Roberto Cunha, Colunista do Adoro Cinema - Nota
9:
"Essa
recente invasão de adaptações para o cinema, oriundas de
séries de TV, dos desenhos animados ou dos quadrinhos tem reservado algumas
gratas surpresas. Scooby-Doo, sem dúvida alguma, está entre elas.
Desde a fidelidade com que o figurino foi tratado até os efeitos especiais,
nada ficou devendo. Até mesmo o elenco que poderia prejudicar o resultado
não comprometeu e o ator (?) Matthew Lillard, depois de várias
tentativas, parece ter encontrado seu "papel-metade". É evidente
que a escolha do time seguiu o gosto dos americanos e a escolha de Freddie Prinze
Jr., de "Eu sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado",
e Sarah Michelle Gellar, também do mesmo filme, porém mais conhecida
pela série "Buffy-A Caça-Vampiros" (exibida na tv por
assinatura e também na tv aberta), deixa isso bem claro.
A direção bem humorada
de Raja Gosnell, de "Vovó Zona" e "Esqueceram de Mim 3",
foi pontual e distribuiu bem os momentos de cada personagem. A trilha foi bem
escolhida, misturando músicas antigas com sons mais atuais, e deve render
uma graninha extra para os estúdios. William Hannah e Joseph Barbera,
os criadores dos persongens, foram produtores executivos do filme. E como Scooby
é virtual, é impossível não citar os efeitos especiais,
que muitas vezes acabam com uma idéia, mas foram bem utilizados durante
o filme. Os monstros são super bem feitos e lembram bastante os famosos
Gremlins do cinema, só que muito maiores e mais poderosos. Os atores
contracenaram bem com esse "imaginário" e alguns recursos "matrixianos"
foram usados nas cenas de ação, mas tudo na dose certa no timing
perfeito. Uma das razões seria o fato de que entre os membros da equipe,
nomes como Brian Cox, Patrick Carmiggelt, Paul Gorrie e Kim Hilder participaram
de Matrix, A Identidade Bourne e O Corruptor, entre outros sucessos.
Depois de um começo bastante
agitado e divertido com uma sequência muito boa para apresentar as "qualidades"
de cada membro da equipe, algo inusitado acontece e revela personagens descontentes
com suas respectivas vidas. O que parece impossível acontece: eles se
separam. Só Scooby e Salsicha continuam amigos fiéis. Mas o destino
iria reunir a trupe novamente, porque estranhos acontecimentos atrapalham os
negócios do empresário Mondavarious, interpretado pelo comediante
Rowan "Mr. Bean" Atkinson e algo precisa ser feito. É a hora
da turma da Mistery Machine entrar em ação e a diversão
rolar solta.
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Os produtores se preocuparam em apresentar
os personagens e suas características. Fred como um narciso, Velma, a
tímida de plantão, Daphne é a patricinha tola e Salsicha
dispensa definições. Sua parceria com Scooby rende bons momentos,
incluindo uma engraçada sequência escatológica que a garotada,
com certeza, deve adorar. Uma coisa que chama a atenção é
o narcisismo de Fred ser muito mais exacerbado do que no original, ganhando
- em alguns momentos - contornos homossexuais. E isso fica mais patente quando
o sobrinho pirado de Scooby-Doo - ele mesmo, o taradinho Scooby-Loo - diz que
Fred não leva jeito para "a coisa" já que não
dá "uns pegas" na Daphne. Mais a frente, Fred sob os poderes
do mal encarna o corpo de Daphne e solta a franga, rendendo um sequência
de troca-troca de corpos divertida entre todos os integrantes do grupo.
As cores no filme são de cair
o queixo. Os detalhes das roupas são perfeitos. Fred com o azul, Velma
com o vermelho, Daphne com o roxo e Salsicha vestindo duas cores, o verde -
da erva - e o marron - também da erva e - fiel amigo Scooby. Tudo milimetricamente
pensado? Pode ser. E falando em cores - elas são intensas nesta produção
- é tarefa das mais difíceis não lembrar toda a psicodelia
que envolve o desenho animado. Por mais que seus criadores queiram negar, é
fácil perceber as mensagens subliminares presentes em vários detalhes.
As cores do furgão, a camisa do Led Zeppelin e a fome constante de Salsicha
e Scooby poderiam até ser irrelevantes não fosse a predileção
de Salsicha pelo nome Mary Jane (Marijuana) e sua "paixão"
pela personagem "meio doidona" durante o filme. Haja fissura! A alusão
à erva proibida é mais do que clara e gratuita. Poderia e deveria
ser evitada. Essa talvez seja a única mancada do filme que é voltado
para a criançada.
Outra citação, essa
bem mais amena, fica por conta de uma brincadeira que Salsicha faz com Scooby,
dizendo que ele não é Hong Kong Fu. Para quem não sabe,
o também cachorro animado, é do universo de Hannah Barbera e vai
ganhar as telas grandes em breve. É só mais um merchandising,
entre outros, que passa rasteiro nas entrelinhas do roteiro. A ponta da siliconada
Pamela Anderson, como ela mesma, é uma força para a atriz (?)
que também vai estrelar daqui a alguns anos um personagem de quadrinhos
criado por Stan Lee e, claro, uma maneira de acrescentar algumas "curvas"
conhecidas ao filme. Isso porque Sarah Michelle Gellar e seu "corpinho
magrelo de aeróbica", segundo o personagem Fred, não sustentam
a obrigatoriedade de mexer com a libido dos espectadores. Algo que o público
brasileiro conhece bem nos programas infantis apresentados pelas loiras da TV.
No fim das contas, está tudo
bem amarrado e empacotado. Prova de que Hollywood sabe fazer presentes e, claro,
o DVD de Scooby deve vender horrores na época do Natal. A moral da história
todo mundo está cansado de saber e são valores conhecidos do velho
e do novo público: amizade e humildade. E isso é sempre bom reforçar.
A sensação do espectador que já teve contato com o desenho
animado é de estar vendo um bom e velho episódio da série,
só que num sofá diferente e numa tela bem maior. Um detalhe não
menos importante: prefira a cópia dublada. Só assim você
"encontra" o verdadeiro Scooby, na voz do ator Orlando Drummond, e
Salsicha, por Mario Monjardim Filho. Por essas e por outras razões, Scooby-Doo
é um programa bom para cachorro e para toda a família."