O Primeiro Dia

O Primeiro Dia 2010-05-22 Francisco

Título original: (O Primeiro Dia)

Lançamento: 1999 (Brasil)

Direção: Daniela Thomas, Walter Salles

Atores: Fernanda Torres, Luiz Carlos Vasconcelos, Matheus Natchergaele, Luciana Bezerra.

Duração: 76 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 3 5

(3 votos)

                   

Sinopse

O destino de João (Luiz Carlos Vasconcelos), encarcerado num presídio do Rio de Janeiro, nunca deveria se cruzar com o de Maria (Fernanda Torres), isolada em seu apartamento. Mas no dia 31 de dezembro de 1999 João foge da prisão. No mesmo momento, Maria vaga pelas ruas da cidade, desamparada e abandonada pelo marido. João perseguido nos becos e favelas de Copacabana. Começa a contagem regressiva da virada do ano. Estouram os primeiros fogos de artifício. Sem nenhuma perspectiva, Maria sobe para o telhado de seu prédio, o mesmo lugar onde João busca se esconder. E nesse espaço, entre o céu e a terra, na utopia de uma única noite, que a cidade partida se abraça e o milagre se produz. Até a chegada do primeiro dia.

 

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Elenco

  • Matheus Natchergaele (Francisco)
  • Luciana Bezerra (Rosa)
  • Nélson Sargento (Vovô)
  • Carlos Vereza (Pedro)
  • Aulio Ribeiro (José)
  • Antônio Gomes (Antônio)
  • Nelson Dantas (Farmacêutico)

Comentários

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Leonardo Reis em 03/01/2001Nota: 1     

Um filme decepcionante. Eu já sabia que era um média-metragem (pouco mais do que apenas uma hora e dez de duração), mas é frustrante perceber que todo o roteiro cabe na sinopse! Matheus Natchergaele tem uma boa interpretação, mas é um mero coadjuvante. A personagem de Fernanda Torres é patética, fraca, pois resolve se matar poucas horas depois de ser abandonada pelo marido... Seria mais compreensível se ela fosse melhor apresentada, se tivesse algum distúrbio psicológico (provavelmente ela tem, só assim pra justificar tamanha histeria precipitada). Mas do jeito que é mostrada no filme, sua motivação não convence. A decepção maior é saber que esse fraco filme foi um dos grandes vencedores do GP Brasil 2000. Lamentável...

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Mônica Mourãoa em 02/01/2001Nota: 2.5     

"Vi ontem um bicho/ Na imundície do pátio/ Catando comida entre os detritos (...) O bicho não era um cão,/ Não era um gato,/ Não era um rato./ O bicho, meu Deus, era/ um homem." Eis a cena que dá início ao filme O Primeiro Dia (Brasil França, 1999). Com uma imagem que é uma alusão direta ao poema de Manuel Bandeira, sentimos o mal-estar de ver um semelhante fuçar o lixo em busca de comida e ganhar um ossinho de Chico (Matheus Nachtergaele) para fazê-lo parar de rosnar. A expectativa criada é de que o longa metragem de Daniela Thomas e Walter Salles será um soco no estômago, uma amostra crua do lado podre dos homens. Mas, ao fim do filme, o espectador tem sua expectativa frustrada. A estória se passa no reveillon. Com a virada do ano de 1999 para 2000, ocasião repleta de crenças e misticismo, um velho presidiário (Nelson Sargento) acredita que não só o ano, mas tudo vai virar. "Tá chegando a nossa vez!" grita ele enquanto assiste ao espetáculo pirotécnico por entre as grades da cela. A morte do velho faz suas últimas palavras parecerem uma profecia e seu companheiro de cela, João, pretende realmente fazer "tudo virar". João (Luis Carlos Vasconcelos) sai da prisão para matar seu amigo Chico e, desse modo, ganhar a liberdade. O diálogo entre os dois é um dos mais cansativos do filme: Nachtergaele fez uma pesquisa sobre as gírias do morro e usou tudo que descobriu, mas tudo mesmo, no diálogo com João. O espectador percebe que é a fala é forçada e o incômodo só é quebrado com a heresia de Chico, a um só tempo divertida e chocante. Ele faz uma prece ao Senhor Javé que se encerra assim: "Venha a nós o vosso puteiro, seja feita a vossa sacanagem. Amém!". Enquanto isso, no núcleo classe média do longa, Maria (Fernanda Torres) se desespera depois de ser abandonada pelo marido, que sumiu após deixar um bilhete nada esclarecedor. A atriz aparece seminua em praticamente todas as cenas, nas quais veste (?) uma calcinha e uma camisa aberta. Ela chora, se desespera e quase enlouquece de depressão trajando calcinha e camisa aberta. Se o objetivo foi criar um clima de sensualidade para seduzir o público masculino, a experiência foi infrutífera. O corpinho de Fernanda Torres não ajuda em nada. E de todo seu brilhantismo como atriz ela não usou nesse filme nem 10% sequer. A única cena em que a nudez se justifica é a que Maria toma uma ducha encolhida num canto do banheiro. Sua posição lembra um feto, significando o completo desamparo de alguém que não tem mais a proteção do útero materno. O filme passa uma idéia de redenção e de encontro entre dois mundos. Mas, a cena final procura trazer o espectador de volta para a realidade e a morte do velho não parece mais significar profecia, e sim a morte da esperança de que tudo vai virar.

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