Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Nos últimos três anos no mundo do cinema só se falou nessa adaptação da excepcional obra de J.R.R. Tolkien. Virou motivo de mais falação quando foi dito que os três filmes (os três livros) seriam rodados de uma única vez, algo jamais feito na história do cinema. As filmagens duraram meses e mais meses. Logo que foram anunciadas algumas mudanças que ocorreriam no filme com relação ao livro, os fãs mais puristas de Tolkien não demoraram a se pronunciarem e muitos viraram a cara para a adaptação de Peter Jackson. Eu fui totalmente a favor da exclusão do Tom Bombadil, acho que ele não fluiria bem no filme, e realmente o velho Tom não fez falta. Agora, duas alterações me incomodaram um pouco, não por serem ruins, mas sim por serem desnecessárias. A primeira é a despedida entre Frodo e Aragorn, foi total estupidez, a não ser que venha a ter MUITA importância nos próximos episódios. Agora, a criação do tal mega-orc foi totalmente sem fundamento. Aliás, teve um fundamento sim, mas não vou entrar em detalhes para não estragar. Outra coisa que os puristas ficaram "revoltados" foi a ampliação do romance entre Aragorn e Arwen, mas na verdade dura poucos minutos esse relacionamento.

Para o filme funcionar como o livro no comando deveria ter alguém que soubesse a importância da obra de Tolkien para muitos. Tinha que saber o tamanho da responsabilidade que tinha em mãos. Nada melhor do que um verdadeiro fã que leu o livro aos 18 anos, escolha certíssima de Peter Jackson. Como ele mesmo disse em uma entrevista, é impossível fazer um filme que agrade a todos. Então ele fez um filme que agradasse a pelo um fã, que era ele mesmo, mas acabou agradando e conquistando muito mais do que se esperava. Impressiona alguns momentos de total fidelidade ao livro. O melhor foi como ele consegue BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> captar com precisão cada detalhe de sentimento do livro. Por exemplo, a importância do anel, a tentação de Boromir perante o anel, a rivalidade entre Elfos e Anões. Perfeito.

A adaptação é excelente. O condado está fascinante, assim como Lothlórien e Valfenda, trabalho perfeito de Dan Hennah. A fotografia de Andrew Lesnie é incrível, falha em alguns momentos, mas é claro que pouca diferença faz, pois seus méritos cobrem facilmente seus erros. Os efeitos especiais da Weta Digital (de Peter Jackson) mostra ser forte concorrente para a Industrial Light & Magic. Os efeitos são competentes, mas não perfeitos. Digo isso pois em algumas partes fica algo artificial demais, mas isso é pouco, eles mais enchem nossos olhos de brilho do que decepcionam.
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Para quem não conhece essa incrível história (uns 50% do mundo): foram criados diversos anéis. Um deles, o de Sauron, é o Um Anel, aquele que governará a todos. Depois de uma difícil batalha (narrada no filme de maneira magistral), Sauron acaba perdendo seu poder. O anel cai nas mãos de um "frágil" homem, que não consegue vencer a tentação, o que o leva a morte. Assim o Anel vai para nas mãos de Gollum (criado inteiramente digital, dando um baile em qualquer Jar-Jar), que o perde e acaba ficando com Bilbo (Ian Holm). Em seu 111º aniversário, Bilbo vai partir do Condado e deixar o anel para seu sobrinho Frodo (Elijah Wood). Quando descobre o poder do anel através de Gandalf (Ian McKellen), ele acaba indo rumo a Bri. No meio do caminho, acaba se juntando a ele os Hobbits Sam (Sean Astin), Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan), e é lá que ele encontra PassoLargo/Aragorn (Viggo Mortensen). Então após um conselho, eles acabam juntando uma comitiva que ruma a Mordor para a destruição do anel.

Em meio a tantos personagens, Peter Jackson consegue dar a importância devida para cada um. Pode perceber que nenhum fica a toa na trama, cada um rende algum importante momento. O elenco está sem restrições, perfeito: Sir Ian McKellen vive o mago Gandalf com perfeição. Não consigo imaginar outro Frodo que não seja o Elijah Wood. Liv Tyler foi tão rejeitada por muitos e deu uma resposta mostrando talento (mesmo com a curta aparição). Viggo Mortensen passa com realismo a sensação de Aragorn, e certamente ganhará maior força nos próximos episódios. Billy Boyd e Dominic Monaghan conseguem boa química ao viverem respectivamente Pippin e Merry. Ian Holm faz um Bilbo bem engraçado, divertido e por momentos assustador. Orlando Bloom e John Rhys-Davies são peças que ganharam uma força menor do que eu esperava, mas conseguiram um bom rendimento vivendo respectivamente um Elfo e um Anão, cada um mostrando agilidade com suas armas. Abro um espaço maior agora para comentar as duas atuações que eu mais gostei: Sean Bean é o Boromir, excelente atuação, digna de qualquer premiação. Ele consegue dar uma boa transparência ao personagem e rende um dos momentos mais emocionante do filme. O segundo destaque separado vai para minha grande surpresa: Sean Astin. Seu Sam foi tão corajoso e fiel quanto aquele descrito por Tolkien, a melhor peça do elenco e ganha (provavelmente) mais espaço nas seqüências.

O filme traz uma emoção tão bela e sensível. Nenhum dos personagens estão lá por benefícios próprios, mas sim para ajudar o mundo com relação a esse terrível mal que pode voltar. Ah, já estava que esquecendo de falar sobre o Balrog. O Balrog é a segunda peça mais discutida da obra de Tolkien, não tem um especialista em Tolkien que saiba responder se ele tem ou não asas, isso somente Tolkien poderia responder. Pois no livro existe uma descrição, mas que traz passagens que podem ter sido ditas em sentido figurado. No filme ele tem asas, mas por precaução ele não voa. A cena em que ele aparece é bem rápida, não deu para ver muito dele também, mas ele ficou bem maior do que eu imaginei quando li as palavras de Tolkien. Agora, uma cena para não sair da memória é: Mória. Ver aquilo foi extremamente fantástico, parecia até sonho.

"O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" é, nas medidas do possível, extremamente fiel às palavras de Tolkien. Peter Jackson, sabendo das responsabilidades, conseguiu dar vida a toda a Terra Média. O que Tolkien criou foi um mundo inteiro, detalhes e mais detalhes, então a produção teve de tomar cuidado com tudo e mais um pouco, qualquer erro poderia ser fatal, principalmente se tratando de "Senhor dos Anéis", um dos livros mais cultuados de todos os tempos. As três horas passam rápido, quando acaba a gente fica querendo mais. E sabemos que no Natal deste ano (se a Warner nos ouvir) veremos a continuação, intitulada "As Duas Torres". Como Peter Jackson rodou tudo direto, provavelmente teremos dois melhores filmes do ano em 2002, pois esse "A Sociedade do Anel" dificilmente será batido até o final do ano, acho que só a continuação pode ser tão boa quando. Ah, a trilha sonora de Howard Shore é uma das melhores de todos os tempos...

O filme já arrecadou milhões e mais milhões no mundo todo! E os números prometem aumentar ainda mais quando for a premiação do Globo de Ouro (onde o filme levou 4 indicações) e quando sair as indicações ao Oscar, onde provavelmente o filme irá ser indicado em um número bem significativo, o que irá fazer sua bilheteria subir as alturas. E irá aumentar ainda mais quando sair o primeiro teaser de "As Duas Torres" em março, o que levará muitos fãs de volta ao cinema para ver o filme. "Titanic" que se cuise bem..."