Francisco Russo, Editor do Adoro Cinema - Nota
6:
"Este é um caso claro de forma mais
importante do que o conteúdo. Isto porque ao se analisar a nova versão
de "Planeta dos Macacos" pode-se perceber claramente que o melhor
do filme não é a história em si - que há simplificações
demais, diga-se de passagem - mas sim o modo como o diretor Tim Burton construiu
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o estranho planeta onde há uma raça desenvolvida de macacos das
mais variadas espécies e que vivem de forma civilizada, subjulgando os
humanos. Esta construção, que envolve figurino, maquiagem, cenários,
direção de arte e efeitos especiais, é de longe o que há
de melhor no filme e que com certeza será agraciada no ano que vem com
várias indicações e estatuetas no Oscar (ao menos a de
maquiagem já é praticamente certa).
Outro ponto extremamente positivo no filme é a interpretação
de dois atores que no filme fazem os macacos: Tim Roth e Helena Bonham Carter,
que são desde já candidatos a indicações nos Oscars
de ator e atriz coadjuvantes no ano que vem. Enquanto que Tim Roth traz à
tona toda a raiva e sede de poder que possui o General Thade, Helena Bonham
Carter faz de sua Ari uma macaca sensível, que busca ajudar os humanos
e ao mesmo tempo não os compreende, conquistando a simpatia do público.
Já os demais atores do elenco se saem apenas bem, sem grandes destaques.
Mas o grande problema de "Planeta dos Macacos" é que, apesar
de deslumbrar o público graças ao planeta construído e
liderado pelos macacos, o filme não consegue empolgar em momento algum.
Mesmo na batalha final não há emoção e sim apenas
curiosidade em se saber como a história irá terminar. Sendo que
o filme simplifica por demais seu "primeiro final" e traz ainda uma
surpresa não-explicada para o seu "segundo final", que tem
a intenção apenas de chocar sem ser ao menos lógico (quem
for ver o filme entenderá o que quero dizer por 2 finais). Ou seja, no
final das contas "Planeta dos Macacos" é mais um filme para
se apreciar a forma do que seu conteúdo. Um bom filme, mas nada além
disso."