Renato Rosatti, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Encerrando magistralmente o ano de 2002
na área do cinema fantástico, entrou em cartaz nas salas de projeção
pelo Brasil em 27 de dezembro a aguardada sequência do épico de
fantasia com elementos de horror “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres”
(The Lord of the Rings: The Two Towers), transposição paras as
telas da famosa obra literária da década de 1950 do consagrado
escritor J. R. R. Tolkien. É curioso citar como o subtítulo “As
Duas Torres” tem uma macabra coincidência com as torres gêmeas
do “World Trade Center” de New York, que caíram vítimas
do terrorismo naquele fatídico dia 11/09/01, matando milhares de pessoas.
Os filmes de fantasia apareceram com grande força nos últimos
anos destacando duas franquias em especial, de muito sucesso entre o público,
“Harry Potter” (mais voltada para o público infanto juvenil,
trazendo a saga do bruxo adolescente homônimo e suas aventuras pelo mundo
fictício de “Hogwarts”, com dois filmes até o momento,
“A Pedra Filosofal” e “A Câmara Secreta”, inspirados
nos livros de J. K. Rowling, e aguardando o próximo episódio,
“O Prisioneiro de Azkaban”), e “O Senhor dos Anéis”
(mais direcionada para um público adulto, contando a perigosa saga do
hobbit Frodo Baggins em suas aventuras pelo universo mitológico de “Terra-Média”,
com o primeiro filme exibido em 2001, “A Sociedade do Anel”, e o
próximo a ser lançado em 2003, “O Retorno do Rei”).
Novamente com direção de Peter Jackson (do horror splatter “Fome
Animal” de 1992), esse filme intermediário da trilogia “O
Senhor dos Anéis” é igualmente grandioso, com seus eventos
iniciando logo após os acontecimentos narrados no primeiro filme. O mago
Gandalf (Ian McKellen) está enfrentando o terrível monstro “Balrog”
quando ambos caem num abismo de sombras e ficamos sabendo o destino desse mortal
confronto, vindo a seguir uma tomada aérea das lindas paisagens da Nova
Zelândia, numa região montanhosa gelada por onde caminham os hobbits
Frodo (Elijah Wood), que tem a árdua missão de carregar o poderoso
“Um-Anel”, e seu amigo Samwise (Sean Astin), numa jornada rumo aos
“Portões Negros de Mordor” para destruir o anel na “Montanha
da Perdição”. Eles encontram pelo caminho e aprisionam a
estranha e traiçoeira criatura Gollum/Sméagol (personagem digital
com voz e movimentos do ator Andy Serkis), que foi um a ntigo dono do anel e
que passa agora a guiá-los em seu objetivo rumo à Mordor. Curiosamente,
Gollum/Sméagol são dois personagens interiores da mesma criatura
que constantemente estão em conflito lembrando com eficiência a
clássica história “O Médico e o Monstro” (Dr.
Jekill and Mr. Hyde) de Robert Louis Stevenson, onde um cientista cria uma fórmula
que uma vez ingerida desperta uma dupla personalidade variando entre o bem e
o mal (algo similar ocorreu também em “Homem-Aranha”, com
o vilão “Duende Verde” alternando sua personalidade com o
cientista Norman Osborn). Paralelamente ocorrem outras narrativas simultâneas
como a jornada de três integrantes da “Sociedade do Anel”,
o humano Aragorn (Viggo Mortensen), herdeiro do trono de “Gondor”,
o arqueiro elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies),
que partem atrás de um grupo de “orcs” que sequestraram os
hobbits Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan). Como os orcs foram mortos
num confronto com um grupo de humanos exilados do “Reino de Rohan”,
os hobbits fugiram para a floresta “Fangorn” e encontraram um poderoso,
antigo e sábio “ent” chamado “Barbárvore”,
criatura similar a uma enorme árvore que anda e fala e que é convencida
a conclamar seus companheiros para participarem de uma batalha em “Isengard”,
na guerra contra o Mal absoluto representado pelo mago traidor “Saruman”
(Christopher Lee, o eterno “Conde Drácula” da “Hammer”
ing lesa), aliado da entidade maléfica “Sauron”, os quais
pretendem dominar a “Terra-Média”, pois Saruman está
criando seu exército de orcs em sua fortaleza na torre de Isengard. Enquanto
isso, uma vez não encontrando os hobbits Pippin e Merry, os três
guerreiros Aragorn, Legolas e Gimli (o anão que rouba para si as cenas
cômicas com várias piadas envolvendo sua baixa estatura) se unem
ao Rei de Rohan, Théoden (Karl Urban) e seus súditos e partem
para a fortaleza do “Abismo de Helm”, procurando um abrigo mais
seguro, preparando-se para uma terrível guerra contra dezenas de milhares
de orcs enviados por Saruman. Dois interessantes novos personagens aparecem
agora neste segundo filme: o sinistro vilão “Grima Língua-de-Cobra”
(Brad Dourif, mais conhecido por emprestar sua voz para o famoso boneco “Chucky”,
o brinquedo assassino do cinema, numa franquia de quatro filmes), traiçoeiro
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e aliado de Saruman, que enfeitiçou o Rei de Rohan, e a bela e jovem
Éowyn (Miranda Otto), sobrinha de Théoden, que se apaixona por
Aragorn. “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” é mais
um filme grandioso, com uma história sombria e sangrenta, com muitos
elementos de violência e horror, apresentando uma infinidade de criaturas
e monstros, numa overdose de informações de um complexo mundo
de fantasia. Os cenários são fantásticos, destacando os
macabros “Pântanos Mortos”, o “Castelo de Rohan”,
a “fábrica de orcs de Isengard”, e principalmente a imensa
fortaleza localizada no “Abismo de Helm”. Aliás, certamente
os maiores destaques do filme são as fascinantes cenas de batalha com
o exército de Saruman, formado por cerca de dez mil orcs ferozes, que
tentavam tomar o forte no Abismo de Helm, que estava sob o poder de um número
bem menor de humanos aliados a um grupo de elfos, que abandonaram seu lar em
errado
“Valfenda”. Com uma bela fotografia sombria (pois a guerra era travada
numa noite chuvosa), em meio a uma incontável quantidade de mortos para
todos os lados, uma imensidão de flechas voando pelos ares, escadas cheias
de orcs tentando invadir as estruturas de pedra da fortaleza (lembrando em menor
escala aqueles tradicionais filmes de western, com os índios tentando
errado
invadir o forte dos soldados americanos), e confrontos violentos corpo a corpo
na base da lâmina das espadas, mostrando toda a irracionalidade de um
campo de guerra. Provavelmente, a batalha no Abismo de Helm seja a mais definitiva
sequência de guerra já filmada pelo cinema (tendo a favor todos
os seus efeitos digitais), juntamente com os minutos iniciais de “O Resgate
do Soldado Ryan” (1998), que mostra a invasão dos aliados na costa
da Normandia na Segunda Guerra Mundial, decisiva para os rumos daquela guerra
insana. É claro que os dois exemplos tem diferenças básicas
entre si; um simula uma história de fantasia com personagens fictícios
e armas primitivas, o outro reproduz um fato real e sangrento da história
da humanidade, com destruidoras armas de fogo matando homens; mas como exclusivamente
cinema de guerra, ambos caracterizam o que mais próximo seria um campo
de batalha. “O Senhor dos Anéis: As Duas Torres”, é
mais um excelente filme assim como o primeiro da trilogia, e em suas quase três
horas de projeção nos transporta para um incrível e perigoso
mundo de fantasia povoado por todo tipo de criaturas, instigando nosso imaginário
numa clássica história do Bem contra o Mal. São agradáveis
momentos de entretenimento criando um ansioso sentimento de espera pela conclusão
da saga com o próximo episódio “O Retorno do Rei”
."