Carlos Massari (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
"Hollywood
adora se satirizar. Quase todo ano, vemos um grande número de filmes
sobre bastidores, produção, e coisas do tipo. "Os queridinhos
da América" é mais uma sátira sobre bastidores, tendo
como alvo um casal que se separa durante a produção de seu último
filme (sim, é uma tirada de Nicole Kidman e Tom Cruise!), e, para não
prejudicá-lo, tem que manter as aparências durante a divulgação.
O problema é que Gwen, a atriz que não sabe fazer nada, está
com um espanhol de dois metros de altura, e Eddie se apaixona por Kiki, a irmã
de Gwen. Sem dúvidas uma boa história para a pretensão
do filme, que não era arrecadar 200 milhões de dólares,
e sim dar mais uma sacudida nas grandes estrelas (claro, fazendo sucesso).
Essa história foi bem explorada
pelo roteiro de Billy Crystal, que caracterizou os personagens com uma precisão
incrível. Gwen é praticamente uma burra, não consegue fazer
nada sem a ajuda da irmã. Tem que pedir até para Kiki terminar
seu namoro, entergar os papéis do divórcio e passar manteiga na
torrada. Estava indecisa entre o espanhol e Eddie, além de viver dizendo
que está com dor de cabeça. Muito bem descrita a "estrela
hollywoodiana". Já Eddie está massacrado após descobrir
que era traído e não consegue se concentrar em nada até
se apaixonar por Kiki, a única personagem mal caracterzada no filme.
Não dá pra saber sua real personalidade, apenas que era uma capacha
de Gwen e que, após perder 25 quilos, começou a balançar
corações. O resto fica encoberto. Já o assessor de imprensa
interpretado por Crystal teve um grande destaque no filme. A única coisa
que pensa é divulgar o filme, ele filma tudo que possa dar lucro. É
a ganância em pessoa.
Outra parte que o filme satiriza
bem é a comercialidade do mercado cinematográfico. Em certa parte,
Gwen diz "eu estou um lixo, nem fui indicada ao Globo de Ouro esse ano".
Isso prova a influência que esses prêmios tem na cabeça dos
atores.
Mas nem tudo no filme funciona. Deixando
de lado a teoria e o poder satírico, veremos que algumas piadas não
fazem rir e também a direção de Joe Roth é muito
irregular. Ele faz jogos de câmera de uma maneira que atordoa o espectador,
além de não conseguir conduzir o elenco muito bem. Não
dá pra esperar muito de alguém que já fez "A Vingança
dos Nerds 2", mas "Os queridinhos da América" poderia
ser um grande filme caso o diretor fosse melhorzinho.
errado
O elenco é repleto de estrelas.
Tem as duas "gostosas que não interpretam nada": Julia Roberts
e Catherine Zeta-Jones. Julia mostrou mudar um pouco essa risca em "Erin
Brochovich", mas aqui voltou ao marasmo. Está perdida em cena, acabou
dando um ar diferente ao filme. Já Zeta-Jones está engraçadinha
mas não empolga. O mesmo se aplica a John Cusack, que não conseguiu
transmitir a indecisão do personagem. Quem salva todos é Billy
Crystal, que faz qualquer um dar boas gragalhadas nas cenas que aparece. Talvez
é porque seu próprio roteiro colabora com isso.
"Os queridinhos da América"
não vai mudar a vida de ninguém. É uma comédia legalzinha,
que todo mundo vai esquecer cinco minutos depois de ver. Tem a favor o humor
ácido contra Hollywood e, de quebra, Kidman e Cruise, mas acaba pecando
em uma direção fantasiosa demais de Roth. Assista, você
vai se divertir, mas após sair da sala vai esquecer de quase tudo. Mesmo
assim, vale o ingresso."