Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
"Comparações
com o "Traffic", de Steven Soderbergh, são inevitáveis.
Ambos têm como o centro as drogas, mas os filmes tomam caminhos totalmente
diferentes. Esse "Profissão de Risco" procura ser mais humano
e mostra o quanto a droga pode destruir dentro de uma vida, já o "Traffic"
mostra mais o mal que ela faz a saúde, mas é melhor, pois também
mostra o que o "Profissão de Risco" mostrou só que com
menos "pegada". Esse filme, talvez por ser baseado em fatos reais,
conseguiu ser mais humano e sofrível.
O trabalho do Ted Demme com relação
ao tratamento do personagem central foi fenomenal. Lógico que contou
firmemente com o carisma do Johnny Depp. É incrível como ele consegue
de maneira leve fazer com que torçamos por um traficante, aliás
um dos maiores dentre todos, o homem que levou a cocaína para os EUA
e foi o braço direito do Pablo Escobar.
George (Depp, excelente) teve uma
infância traumática, via seus pais brigando na sua frente, sua
mãe até chegou a abandoná-lo. Já mais velho, George
entra no ramo das drogas através de um cabeleireiro amigo de sua "atual"
namorada. Só que o negócio vai crescendo e o fornecedor já
é outro e a coisa aumenta e aumenta a cada segundo. Mas uma tragédia
acaba abalando sua vida.
Nada contra a Penelope Cruz, mas
ela afundou um pouco o filme sim. Quando ela entra em cena o filme fica desinteressante,
totalmente o contrário do que ocorria quando a Franka Potente aparecia
e enchia a tela de carisma e simpatia, conquistando a empatia do público.
A Franka Potente vem fazendo filme bem legais e mantendo um bom nível
de atuação, já a Penelope Cruz só se mete em bomba
e quando cai em filmes interessantes acaba afundando-os. Estou até com
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medo de ver o novo filme do Nicolas Cage, que estará em breve nos cinemas
do Brasil, onde ele contracena com ela, espero que ela não tenha estragado
também "O Capitão Correlli".
No final das contas, "Profissão
de Risco" procura mostrar mais profundamente o quanto a droga não
vale a pena na vida. Só o sofrimento do personagem já faz com
que fiquemos com medo de qualquer aproximação com essas coisas,
principalmente na relação familiar. É de sensibilizar.
"Profissão de Risco"
chega a encher um pouco o saco, exatamente nos momentos onde a Penelope Cruz
esta em cena. Ela não consegue dar a complexidade necessária.
A história é contada de maneira um pouco arrastada em seu meio,
mas traz bons momentos de traições, o romance final é fraco
e os discurssos são até bem feitos. Ted Demme se recupera do mico
"Até que a fuga os separe" e faz um filme bem mais interessante,
mas um pouco longo demais. Quando a Potente está em cena o filme é
nota 10, quando o Depp está sozinho o filme é nota 7, quando a
Penelope entra o filme é nota 0."