Atila Francis (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
""ROMEU E JULIETA", de Franco
Zeffirelli. Este filme é um primor de beleza, poesia e encantamento.
Realizado em 1968, foi um sucesso popular mundial que marcou toda uma geração.
Só aqui em São Paulo ficou mais de 10 (dez) meses em cartaz, sendo
um dos grandes campeões de bilheterias de sua época. Originalmente
foi lançado no auge do movimento "paz e amor", em 11 de agosto
de 1969, no Cine Belas Artes. Foi um acontecimento tão grande que mexeu
muito com o sentimento das pessoas. Os jovens criaram uma identificação
imediata, influenciando na moda e no comportamento. É uma história
de amor incomum. Uma história de amor que vence todas as barreiras, todos
os ódios. A magnífica linguagem utilizada por William Shakespeare
foi transposta ao cinema de forma impecável, com a direção
competente do genial Franco Zeffirelli. Esta versão é a mais perfeita
já realizada, entre outras qualidades porque apresenta os jovens amantes
de Verona na sua concepção maior, como jovens adolescentes, exatamente
como a peça teatral shakesperiana descreve. Leonard Whiting, que faz
o Romeu, tinha então 17 anos e Olívia Hussey, a Julieta, tinha
15, se tornando assim um dos pares românticos mais bonitos do cinema.
A música tema "A Time for Us", uma balada melancólica
e sensível cantada no filme por um jovem músico quando Romeu vê
Julieta pela primeira vez, foi um sucesso estrondoso, sendo gravada até
em português. É uma canção que toca até mesmo
o coração dos menos apaixonados. Outro grande trunfo do filme
é o elenco, todos muito bem. Além do par central já citado,
há também a grande interpretação de Michael York,
que faz Teobaldo, o inimigo número um de Romeu. A cena do duelo entre
os dois, em praça pública, é antológica. Cabe lembrar,
ainda, John McEnery (excepcional como Mercutio), Pat Heywood (a velha ama),
Milo O'Shea (Frei Lourenço), Bruce Robinson (Benvolio, o amigo de Romeu),
Natasha Parry (a Sra. Capuletto), entre outros, sem deixar de citar um dos maiores
monstros sagrados do cinema inglês e norte-americano, o brilhante Laurence
Olivier, que faz o narrador da história. O filme recebeu 4 indicações
ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Figurino e Melhor Fotografia,
ganhando nessas duas últimas categorias. Apesar de receber muitos elogios
de vários segmentos das sociedades brasileira e internacional, considerado
até como 100% EXCELENTE, sempre têm os críticos de plantão,
que chegaram a dizer que o filme "vulgarizava e simplificava a obra poética
de Shakespeare". Mas não é verdade, o filme é belo
na sua mais completa concepção, evocando com grandeza e sensibilidade
estonteante o texto inglês. Indiscutivelmente, é uma das mais extraordinárias
histórias de amor, em todos os tempos."