Ary Luiz Dalazen Jr. (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

""Jogo Duro" é o primeiro trabalho do aclamado cineasta John Frankenheimer após o seu renascimento comercial obtido com o thriller "Ronin", de 1998. O sucesso de "Ronin" rendeu-lhe um contrato de três filmes com a Miramax, e a julgar pelo seu primeiro trabalho para o estúdio, "Jogo Duro", a Miramax fez um negócio excelente ao contratar o veterano cineasta, que mostra que ainda tem muito o que dar em matéria de adrenalina e puro entretenimento!para quem não se liga muito em nome de diretores, John Frankenheimer é o homem responsável por clássicos do cinema como "The Manchurian Candidate", "Black Sunday", "Operação França 2" e muitos outros. Cada uma destas produções tem em comum o estilo nervoso e carregado de tensão que Frankenheimer destila em todos os seus trabalhos. Cineasta da velha guarda, o diretor usa e abusa de cortes rápidos, movimentos originais de câmara e um estilo todo próprio de dirigir filmes. Trabalhando aqui com um elenco de jovens talentos, Frankenheimer faz de "Jogo Duro" um suspense atual mas que, ao mesmo tempo, lembra bastante aqueles bons e velhos thrillers da década de 70. A estória, escrita pelo novo mago de Hollywood Ehren Kruger, conta a saga de Rudy Duncan (Ben Affleck, que aqui constrói um herói "Bogartiano"), um presidiário durão mas de bom coração que está prestes a ser colocado em liberdade e quer começar uma nova fase em sua vida, voltada à família. Ele tem um melhor amigo no presídio, Nick (James Frain), que também é seu colega de cela e será solto no mesmo dia que Rudy. Nick troca cartas apaixonadas com uma doce e carinhosa garota, Ashley (Charlize Theron, mais linda do que nunca). A moça consegue, com suas palavras de amor e apoio, ajudar Nick e dar forças para que ele agüente a dura vida dentro do presídio. Rudy sente, no fundo, um pouco de inveja de seu amigo, pois ele nunca teve um amor como aquele que seu colega tem. Quando Nick é esfaqueado e morto durante uma briga no refeitório, às vésperas de ser posto em liberdade, Rudy decide assumir a identidade de seu colega para assim se aproximar de Ashley. O que ele não sabe é que Ashley tem um irmão psicopata, Gabriel (Gary Sinise, um ótimo ator que vem se especializando em papéis de vilão ao longo de sua carreira) que leu todas as cartas que Nick trocou com Ashley, principalmente aquelas em que ele dizia que trabalhara em um Cassino antes de ser preso. Pensando que Rudy é Nick, Gabriel e sua gangue chantageiam o rapaz para que esse faça parte de um ousado assalto ao Cassino Tomahawk, no Natal. Essa é a premissa original do filme, mas pode ficar certo que as surpresas são muitas e espantosas. "Jogo Duro" é uma montanha-russa de reviravoltas e traições, bem amarrados por um roteiro que mantêm o suspense e um clima de tensão durante todo o seu desenrolar. Frankenheimer, familiarizado com filmes complexos e personagens idem, se sente em casa na direção de "Jogo Duro", adicionando o seu toque pessoal de fazer cinema, com sua câmara nervosa, seus cortes rápidos e seu estilo seco e direto de contar uma boa estória economizando tempo. Os diálogos cínicos e afiados rendem alguns momentos bem engraçados, mas Frankenheimer se sai realmente bem ao orquestrar as cenas de ação. Ele até revela um lado emocional e romântico com algumas cenas belas e sensíveis sublimadas pela trilha belíssima de Alan Silvestri, como a em que Rudy sai do presídio, vê Ashley, ela o vê também, e ele fica com medo de ir falar com ela, com medo de decepciona-la por ser um ex-presidiário, ou mesmo nos minutos finais. Em uma época que bombas como Missão Impossível 2 e Get Carter são lançadas com muito barulho errado e nenhuma qualidade nos cinemas, assistir a um filme direto e emocionante como "Jogo Duro" nos faz acreditar que ainda se pode assistir a um bom entretenimento como aqueles dos velhos tempos, que infelizmente ficaram para trás."