Renato Rosatti, Leitor do Adoro Cinema - Nota 5:
"Para aumentar ainda mais as estatísticas
com a grande quantidade de refilmagens de filmes antigos que tem invadido o
cinema americano atual, demonstrando a escassez de idéias novas dos produtores
e roteiristas, em 27/09/02 estreou no Brasil o filme de ação com
elementos de ficção científica “Rollerball”
(Rollerball), dirigido e produzido por John McTiernan (de “Duro de Matar”
e “O 13o Guerreiro”). A fita foi inspirada no filme homônimo
de 1975, de Norman Jewison, com James Caan no elenco e que teve o título
nacional de “Rollerball – Os Gladiadores do Futuro”. Nele,
a ação se passa no século 21 onde um esporte popular e
violento misturando futebol americano e hóquei era utilizado para distrair
BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0">
as pessoas. O novo “Rollerball” é ambientado no Cazaquistão
e países vizinhos, onde o grande ! lazer das pessoas é acompanhar
pela TV a prática de um esporte futurista radical e extremamente violento,
com os competidores utilizando patins e motocicletas numa arena especial tendo
como objetivo o arremesso de uma bola de ferro contra uma espécie de
gol. Os maiores astros desse brutal esporte são o jovem americano Jonathan
Cross (Chris Klein, visto no drama da Guerra do Vietnã “Fomos Heróis”),
seu amigo Marcus Ridley (o rapper LL Cool J) e a bela Aurora (Rebecca Romjin-Stamos).
Eles acabam descobrindo e tentam denunciar um sistema de corrupção
com sabotagens nos jogos visando aumentar a violência do esporte colocando
em risco a vida dos participantes e consequentemente crescendo de forma significativa
os índices de audiência com o fortalecimento dos interesses comerciais
envolvendo contratos com emissoras de TV de um perigoso e inescrupuloso empresário,
Alexi Petrovich (o francês Jean Reno), que tem ligações
com a máfia russa e é o idealizador do “rollerb! all”.
Curiosamente, a mesma temática foi explorada também em “O
Sobrevivente” (The Running Man, 1987), estrelada por Arnold Schwarzenegger
e com história baseada em obra do escritor Stephen King, onde um esporte
montado numa arena mortal obriga os participantes a correrem por suas vidas,
sendo perseguidos por assassinos fortemente armados, e tudo com exibição
errado
ao vivo pela televisão, manipulando a selvageria oculta no público
espectador. A versão de 2002 de “Rollerball” está
repleta de muita ação, movimentos rápidos de câmera,
perseguições com motos e patins, homens arremessados aos ares
com suas roupas e máscaras coloridas e muita porrada e violência
gratuita, tendo como trilha sonora um rock pesado ao som principalmente de “Slipknot”.
O tema da história é até interessante, explorando a existência
de um esporte mortal para saciar a sede de violência e selvageria da humanidade,
que sempre sentiu prazer em ver o sangue alheio. A história! da raça
humana está repleta de citações parecidas como as atrocidades
cometidas na época dos gladiadores de Roma, com lutas sangrentas até
a morte ou pessoas sendo devoradas vivas por animais selvagens em arenas lotadas
de espectadores, ou ainda as execuções de feiticeiras sendo queimadas
vivas nas estacas na época da Inquisição Européia.
Sem contar os condenados à decapitação na guilhotina na
Revolução Francesa, ou os enforcamentos para os infratores da
lei no velho oeste americano, tudo devidamente acompanhado por multidões
ensandecidas. Porém, “Rollerball” é apenas mais um
filme comum com um roteiro convencional no mais puro clichê. Os atores
estão inexpressivos, não poupando nem o experiente Jean Reno (de
“Godzilla” e “Rios Vermelhos”) no papel do vilão.
O desfecho é altamente previsível tornando a produção
descartável e justificando as razões do fracasso de bilheteria
que acabou arrecadando muito menos do que foi gasto no orçamento mil!
ionário (algo em torno de US$ 70 milhões). “Rollerball”
acaba servindo unicamente como um passatempo rápido por suas cenas de
ação bem filmadas, só que numa história quase nula
que poderia ser bem melhor trabalhada, e não apenas transformada em exposição
de violência gratuita."