André Luiz Soares da Silva (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:

"Ainda que inferior aos seus predecessores, "O Escorpião Rei" se apresenta como um filme bom e divertido, mas como "Conan" e não como "A Múmia". Talvez aqueles que não tenham visto "A Múmia" e seu "Retorno..." até saiam menos decepcionados, por não nutrirem tanta expectativa.

Chegamos então a primeira falha do filme. A história, talvez por esperar conquistar os cinéfilos que não estão familiarizados com os filmes anteriores, é totalmente independente. Totalmente MESMO. Não espere quaisquer referências ao futuro macabro do Rei em seu filme. Isso aliás, é um tanto estranho, já que o "happy end" (marca da franquia) acaba enganando aqueles que não sabem que logo depois da festa de coroação o Rei Rock vai decidir dar uma de Alexandre e tentar conquistar o mundo, perecendo na batalha em Karnak, para então ser amaldiçoado a viver como um monstro por 5 mil anos. A metade "Anti" do Anti-Herói Mathayus é pouco explorada, para não dizer esquecida.

Outro balde de água fria é a ausência de grandes efeitos especiais (outra marca da franquia). Até mesmo no final, que apresenta sim grandes batalhas, mas não uma cena realmente apoteótica. Afinal, por quê usar Gomorra como foco central absoluto da história (o que apontarei como outra falha, mais adiante) se não se pretende aproveitar as lendas a respeito de sua até hoje mítica destruição?

O que nos leva a falha número três. Quando surgiram os primeiros fatos a respeito do roteiro de Escorpião Rei, bem como seus trailers, anunciando uma história passada milênios antes da Múmia, esperava-se (bem, ao menos eu esperava) que o filme mostrasse, ao menos um pouco, do esplendor dos antigos impérios. Nada. Como disse antes, Gomorra é a única cidade a aparecer no filme, nada mais é visto. Apenas citado, logo no princípio.

Talvez um dos responsáveis por isso seja o roteiro extremamente curto. O filme tem menos de uma hora e meia de duração, na qual se vê muito pouco da ascensão de Mathayus a sua futura condição de rei. Sinceramente, acaba soando um tanto estranho o modo como ele consegue isso. Fácil demais, talvez. Nem mesmo o bem interpretado vilão Memnon, ainda que muito bem construído (quem sabe ganha o próprio filme, ano que vem :-) ?), se mostra um grande desafio.

Um roteiro 20 minutos mais longo poderia muito bem se dar ao luxo de criar um problema um pouco mais complexo para Mathayus, quem sabe mostrando-o unificando tropas ao redor do mundo antigo (mostrando enfim, sua capacidade como comandante), para aí sim dar cabo de Memnon em uma cena marcante para sua saga. A batalha entre os dois até que é bem legal, mas se encerra sem qualquer "tchan". Em resumo, ficamos sem entender como a mente de um assassino de aluguel consegue após o filme, realmente comandar dezenas de milhares de homens em uma campanha para a conquista total.

Mas se pesarmos na balança, tudo isso se releva quando nos deparamos com a estonteante beleza da atriz Kelly Hu, que interpreta a profeta Cassandra (suspiros). Por sinal, mulheres lindas são outra (e melhor, diga-se de passagem) marca registrada desses filmes. Ela, Balthazar (interpretado pelo excelente Michael Clark Duncan) e o já citado Memnon acabam sendo os únicos coadjuvantes de destaque na trama. O ladrão de cavalos, errado o menino, a rainha Isis (que não diz a que veio) e o cientista louco pouco acrescentam. Só tapam buracos mesmo. E fazem você rir, uma vez ou outra.

Enfim, um filme bem divertido. Legal, como costumamos dizer quando as luzes se acendem. Mas, se você é fã da série original, vá ao cinema alerta aos pontos que apresentei acima. Se não, sente-se e se divirta ! Rei Conan Rock Escorpião está na área para detonar!"