Renato Rosatti, Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"Os responsáveis pela distribuição
e lançamentos de filmes nos cinemas brasileiros aproveitaram uma rara
e sugestiva combinação de uma data que está diretamente
associada ao gênero horror, e na sexta-feira 13 de junho de 2003 entrou
em cartaz o filme “Premonição 2” (Final Destination
2), sequência de um original lançado em 2000 e dirigido por James
Wong. Curiosamente em 2002, no mês de setembro, houve também uma
sexta-feira 13 onde aproveitaram para lançar outro filme de horror, o
fraco “Alucinação” (Soul Survivors). Dessa vez com
direção de David R. Ellis e roteiro de J. Mackye Gruber e Eric
Bress, baseados em personagens criados por Jeffrey Riddick, “Premonição
2” conta basicamente a mesma história de seu antecessor, onde um
grupo de pessoas consegue “enganar” a morte graças à
premonição de uma garota sobre um grave acidente que dizimaria
a todos, e por ser apenas uma visão antecipada da tragédia, eles
conseguem evitar a participação na catástrofe e garantir
suas vidas. Porém, por pouco tempo, já que agora serão
perseguidos implacavelmente pela “Morte”, como se fosse uma criatura
invisível, para pagar suas dívidas e manter o “destino final”
que já havia sido traçado e não poderia ser ludibriado.
Exatamente um ano após o desastre apresentado no primeiro filme, quando
um avião explodiu ao decolar, a bela jovem morena Kimberly Corman (A.
J. Cook, a mesma protagonista, porém dessa vez loira, de “Ripper
– Mensageiro do Inferno”) está programando uma viagem para
passar um final de semana com amigos em Daytona, porém antes de entrar
numa rodovia movimentada, ela tem uma horrível visão de um acidente
envolvendo muitos veículos com um saldo sangrento de mortes violentas
(inclusive a dela própria e dos amigos) em meio ao fogo e metal retorcido
de carros e caminhões. Assustada, ao voltar a si ela decide impedir a
entrada na auto estrada de vários carros atrás dela. Para seu
espanto, o acidente realmente acontece a sua frente da forma como ela visualizou
momentos antes na mente. Porém, ela, o policial Thomas Burke (Michael
Landes), e várias outras pessoas que escaparam da morte serão
agora perseguidas até cumprirem seu “destino final”. O grupo
marcado para morrer é formado por E van Lewis (David Paetkau), que tinha
ganhado um prêmio na loteria, o jovem Tim Carpenter (James N. Kirk) e
sua mãe Nora (Lynda Boyd), a inconveniente Kat (Keegan Connor Tracy),
o viciado em drogas Rory (Jonathan Cherry) e pelo professor Eugene Dix (Terrence
Carson). Kimberly pede auxílio então à uma sobrevivente
errado
do desastre aéreo do filme anterior, Clear Rivers (Ali Larter), que tinha
se internado numa clínica psiquiátrica voluntariamente para exorcizar
seus traumas do passado e tentar fugir da morte que a perseguia desde que escapou
do avião antes da queda por causa de uma premonição sobrenatural.
Inicialmente relutante, Clear decide depois se juntar ao grupo para lutarem
por suas vidas, enfrentar seus medos e tentar enganar a Morte novamente, procurando
decifrar e utilizar a favor misteriosos sinais que surgem nos momentos que precedem
cada morte. O primeiro filme da franquia, filmado em 2000, já havia se
tornado um destaque dentre os filmes de horror com adolescentes e psicopatas
produzidos na fase posterior ao lançamento de “Pânico”
em 1996, dirigido por Wes Craven. Em “Premonição”,
apesar de todos os clichês característicos estarem presentes, com
adolescentes morrendo devido às ações de um perseguidor
assassino (que nesse caso é a própria e temível “Morte”),
o filme mostrava cenas de morte bem elaboradas e violentas. “Premonição
2” segue a mesma linha básica, porém sendo mais perturbador
conseguindo apresentar um roteiro que relaciona suas ações com
eventos ocorridos no primeiro filme e mostrar sequências de mortes bem
criativas e com uma dose de violência ainda maior que o filme original.
O engavetamento na rodovia foi filmado com um grau de realismo tão forte
que chega a causar um certo incômodo com a brutalidade da violência,
evidenciando o quanto os corpos dos seres humanos são frágeis
e se despedaçam facilmente num choque entre veículos. A cena certamente
é o maior destaque do filme e sua dose de violência trágica
está entre as melhores filmadas nos últimos tempos, graças
ao realismo e o auxílio de um excelente trabalho com os efeitos especiais.
Outro fator positivo foi a pequena quantidade de piadas idiotas, que os americanos
gostam tanto de inserir nos roteiros de seus filmes, mas ainda assim houveram
algumas tentativas de frases cômicas que soaram ridículas, proferidas
principalmente pela personagem Kat, aliás uma garota completamente dispensável
de tão chata. O ator negro Tony Todd participou de vários filmes
de horror como a refilmagem de “A Noite dos Mortos Vivos” (1990)
e o primeiro filme da franquia “O Corvo” (1994). Ele, que é
mais conhecido por sua imponente interpretação como o vilão
na série “O Mistério de Candyman”, iniciada em 1992
e baseada em história de Clive Barker, infelizmente teve pouca participação
no filme (como o misterioso Sr. William Bludworth), a exemplo também
do filme original, e certamente seu personagem sinistro poderia ser melhor explorado.
Como curiosidade vale ressaltar as corretas e oportunas homenagens para o cultuado
escritor Stephen King, na cena onde o garoto Tim está lendo um livro
do autor, e também para a veterana banda de Heavy Metal “AC/DC”,
cuja música clássica “Highway to Hell” (Estrada Para
o Inferno) tocava rapidamente e de forma sugestiva no rádio momentos
antes do acidente na estrada acontecer. E nesse caso, Kimberly equivocadamente
resolveu trocar de estação preferindo uma música sem agressividade
alguma, e parece que ela recebeu de castigo a indesejável tarefa de testemunhar
o violento acidente que aconteceu a sua frente... Novamente o nome nacional
do filme foi mal escolhido e o melhor e mais fácil seria apenas traduzir
o original “Final Destination” para algo como “Destino Final”.
Apesar do título “Premonição” ter relações
diretas com a história do filme, recentemente houveram outros filmes
lançados no Brasil num curto espaço de tempo que também
tiveram o mesmo termo em seus nomes nacionais, como “A Premonição”
(In Dreams, 1999) e “O Dom da Premonição” (The Gift,
2000), causando um excesso de “premonição” nos nomes
e até criando uma certa confusão entre os filmes, que são
independentes e tem em comum apenas o fato da idéia básica de
seus argumentos ser similar, explorando os poderes sobrenaturais de vidência,
visualizando na mente situações trágicas com antecedência.
Um fator negativo foi que os produtores de “Premonição 2”
demonstraram uma incrível falta de criatividade ao definirem o cartaz
principal de promoção do filme, aquele que é exibido nas
salas de cinema e divulgado na internet e revistas especializadas. O cartaz
traz estampado um grupo de adolescentes com suas faces preenchidas pela metade
com o símbolo da morte, ou seja, a tradicional caveira. É verdade
que a arte final do cartaz até está relacionada com a história
do filme, ou seja, adolescentes que enganaram provisoriamente a morte e que
estão agora sendo perseguidos por ela, mostrando que os jovens na verdade
estão meio mortos ainda em vida, pois entraram na “Lista da Morte”
e foram fatalmente condenados, aguardando apenas o momento final. Mas ficar
mostrando adolescentes no cartaz é apelativo e insignificante demais,
num apelo comercial duvidoso, fato que é repetido por quase todos os
filmes similares. E seria muito mais interessante criar uma ilustração
com forte apelo de horror, utilizando o talento de uma infinidade de artistas
dispostos a fazer um cartaz de impacto, o que também ajudaria a promover
ainda mais o filme. Sem contar que esse cartaz de “Premonição
2” é praticamente igual ao do primeiro filme, com leves alterações,
decretando definitivamente a falta de vontade dos executivos da indústria
de cinema em oferecer algo novo e realmente interessante aos fãs do horror.
Um destaque entre as violentas cenas de morte é aquela em que um dos
jovens amaldiçoados para morrer, é brutalmente cortado em pedaços
de forma cirúrgica por um arame farpado voador, com suas vísceras
perfeitamente expostas, confirmando a tendência dos filmes de horror em
explorar esse tipo de morte, como já vimos em cenas parecidas em “Cubo”,
“Treze Fantasmas”, “Resident Evil – O Hóspede
Maldito” e “Navio Fantasma”. E o desfecho final também
fica acima da média, que apesar de previsível, encerra a violência
do filme no melhor estilo. E que venha a “Premonição 3”...
Em tempo: um fato muito curioso que ocorreu com o primeiro filme da franquia,
lançado em nossos cinemas no segundo semestre de 2000, foi a incrível
coincidência entre uma tragédia aérea na França ocorrida
na mesma época, onde um avião concorde explodiu ao decolar (um
fato raro), e uma cena parecida do filme. Em “Premonição”,
um jovem consegue “enganar” a morte ao descer de um avião
no momento de sua decolagem para Paris, seguindo uma premonição
onde o avião explodiria num vazamento de combustível, fato que
realmente aconteceu na ficção do filme, e infelizmente, algo muito
parecido também na realidade!"