro demora, e demora muito para acontecer. O filme poderia ser bem melhor se de repente os dois se reencontrassem por causa de uma tragédia ou algum crime. Mas não, o diretor faz do filme o típico último capítulo de novela das oito: um casamento no fim e os pombinhos se reencontrando de maneira mais melada e sem graça possível. O que não faz do filme morrer no meio do caminho (mas o deixando em coma profundo) é a expectativa que o diretor faz pelo reencontro de Sara e seu amorzinho Jonathan, que depois de tanto tempo até decidem dar parceiros provisórios a seus corações, mas sem esquecer de seus amores repentinos. Claro que a gente tem sempre a esperança de que um filme pode dar uma guinada drástica, com um final espetacular, extraordinário de arrancar rios de lágrimas ou fartas gargalhadas. Que nada... para decepção total, o filme tem, como eu já havia dito, aquele final previsível demais. Um exemplo: Porque Titanic fez tamanho sucesso? Porque quando todo mundo pensou que a mocinho ficaria com o mocinha e os dois viveriam felizes para sempre, não. Jack morreu, fazendo de Titanic dentre outras coisas, claro, um filme único. Bem pelo contrario, Serendipity decepciona. Uma dica irônica: quando ir ao cinema e ver o cartaz de Serendipity, passe reto, ignore. E para os que vão pense aquela célebre frase de Jesus na cruz: "Pai, perdem-nos. Eles não sabem o que fazem...". Você deve saber que eu não gosto de meter o pau em filme algum, mas Serendipity não merece o ingresso que você paga, muito menos sua preciosa atenção para com esta verdadeira porcaria. Mas se mesmo assim, depois de ler está crônica, você quiser se aventurar a ver este filme, vá por sua conta e risco. Pois o recado está dado!"