Henrique Miura, Leitor do Adoro Cinema - Nota 4:

"Depois do desastroso "O Colecionador de Ossos", Philip Noyce continua a errar. O melhor elemento do filme - que é a atuação de Michael Cane - nem é memorável. Mas, os americanos adoraram o filme,- que foi aclamado pela crítica, e Cane acabou conseguindo sua sexta indicação ao Oscar, sua quarta como Melhor Ator. Aqui ele interpreta um correspondente inglês no Vietnã. Casado em sua terra natal, ele vira um adultero quando começa a ter um caso com uma jovem vietnamita. O americano tranqüilo do título é Brendan Fraser. Deixando as expressões fáceis e divertidas de seus últimos filmes, aqui ele volta aos tempos de "Deuses e Monstros", tendo uma atuação que deveria ser "séria". Deveria, BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> mas apesar do esforço, é visível ver seu tom cômico se impulsionando em suas caretas. Seu personagem é o enigma chave do filme, sendo que se apaixonado pela vietnamita que mantém um caso com o inglês. Concluindo, o filme antes de uma "reviravolta", se divide entre política e romance. Isso porque, além desse romance chato e meloso (a patética atuação da moça atrapalha muito), existe o conflito de Saigon, num embate entre comunistas, franceses e um novo general. Esperar algo ideologicamente crítico ou contundente é bobagem. E das poucas eficiências do filme nesse quesito, é preciso muita interpretação, pois uma coisa que soa como crítica para uma pessoa, pode soar como uma apologia para outra. E tudo isso só inicia-se depois da suposta reviravolta, depois de traçar o perfil do caráter de cada personagem. E avaliando o caráter, é que as interpretações vão ficar deslocadas. Em som e imagem, você vê farpas contra a política norte-americana, por outro lado, analisando tudo aquilo que foi passado, é visível uma certa apologia à intervenção americana camuflada em conflitos políticos. O filme também sofre da falha narrativo do flashback. A fita começa com o americano morto e o inglês o chamando de "um amigo". Então regressamos sem qualquer justificativa para quando os dois se conheceram, e então começa toda a história. O recurso de revelar um elemento fundamental do final logo no começo - que funcionou muito bem em "Moulin Rouge" e "Beleza Americana", por exemplo - não funciona nessa trama confusa e cheia de detalhes irrelevantes. Pela política atual, porém, o filme serve como um painel revelador, demonstrando o potencial americano de manipulação e controle. "O Americano Tranqüilo" tem uma trama arrastada, um ritmo que se perde no misto entre "fita de ação" e "fita de arte", e muito papo para pouco conteúdo. Cane é a melhor coisa do filme, contudo, passa muito distante de seus melhores momentos. Fraser já demonstrou poder de aturar de verdade em "Deuses e Monstros", mas aqui ele já está marcado como um comediante, tentando bancar o sério em uma fita errada, que pouco lhe exige e não pede mutação de qualquer outro personagem seu - o que acaba causando alguns risos involuntários. De cena boa no filme, existe apenas uma: a grande explosão, que é a chave para a reviravolta que ocorre poucas cenas depois. Lembrando que o roteiro de Christopher Hampton e Robert Schenkkan é uma adaptação da obra de Graham Greene, que já fora adaptada em 58, com o título de "Um Americano Tranqüilo"."