Mário Gomes Jr., Leitor do Adoro Cinema
- Nota 10:
"FORÇA, BELEZA, TENTAÇÃO
E ... FÉ
Mário Gomes Jr.
Clássico cinematográfico do século
passado, “Sansão e Dalila” (49) vai além de uma narrativa
tipicamente bíblica, pela perfeição com que fora elaborado,
nas mãos do genial Cecil B. DeMille, tanto na estética quanto
no conteúdo, este filme tem todos os requisitos para ser considerado
uma verdadeira obra prima. O épico-religioso, gênero bastante explorado
no cinema geralmente sob a forma de super-produções, teve o seu
apogeu na última década de 50, onde concentraram-se grandes clássicos
como “O Manto Sagrado” (53), “Os Dez Mandamentos” (56)
e “Ben-Hur” (59). Especialista nesses filmes bíblicos, o
diretor norte-americano Cecil B. DeMille (1881-1959) desde o início da
sua extensa carreira trabalhou com o gênero, tendo como seu clímax
“Sansão e Dalila” (49), a mais famosa das suas criações.
Este grande mestre contribuiu profundamente com a sétima arte, principalmente
por seu forte senso detalhista e pelas dimensões grandiosas das suas
obras, tornando-se um dos maiores cineastas de todos os tempos. “Sansão
e Dalila” conta a dramática história de Sansão, um
homem abençoado pelo Poder Divino com uma força sobre-humana para
proteger o seu povo filisteu dos inimigos, na polêmica região de
Gaza da Palestina, por volta de 1.000 a.c. Este destemido herói bíblico
em momento de fraqueza carnal sede aos encantamentos da beleza sobrenatural
de Dalila, uma garota de família que o destino transforma na rica cortesã
do Saran (Rei) de Gaza e que vive o dilema entre os sentimentos de amor e o
ódio por Sansão. Embora preponderantemente trágico e com
mais de cinqüenta anos da sua realização, este filme ainda
cativa o público por sua beleza e qualidade. Elaborado com a maestria
sábia do seu criador DeMille, “Sansão e Dalila” constitui-se
de detalhes riquíssimos, ainda mais enfatizados pela utilização
do então recente sistema de cor da Technicolor, que atribuiu-lhe impecável
imagem. Os cenários e vestuários históricos também
foram cuidadosamente recriados com extrema fidelidade à época
bíblica. Os espetaculares efeitos visuais destacam-se dos padrões
da época, principalmente na cena da luta de Sansão com o leão
(em que o ator protagonista fora substituído por um dublê) e na
impressionante cena final da destruição do Templo de Dagon. A
estrondosa e harmônica trilha musical do magistral Victor Young (1901-1956),
também é outro fator de enriquecimento do filme, pelo equilíbrio
entre a beleza e força com que fora elaborada. A seleção
do elenco que compõe esta obra prima foi de extrema meticulosidade. Os
atores foram perfeitos para os seus respectivos papéis. Destacando-se
a atriz de origem austríaca Hedy Lamarr (1913-2000) – a mais bela
estrela de cinema de todos os tempos (na minha opinião) – que possuía
grande inteligência, além do talento para representar, sendo considerada
uma das idealizadoras da telefonia celular (reconhecida já na sua velhice
por essa contribuição tecnológica). A multitalentosa Hedy
teve em “Sansão e Dalila” o auge da sua carreira, que começou
na Europa, época em que apareceu no filme tcheco “Êxtase”
(1932) numa corajosa cena de nudez frontal e considerada a primeira na história
do cinema comercial. Só por curiosidade é o rosto de Hedy Lamarr
que enfeita a embalagem do software CorelDraw da Microsoft. O astro norte-americano
Victor Mature (1915-1999) personifica o brutamontes Sansão, que sem muito
esforço convence o público apenas pelo seu porte atlético.
Mature tornou-se conhecido internacionalmente por este papel, ficando estereotipado
como ator de filmes épicos. Entre os outros principais protagonistas
da trama está a atriz inglesa Angela Lansbury (1925) – ainda bastante
atuante no cinema norte-americano (principalmente em clássicos da Disney)
– que interpreta a irmã mais velha de Dalila, Semadar. A atriz,
apesar de muito talentosa e simpática, não possui beleza considerável,
sendo propositadamente escolhida para salientar ainda mais a beleza de Dalila
(Hedy Lamarr). Os atores George Sanders (1906-1972) como o Saran de Gaza, Henry
Wilcoxon (1905-1984) como o Príncipe Ahtur, Russ Tamblyn (1934) como
o jovem Saul e Olive Deering (1918-1986) como a devotada e também feiosa
Miriam, têm boas atuações no filme. Para quem quer aprofundar-se
mais sobre a história bíblica, mais especificamente sobre o dramático
romance entre Sansão e Dalila, este filme é uma boa oportunidade,
tanto pela perfeição com que fora elaborado, quanto pela mensagem
que passa através da forte concepção da fé cristã
e das conseqüências humanas em ceder às tentações
da carne, nos tradicionais moldes bíblicos. Fica aqui a sugestão.
* SANSÃO E DALILA – 1949 (Samson and Delilah) – Dirigido
e Produzido por Cecil B. DeMille. Elenco: Victor Mature, Hedy Lamarr, George
Sanders, Henry Wilcoxon, Angela Lansbury, Olive Deering, Russ Tamblyn, Fay Holden,
Julia Faye, William Farnum, Lane Chandler, George Reeves, Moroni Olsen, Francis
McDonald, William ‘Wee Willie’ Davis, John Miljan, Arthur Q. Bryan,
Boyd Davis, Kasey Rogers, Victor Varconi, John Parrish, Frank Wilcox, Russel
Hicks, Fritz Leiber, Mike Mazurki, Davison Clark, Pedro de Cordoba, Frank Reicher,
Colin Tapley. Roteiro: Fredric M. Frank e Vladimir Jabotinsky. Trilha Musical:
Victor Young. Direção de Arte: Hans Dreier e Walter H. Tyler.
Vestuário: Edith Head e outros."