Gláucio Santos dos Reis (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
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""A
Múmia" era até original, ao trazer um monstro de filmes de
terror para uma aventura divertida, mesmo que seu herói fosse um Indiana
Jones mais bobo. Com um ritmo alucinante, "O Retorno da Múmia"
foi ainda mais aventuresco, mais exagerado, e até melhor. E apresentava
o tal Rei Escorpião (ou Escorpião Rei, como quer o equivocado
título nacional). O filme dele já estava planejado, e sua aparição
naquele foi uma esperta jogada publicitária. E aí termina a relação
entre os dois filmes, pois este aqui segue a linha espada-e-feitiçaria
de "Conan, o Bárbaro", situando-se num passado não definido.
No início, pensei que seria
meio difícil torcer pelo personagem, já que o conhecemos como
um vilão em "O Retorno da Múmia" - mais ou menos como
torcer para o garotinho Anakin Skywalker, sabendo que ele viria a se tornar
Darth Vader. O fato de Mathayus (matai-os?!) ser um assassino mercenário
não ajuda muito. Mas logo ele acaba se revelando um sujeito bonzinho
que só é implacável com os inimigos, todos maus, é
claro.
A história é simples,
até demais. Mathayus é contratado por tribos bárbaras para
matar o feiticeiro e vidente que trabalha para um tirano. Mas descobre que seu
alvo é um uma bela mulher e acaba fugindo com ela, para depois buscar
vingança contra o malfeitor, que matou seu irmão do herói.
E é só.
O resto são seqüências
de ação que ditam o ritmo do filme. Nenhuma surpresa, nenhum grande
momento, só uma aventura ligeira recheada de clichês, cenas absurdas
e lembranças de outros filmes. Há o ladrão covarde de "Conan,
o Destruidor", como o "alívio cômico" de praxe que
se mete no caminho do herói, mas sem nenhuma cena realmente engraçada.
Há também uma guerreira negra, como a Grace Jones do mesmo “Conan”,
mas aparece tão pouco que talvez eu nem devesse mencioná-la. Rambo
vem à memória na seqüência em que Mathayus enfrenta
perseguidores numa caverna e os vai eliminando um a um, com direito a uma cena
em que sai de uma cachoeira de areia. E Rambo volta mais tarde, quando o herói
empunha o arco e demora meia hora para atirar. Mas o clima geral é dos
seriados "Hércules" e "Xena", onde o contexto histórico
tem pouca ou nenhuma importância e as mulheres são todas lindas
e maravilhosas (algumas nem tanto, mas vale a intenção). Por um
motivo óbvio, a história termina sem qualquer menção
ao pacto com Anúbis e os acontecimentos posteriores que aparecem em "O
Retorno da Múmia": a continuação já está
a caminho!
O astro atende pela alcunha de The
Rock, que usa nos ringues de luta livre - daquele tipo cheio de presepadas,
cujo público pouco dotado intelectualmente acha que é para valer.
E, para ser justo, ele até dá conta do recado, visto que o personagem
não exige muito mais que um monte de músculos bombados e algumas
caretas de raiva. Kelly Hu, a feiticeira, é o grande destaque do elenco,
não pela atuação, mas pela beleza mostrada fartamente ao
longo da projeção. Michael Clarke Duncan, o gorilão braço-direito
do vilão em "O Planeta dos Macacos", não leva muito
a sério seu papel aqui, o do líder guerreiro que a princípio
antipatiza com o herói, para depois acabar ajudando. E um irreconhecível
Ralph Moeller, o Conan da série de TV, participa como o líder
dos soldados que caçam Mathayus no deserto.
O filme é impossível
de ser levado a sério - como, aliás, seus dois antecessores. Em
favor de uma classificação branda da censura, não se vê
sangue nas batalhas, nem os mamilos de Kelly Hu nas pretensas cenas de nudez.
Diverte bastante, desde que o espectador não se importe com a falta de
"detalhes" como roteiro e bons diálogos. Só não
dá para ficar até o fim dos créditos, como costumo fazer,
porque estes sobem ao som de insuportável heavy metal - o que mostra
bem o público-alvo que os produtores tinham em mente. O que mais incomoda
é que as duas "Múmias" tinham um certo padrão
de qualidade, enquanto este "Rei", quer só encher os bolsos.
Custou bem menos, com poucos efeitos e nem mesmo um único monstro. E
a curta duração acentua a impressão de embuste.
Ainda comparando, o que é
até covardia: para chegar a Conan, esse Rei Escorpião ainda tem
que comer muito açaí na tigela. Mas "Conan Rei" ainda
vai demorar, e enquanto isso é melhor se contentar com esse rei aí,
que dá para o gasto. Ou pegar na locadora "Kull, o Conquistador"
ou "O Senhor das Feras", que são melhores."