Mário Gomes Jr. (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:
"BREVE AMOR EM ROMA
À primeira vista parece tratar-se de mais um romance americano do tipo
"água-com-açúcar", mas "A Princesa e o Plebeu"
(1953), vai muito além disso. Este filme dirigido pelo grande diretor
William Wyler (1902-1981), é constituído de um equilíbrio
harmonioso entre o romance, a comédia e o drama, que mesmo abordando
um tema aparentemente banal, enfoca de maneira sutil as diferenças entre
classes sociais.
O sentimento arrebatador entre os dois personagens principais,
é resultado de um jogo mútuo de interesses, através de
uma constante busca por suas realizações pessoais. A Princesa
Ann, vivida pela novata atriz Audrey
Hepburn (1929-1993) em sua grande estréia no cinema americano, procura
a sua liberdade acima de tudo, fugindo das regras e protocolos exigidos pelo
seu status social, já o jornalista americano Joe Bradley, vivido por
Gregory Peck (1916- ), batalha pela sua satisfação profissional,
ávido por um furo de reportagem para garantir seu emprego em crise. Ao
longo do filme eles percebem que, como membros de classes sociais divergentes,
torna-se impossível a consumação de uma relação
mais profunda e duradoura, sem a abdicação de fortes valores pessoais,
morais e culturais.
Audrey Hepburn foi a grande revelação de "A
Princesa e o Plebeu". Detentora de um grande carisma, além da sua
graça e elegância, essa atriz belga contagiou o grande público
nesse seu primeiro papel como estrela principal, arrebatando o Oscar de melhor
atriz do ano de 1953, seu primeiro passo para uma sólida carreira cinematográfica.
Gregory Peck confirma o seu american style, com um ar cínico de malandro,
que camufla um grande coração. Outro personagem marcante na história,
é o paparazzi oportunista Irving Radovich, vivido pelo ator Eddie Albert
(1908- ) em grande interpretação, que lhe valeu uma indicação
para o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1953.
Também premiado com o Oscar de melhor roteiro original,
"A Princesa e o Plebeu" nos mostra Roma como uma cidade jovem e descontraída,
sabiamente explorada em profunda sintonia com os seus belos e autênticos
cenários históricos, resultando em um belo romance com um final
realista, onde cada personagem acaba por reconhecer a sua condição
de vida, ficando na lembrança o breve momento que compartilharam juntos."