Renato Rosatti (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"O
PLANETA DOS MACACOS: UMA MENSAGEM PARA A HUMANIDADE
por Renato Rosatti
Certa vez, em 1990, o premiado fanzine
de arte fantástica MEGALON, editado por Marcello Simão Branco,
realizou uma interessante pesquisa entre seus leitores sobre quais seriam os
10 maiores filmes de Ficção Científica de todos os tempos.
Isso é uma tarefa muito difícil pois rapidamente é possível
relacionarmos pelo menos uns 30 filmes que poderiam constar dessa lista tranquilamente.
O que não deveria mudar é o primeiro, aquele que encabeça
a lista e que nos atrai mais do que a qualquer outro. E na minha lista dos dez,
sempre será O Planeta dos Macacos (The Planet of the Apes, 1968) e mais
nove.
Eu já perdi a conta de quantas
vezes assisti esse clássico insuperável e cada vez é uma
diversão que se renova. Eu aprecio toda a saga, desde os cinco filmes
para o cinema, a série de televisão, os desenhos animados, quadrinhos,
etc, mas especialmente o primeiro filme, aquele que deu origem a todo esse universo
ficcional ape, é o mais marcante.
Existe uma identificação
muito grande com os astronautas que viajaram para o espaço e retornaram
para casa dois mil anos depois, encontrando uma Terra devastada pela guerra,
e o pior, sem saberem inicialmente disso. E pior ainda, descobrindo mais tarde
que seu planeta agora é dominado por macacos falantes e supostamente
inteligentes.
Do grupo de quatro astronautas da
expedição, a mulher (Stewart), para sua sorte morre durante a
viagem, devido a falhas no sistema de preservação da vida e, após
a queda da nave num lago, os três homens sobreviventes partem em missão
exploratória, atravessando uma rigorosa região desértica
até encontrarem água e vegetação. Um deles (Dodge),
morre numa caçada feita pelos macacos, e um outro que também fora
capturado (Landon) sofre uma lobotomia em seu cérebro tornando-se um
ser vegetativo. Resta apenas o capitão George Taylor (o ótimo
Charlton Heston), um terráqueo sem família e meio anti-social,
a quem acompanhamos a trajetória num mundo hostil e desconhecido, sendo
ele o último representante de uma raça inteligente que outrora
dominou a Terra, já que os humanos remanescentes dessa época pós-apocalíptica
são irracionais e submissos aos macacos.
Taylor recebe um tiro na garganta
durante a caçada dos macacos, que o impossibilita de falar por algum
tempo, e isto aumenta ainda mais o seu drama de ser caçado, maltratado,
humilhado e aprisionado, tudo em silêncio, apesar de suas tentativas de
comunicação. Sua sorte começou a melhorar quando um casal
de cientistas chimpanzés, Dra. Zira (Kim Hunter) e Cornelius (Roddy McDowall),
o entendem e tentam ajudá-lo. Mas logo desaba quando surge o respeitado
orangotango Dr. Zaius (Maurice Evans), Ministro da Ciência e Defensor
Supremo da Fé (estranho, pois ciência e crença não
caminham exatamente juntas), que demonstra conhecer o segredo da antiga raça
humana e que a teme devido aos seus instintos assassinos e de auto-destruição.
Para não ser lobotizado e ter seu cérebro destruído pelo
Dr. Zaius, Taylor foge, ajudado por Zira, Cornelius e Lucius (sobrinho adolescente
e rebelde de Zira, interpretado por Lou Wagner). Todos vão para a temida
Zona Proibida, uma região pouco explorada pelos macacos e conhecida como
misteriosa e mortal pelas antigas escrituras símias.
Lá, após confronto
com seu oponente Dr. Zaius e seu exército de gorilas, Taylor parte pela
orla marítima em busca de sua sobrevivência, acompanhado por sua
companheira nesse novo mundo, Nova (Linda Harrison), uma humana inferior, cujo
sangue salvou sua vida, numa necessária transfusão devido ao seu
ferimento na garganta.
O espectador inevitavelmente se identifica
com o drama de Taylor, o astronauta perdido num planeta selvagem e dominado
por macacos, e o acompanha numa trajetória de sobrevivência e de
busca por conhecimento e a verdade.
E no final (um dos mais espetaculares
de toda a história do cinema), o público sente a mesma ira e indignação
quando Taylor encontra, perdido e solitário na beira da praia, o último
símbolo (as ruínas da famosa Estátua da Liberdade) de uma
raça outrora dominante no planeta, e que após atingir seu ápice
como civilização inteligente (?), declarou guerra e se auto-destruiu,
mostrando para o astronauta que na verdade ele está em casa e é
o último representante da antiga humanidade, cujo Dr. Zaius tanto temia
sabiamente por seus instintos assassinos.
Um clássico absoluto da Ficção
Científica e criador de toda uma saga posterior e uma legião fiel
de fãs no mundo inteiro, O Planeta dos Macacos deixou a sua marca na
história e uma mensagem muito importante para a humanidade, no sentido
de concentrar todo o esforço tecnológico e científico para
o progresso pacífico e desenvolvimento da civilização,
em vez de permitir que os interesses egoístas dos seres humanos prevalecessem
e os levasse ao caos e à extinção.
"Meu
Deus! Eu voltei. Estou em casa... o tempo todo. Nós finalmente conseguimos
fazer isto! Seus maníacos! Vocês explodiram tudo! Seus malditos!
Que Deus os condene todos ao inferno!" - Capitão George Taylor,
ao encontrar as ruínas da Estátua da Liberdade."