Fabrício Santos (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 3:
"Após nos deslumbrarmos com a adaptação
cinematográfica de "Entrevista Com o Vampiro" passamos a esperar
sempre o melhor de algo vindo das mãos da escritora Anne Rice. A autora
dos best-sellers vampíricos ganhou maior admiração e respeito
pela sua contribuição em "Entrevista...", tendo a liberdade
de escrever o roteiro e até mesmo opinar na escolha dos atores.
Mas a fórmula que deu certo não foi repetida
em "A Rainha dos Condenados", tornando-o um fracasso e quase sendo
lançado diretamente em vídeo. O vampiro Lestat aparece novamente
nas telas, desta vez como um astro de rock que, através de sua música,
desperta a Mãe dos vampiros, Akasha. Mas não é Tom Cruise
que interpreta Lestat (Cruise interpretou o famoso vampiro em "Entrevista..."
e chegou a ser chamado para o papel, mas recusou devido ao seu envolvimento
com outras filmagens). Sorte dele que escapa desta vergonha, e azar nosso que
perdemos um ótimo ator e temos que nos contentar com o desconhecido Stuart
Townsend.
Stuart até que tem um tipo vampiresco propício,
com a aparência de um ser místico. Mas a semelhança termina
aí! O ator faz exageradas caretas em suas "falas-profecias",
abrindo exageradamente a boca em sua "fala mansa". E seus sussurros
"sensuais", que utiliza para seduzir as donzelas, só não
as espantam porque elas devem seguir o script. A também novata Marguerite
Moreau chega a ser pior que o protagonista. Uma típica atriz de novela
mexicana. Sem mais comentários.
Encabeçando o elenco vem a atriz e cantora de R&B,
Aalyiah, que morreu recentemente em um acidente aéreo e teve o filme
dedicado a sua memória. Merecia algo melhor. Ou não, pois o que
salva em Aalyiah é apenas seu belo corpo. A atriz/cantora interpreta
justamente Akasha, que caminha com um rebolado ridículo e seu "ar"
de "toda poderosa" não convence ninguém.
Fotografia. Sim, filmes de vampiros normalmente possuem
uma boa fotografia... mas não este! A iluminação de "A
Rainha..." chega a dar dor de cabeça. É agonizante! E os
efeitos especiais? Será que salvam? Nem isso! Efeitos explicitamente
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arcaicos, que ficam piores quando unidos a péssima edição,
pegando ângulos desfavoráveis nas cenas de "ação".
Os "filmes-vampiro" que valem a pena não
são muitos, representados pelo clássico "Nosferatu",
o ótimo "A Sombra do Vampiro", o interessante e bem feito "Entrevista
Com o Vampiro" e o melhor de todos, "Drácula de Bram Stoker".
Salve Coppola!
Já a lista das decepções é
maior, tendo como carros-chefe o adolescente "Drácula 2000",
o tedioso "Vampiros do Deserto", os exagerados "Vampiros de John
Carpenter" e "Blade" (apesar de muitos terem gostado), o ridículo
"Garotos Perdidos", o infantil "Buffy" e agora o pop "A
Rainha dos Condenados".
O mito vampiro é muito amplo e pode gerar bons roteiros
(até "Drácula 2000" possui um roteiro interessante,
fazendo o paralelo de Judas), mas nem isso "A Rainha..." consegue!
A historinha de "vampiro popstar" que desperta uma entidade poderosa
que quer reinar em um império de destruição. É quase
um Cine Sinistro! E pensar que Anne Rice chegou a propor seus serviços
e escrever o roteiro do filme. A Warner recusou!
O único ponto forte do filme é a trilha sonora.
Jonathan H. Davis, vocalista do KORN, dublou o ator Stuart nas cenas em que
cantava. A trilha é puro KORN! Fora isso o filme é puro lixo.
É... parece que o sangue dos vampiros no cinema está
se tornando mais escasso."