Quase Dois Irmãos

Quase Dois Irmãos 2010-05-22 Francisco

Título original: (Quase Dois Irmãos)

Lançamento: 2005 (Brasil)

Direção: Lúcia Murat

Atores: Werner Shünemann, Antônio Pompeo, Maria Flor, Fernando Alves Pinto.

Duração: 102 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 10 5

(10 votos)

                   

Sinopse

Miguel é um Senador da República que visita seu amigo de infância Jorge, que se tornou um poderoso traficante de drogas do Rio de Janeiro, para lhe propôr um projeto social nas favelas. Apesar de suas origens diferentes eles se tornaram amigos nos anos 50, pois o pai de Miguel tinha paixão pela cultura negra e o pai de Jorge era compositor de sambas. Nos anos 70 eles se encontram novamente, na prisão de Ilha Grande. Ali as diferenças raciais eram mais evidentes: enquanto a maior parte dos prisioneiros brancos estava lá por motivos políticos, a maioria dos prisioneiros negros era de criminosos comuns.

 

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Elenco

Maria Flor

(Juliana)

Comentários

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Atena Negra em 29/04/2011

É um bom filme, apesar de ser longo e algumas vezes, confuso. Destaque para Maria Flor, ótima.

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João Araújo em 30/04/2010

Quase dois irmãos retrata com fino trato a humana dicotomia entre Marxismo /utopia/ idealismo/ metafísica e realismo/ fatalismo/ Maquiavelismo


 Ghandi e Mazzaropi de um lado, Robespierre e Grande Otelo de outro.


Ótimo filme!

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Thyago Marcel em 07/01/2005Nota: 4.5     

Excelente o filme! Principalmente para quem é apaixonado por Cinema Político. Ótimo roteiro e excelentes cenas. Só peca na questão de produção, mas o motivo todos nós sabemos: falta de recursos.

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Kléber Eduardo Men em 03/01/2005Nota: 3.5     

O filme apresenta o morro carioca e seus personagens um pouco romantizado. O projeto que o personagem de Caco Ciocler apresenta para seu ex-parceiro de cela mostra mais uma vez que o morro não está interessado em projetos de coisa nenhuma, e sim querem continuar vivendo como estão. Afinal eles fazem a lei e o melhor, fazem com que sejam cumpridas, coisa que o poder público nunca conseguiu e nunca conseguirá. Achei que os palavrões também foram exagerados. As cenas que se passaram na cadeia em relação aos presos políticos, mostram a total ingenuidade que esses pseudos-revolucionários possuiam, dando para notar que é somente utopia achar que eles conseguiram alguma coisa.

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Renata de Felippea em 05/01/2005Nota: 4     

É um filme muito interessante e corajoso por demonstrar que as relações raciais e sociais no Brasil ainda são tensas. A atriz Maria Flor está excelente.

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Victor Vasconcellos em 02/01/2005Nota: 5     

O filme é muito bom. Lúcia Murat acerta mais uma vez, traçando uma linha tênue entre a dmocracia burguesa e o poder paralelo que se formaram quase ao mesmo tempo e atualmente estão em confronto explícito. Além de ter uma ótima trilha sonora e atuações impecáveis com Caco Ciocler finalmente fazendo um revolucionário. Este filme é um chute nas posições preconceituosas de uma classe média que só aparta. Uma grande produção nacional e digna de ser vista.

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André Casado em 11/01/2005Nota: 4.5     

O melhor filme brasileiro q já vi! Maduro, inteligente, belo. Fantástica a sacada de Lúcia ao contar a história dividida cronológicamente nos 3 períodos! Política e socialmente decisivos para o entendimento de algms questões.

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Mariana Gonçalvesa em 10/01/2005Nota: 4.5     

O filme é de grande aprendizado acho que é para isso que é feito o cinema, não só para o entretenimento mas, principalmente para mostrar a realidade, para fazer críticas. Os jovens assim como eu precisam ter mais interesse sobre o tema: realidade.

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Maíra Bittencourt Césara em 08/01/2005Nota: 4     

Ditadura militar. Anos 70. Rio de Janeiro. Penitenciária da Ilha Grande. Ele é Miguel, branco, jovem intelectual e preso político. Seu quase irmão é Jorge, negro, favelado, preso por pequenos delitos. Em comum? A paixão pelo samba. Conheceram-se na infância, herdando de seus pais essa paixão. Reencontraram-se, anos mais tarde, na prisão. Quase dois irmãos dialoga com o público por meio da vida desses dois personagens. Alternando presente e passado, a narrativa flui apresentando o microcosmo da nossa sociedade através da grande diversidade existente entre eles. Na prisão, as diferenças e atritos devido à proximidade começam a criar um abismo e um enorme ciclo de violência entre eles. É em meio a esse caos que se forma uma das maiores organizações criminosas do país: o Comando Vermelho. Miguel, hoje, é um senador que se vê frente ao problema da violência, quando sua filha adolescente se envolve com um traficante. Jorge é um dos chefões do tráfico e, novamente, está na prisão. Ambos envolvidos novamente pelas contradições de nossa realidade.Enquanto outros filmes brasileiros se esforçam para mostrar a violência como uma forma de chocar o público, Lúcia Murat trabalha brilhantemente com um roteiro em que o problema é visto como um todo: mostrando o seu início, ou seja, a violência de ontem e procurando, em 50 anos de história do Brasil, entender a raiz da violência de hoje, enfrentada nas grandes cidades. O filme critica certa visão ideológica da esquerda brasileira dos anos 70 e mostra-nos como ela não soube entender as camadas mais baixas da população e que, sempre frente a uma dificuldade, cercou-se de proteção, colocando-se à parte do resto da sociedade. Entretanto, apesar da dura crítica à burguesia e à classe média, o enredo, em momento algum, é maniqueísta, personificando os personagens em mocinhos e bandidos. Murat, com uma direção ágil e precisa, faz um excelente trabalho com os atores e consegue grandes atuações de Caco Ciocler e Werner Schuneman e também de novatos, vindos de grupos como Nós do Morro e Nós do Cinema.Questiona, instiga, mas não traz soluções. É assim o filme de Murat abre uma série de críticas e não nos ajuda a resolver os problemas mas é esse mesmo o seu propósito. Não vá esperando um banho de sangue e tiroteios à Cidade de Deus. Espere por uma história com uma trama mais simples, dura e direta, uma fotografia mais adequada à realidade (sem os maneirismos da publicidade), um ritmo diferente, pautado pelo grande ir e vir no tempo e no espaço; renda-se então à personificação das ânsias douradas dos jovens comunistas dos anos 70.

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Renato Flit em 09/01/2005Nota: 5     

Neste filme, o que mais importa é a história em si. A produção, a fotografia, os atores estão excelentes, mas nada disso é maior do que a questão social apresentada. Como ser justo? Como alcançar justiça social? O modo do prisioneiro Miguel só funciona para os brancos instruídos...A democracia é sempre mais justa e mais razoável, mas isso não basta para que ela seja aceita por algumas pessoas. Os prisioneiros "comuns" que começam a tomar a maioria do presídio parecem preferir a selvageria animal e a anarquia do que um regime baseado no rigor da lei e na decisão da maioria. É aí que começa a cair por terra o sonho revolucionário de unir pobres e ricos por meio de objetivos comuns. Não basta o compromisso dos ricos com a justiça, mas a aceitação e compromisso dos pobres também. No entanto, fica difícil falar de justiça social para Jorginho, um cara que conhece a dinâmica social na prática. As soluções pactuadas e de longo prazo são demasiado distantes para quem quer viver melhor, escapar do caos. Todas as soluções nestes casos passam pelo "salve-se quem puder". A perpetuação deste Estado selvagem nas favelas não traz perspectivas, ainda que alguns defendam esta idéia. O tráfico não substitui o Estado e nunca o fará. Miguel não é um fracassado! Miguel é um cara que aprendeu na porrada que seus ideais não se realizam facilmente. O resultado mais evidente é sua filha. Educada segundo os princípios de que todos somos iguais, sobe o morro com destemor surpreendente e acaba estuprada. A frase inicial e final do filme toca a todos: "todos nós temos duas vidas: a que sonhamos e a que vivemos".

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