Wilson de Oliveira Jr. (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:

"Em termos de história, até pode ser considerado o mais fraco da série. Mas, diante do clima que o filme cria, a gente até esquece que é uma deslavada propaganda anticomunista - e que deu a Stallone o suspeito rótulo de "Garoto-Propaganda da Era Regan". O filme tem muitas qualidades e também muitos defeitos. Primeiro vamos às qualidades: o clima do filme e a tensão que segue num crescendo e atinge o ápice na entrada de Rocky no ringe, sozinho, contra uma multidão de russos no estádio. A trilha sonora, recheada de melodias e letras contagiantes - com direito à canja de James Brown com "Living in America" (mais americano impossível) é arrebatadora, mesmo sem a célebre "Gonna Fly Now". A edição é muito boa, dá a certas cenas uma cara de videoclipe - algumas até são mesmo. A sacada dos calções com as cores das bandeiras. Rocky usa aquele calção "bandeira-americana" também no fim do "Rocky III", mas aqui o motivo para isso é mais plausível - patriotismo. As cenas de boxe são bem realizadas - mas no visual.

Agora, os defeitos: Rocky Balboa aparece aqui sem a profundidade dos filmes anteriores (quando era alguém ainda lutando por sucesso). Em "Rocky IV" ele parece um super-homem com muito músculo, mas pouca humanidade. Se Apollo Creed - mostrado nos filmes anteriores como um pugilista melhor tecnicamente e "mais atleta" que Rocky - morre nas mãos de Drago em dois rounds. Como é que Balboa aguenta 15 apanhando sem parar? O legal é que isso deu um mote bacana pro quinto filme - os danos irreversíveis no cérebro. Afinal, ninguém tomaria tanta porrada na cabeça e sairia ileso, né? Mas em "Rocky IV" isso parece que não vai acontecer. O jeito superficial como os outros personagens - Paulie, Adrian, principalmente - são mostrados, dando destaque demais a Rocky. Uma coreografia mais realista para a luta do fim. A melhor luta da série - em termos de realismo - é a do final de "Rocky II". Stallone bem que podia ter feito algo semelhante neste quarto episódio. As falas podiam ser um pouco mais inteligentes para Ivan Drago. Dolph Lundgren impressiona pelo tamanho, mas parece um robô. Tudo bem que a idéia é mostrá-lo como um "frio atleta dopado criado pela tecnologia russa", mas até mesmo eles tem um quê de gente, não é mesmo? Mesmo assim, o filme é bom e vale assitir e guardar. Principalmente para quem é fã de BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> Stallone e da série como eu."