Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Uma
das histórias mais originais da década de 80. Arrisco desde já
dizer que esse é o melhor filme de Woody Allen. Para falar a verdade,
não sou dos mais admiradores dele, alguns de seus dramas conjugais são
fracos, mas quando sua idéia é uma comédia os resultados
são filmes como esse "A Rosa Púrpura do Cairo", um filme
para te conquistar, encantar e não esquecer mais.
Qualquer coisa vindo de Woody Allen
já não se pode prever alguma coisa. Sua idéia nesse filme
é totalmente criativa, acho que só o Woody Allen mesmo para ter
essa idéia. Dê uma olhadinha na história e comprove: Cecilia
(Mia Farrow, de "O Bebê de Rosemary") é uma garçonete
trabalhadora que tem de ficar sustentando o vagabundo do marido. Ele nunca quer
acompanhá-la ao cinema e prefere ficar com os amigos jogando. Então
o único acompanhante que Cecilia tem para ir ao cinemaé o fiel
saquinho de pipoca!
Até aí tudo normal,
agora que começa a coisa mais estranha: Cecilia sempre vai assistir ao
mesmo filme (cidade pequena, um cinema apenas). Indo pela quinta vez ao cinema,
um fato bizarro acontece: o personagem Tom Baxter (Jeff Daniels) vê a
garota ali mais uma vez sentada vendo o filme e começa a falar com ela.
Ele acaba saindo das telas e diz amar Cecilia!!!
Então começa a história
de amor mais esquisita que você, eu, ou qualquer outra pessoa já
viu. O caso começa a se espalhar e os executivos tem de levar o personagem
de volta para as telas. Gil Sheperd (Jeff Daniels) é o ator que interpreta
o Tom, ele vendo que seu sucesso pode ser ameaçado resolve ir para a
errado
pequena cidade e achar aquilo que ele criou, aliás, os roteiristas criam,
mas ele deu vida!! Até ele também se apaixonar por Cecilia!
O grande mérito desse filme
é o espectador jamais saber como a história irá acabar.
Por isso ficamos atentos a cada minuto do filme, além de conseguir ser
muito engraçado. Destaco os momentos onde os outros personagens do "filme"
ficam discutindo. Mas o mais hilário mesmo é quanto o Tom Baxter
está tentando aprender o mundo real, a cena onde ele sai com uma garota
de programa sem saber é nota 1000. Woody Allen teve idéias perfeitas
para aproveitar a ingenuidade do personagem.
O elenco do filme foi uma das armas
de Allen. Além do excelente roteiro escrito por ele, o elenco foi fundamental
para o bom rendimento do filme. Mia Farrow em filme dele é comum (já
que sua filmografia se divide em duas: Farrow e Diane Keaton), e aqui ela está
sensacional. O destaque fica para o Jeff Daniels, não consigo imaginar
nenhum outro ator em seu lugar, e pensar que o Michael Keaton começou
a rodar o filme no papel mas acabou sendo rejeitado por Allen. Jeff se sai excelentemente
bem na pele do personagem do "filme" e na pele do ambicioso e interesseiro
ator rumo ao estrelato.
"A Rosa Púrpura do Cairo"
é um filme sensacional. Mesmo sendo curtinho, o filme tem um conteúdo
incrível. O roteiro de Allen é perfeito, diálogos cheios
de beliscos, situações das mais inacreditáveis, um enredo
que ninguém poderia imaginar, só mesmo o Woody Allen. Resumindo
em poucas palavras: não é a toa que entre todos os filmes que
já dirigiu Woody Allen assume publicamente que esse é o seu preferido.
Imperdível."