Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:

""Poltergeist - O Fenômeno" é aquele tipo de filme que deixa sua marca do espectador. Mesmo tendo explicações previsíveis sobre o paradeiro dos problemas, o terror e o suspense conseguem manter o espectador atento a todos os detalhes. Esse filme aterrorizou platéias na década de 80, virou um marco no cinema/terror e até hoje suas cenas são imortais. O roteiro escrito por Steven Spielberg, Michael Grais e Mark Victor é direto, mas preserva com cuidado o conteúdo do filme e vai soltando as explicações com delicadeza e uma certa lentidão. Direção creditada para Tobe Hooper, o trabalho é incrível. Algumas cenas não funcionam tão bem hoje em dia, mas boa parte do filme continua assustador da mesma maneira que foi nas décadas passadas.

É muito comum ver filmes de casas mal-assombradas. Talvez este seja o tema preferido dos mestres do terror. Alguns filmes se desgastaram por causa de cópias que acabaram ficando com excesso de clichês. Mas, curiosamente, "Poltergeist" mantém sua atualidade e suas brincadeiras com a sociedade ainda funcionam de maneira divertida. Outra coisa bem positiva aqui é a reação dos personagens ao verem coisas estranhas acontecerem na casa. Ao invés de entrar em histeria, os personagens brincam com o "dom" da casa. O desespero só começa quando a coisa começa a esquentar de verdade e vidas começam a ser ameaçadas.

A história gira em torno da família Freeling, uma família normal. O pai da família assiste futebol com os amigos, a filha adolescente fica até tarde no telefone, a mãe é a organização da família, tem a filha que tem medo do escuro e ainda o garotinho que sofre uma fobia de um palhaço. Carol Anne (Heather O'Rourke), a filha caçula, começa a conversar com alguma coisa na TV. Isso é levado com normalidade pela família (afinal, é só uma criança). Mas começam a acontecer fatos realmente muito bizarros e móveis começam a se mover sozinhos. Em uma noite aparentemente normal, um fato desastroso acontece: Robbie (Oliver Robins) é pego em seu quarto por uma árvore que parece ter criado vida. Quando a família volta para a casa, nota-se a falta de Carol Anne.

Então a família descobre que a garotinha foi sugada por alguma coisa e agora se comunica pela TV. Assustados, eles contratam uma equipe para tentar ajudá-los. É claro, tudo isto é contado da maneira mais assustadora possível, com muitos sustos e suspense, além de cenas aterrorizantes.

A produção do filme é caprichada e solta: a fotografia é criativa e cria uma impressão obscura sobre a atmosfera (cortesia de Frank Marshall e Steven Spielberg). A trilha sonora é de ninguém menos que Jerry Goldsmith, que nos poupa de qualquer apresentação, e os efeitos da Industrial Light & Magic passam longe de chegar na metade do que conseguem fazer hoje, mas levando-se em conta que é um filme do começo da década de 80 é de fácil digestão.

"Poltergeist - O Fenômeno" é um clássico do terror no cinema. A história já foi bastante imitada, mas mesmo assim o filme sobrevive com muita qualidade. Tecnicamente foi um filme revolucionário, tanto que ganhou três Oscars, e curiosamente os três são técnicos (Melhores Efeitos Sonoros, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Trilha Sonora). O filme é assustador e apavorante, daqueles que fazem as crianças não dormirem sossegadas. Esse filme explica um pouco o porque as crianças tem tanto medo de palhaços."