Nery Klein Neve (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 3:

"Atura!Atura! Atura!

Entre os gêneros cinematográficos, os chamados "filmes de guerra" sempre fascinam, seja pela história ou pelos efeitos sonoros e visuais. E, com o advento do DVD, muita coisa boa tem sido lançada nesse formato. Aproveitando as festas de Momo selecionei alguns títulos que, ao meu ver, valiam a pena serem revistos. Peliculas como: "Tora! Tora! Tora!"; "Patton - Rebelde ou Herói?"; "O Mais Longo dos Dias"; "A Um Passo da Eternidade"; "Midway"; "Além da Linha Vermelha"; "O Resgate do Soldado Ryan" e o recente (mas não tanto) "Pearl Harbor" fizeram parte dessa minha maratona carnavalesca. Foi uma "overdose" de boas histórias, boas atuações e efeitos especiais idem (ou pelo menos proporcionais à época de sua produção).

Quando uma produção dispõe-se a narrar, com um certo grau de veracidade, os fatos históricos ocorridos, o roteiro - não é dizer que fique em segundo plano - mas pelo menos deve despertar aos seus espectadores um certo grau de interesse. E mesmo que muitas vezes já saibamos qual será seu desfecho essas produções, na sua maioria, despertam nosso interesse, seja pelo motivo de conhecer a história ou simplesmente por diversão e ver como será interpretada e posta em ação na tela.

De todos os filmes que assisti desse lote, nenhum causou-me mais aversão do que "Pearl Harbor". Talvez muito já tenha sido escrito sobre a produção de Brukenheimer, mas creio que uma opinião a mais ou menos, mesmo que não exerça nenhuma reação, seja por parte de quem gostou ou quem detestou, como eu, sempre pode ser válida.

O fato de ter dado 3 (numa escala de zero a cinco), para "Pearl Harbor", é que mal e porcamente porque também não me pareceu grande coisa, só gostei dos efeitos visuais e sonoros. A interpretação de seus atores era tão artificial que um envelope de Ki-Suco (lembram?) me pareceu ser mais natural do que esta bomba. Do lote de filmes que loquei o mais fraquinho foi "Midway" , e que por sinal tem fortes semelhanças com "Pearl Harbor". Mas em "Midway", produção de 1976, encabeçada por um elenco que incluía entre outros Charlton Heston e Henry Fonda, pelo menos os atores interpretavam com dignidade seus respectivos personagens. Mas em "Pearl Harbor"... pelo amor de Deus, nem Ben Afleck, com todo seu carisma, segurou a peteca. Tudo porque a história, ou melhor, o argumento era muito pobre.

Os produtores tentaram (mas não conseguiram) juntar num só filme clichês que, se não podem ser considerados clássicos, pelo menos eram bastante comuns nas produções. Estas sim, queiram ou não, sejam elas boas ou ruins, já fazem parte da lista dos mais mais de todos os tempos.

"Pearl Harbor" lembra muito "A Um Passo da Eternidade", não só pela ação transcorrer no mesmo local que serviu de cenário para a produção de Fred Zinneman mas pelo fato de apresentar personagens e situações que nos remetem ao clássico de 54. Mas mesmo não tendo gostado de "Pearl Harbor", mesmo que o filme tenha lá suas "patriotadas" pelo menos uma coisa boa pode-se dizer: que filmes como esse talvez são capazes de despertar - a quem gosta - um certo interesse, se não pela "história" que apresenta mas pelo menos pela história que realmente aconteceu, levando-nos a buscar, em outras produções mais dignas e fiéis aos fatos, o interesse, a curiosidade e o grau de legitimidade que em produções como essa serviram apenas como um réles "pano de fundo" para contar uma outra sub-realidade."