Carlos Massari (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 0:
"É
incrível o talento que Mimi Leder tem para desperdiçar boas idéias.
Em cada um de seus filmes aparece uma nova maneira de fazer polêmica e
emoção com um assunto furado e piegas. Foi assim com "Impacto
Profundo", foi assim com "O Pacificador". Mas agora ela bateu
o recorde da ruindade e pieguice. "A Corrente do Bem" é provavelmente
o pior filme do ano passado, usando um tema até certo ponto interessante
para criar um dramalhão pretencioso, piegas e sem sentido. Lamentável.
A história
nos mostra um garoto de onze anos de idade que, incentivado pelo professor de
estudos sociais, resolve fazer uma corrente do bem. Isto é, uma pessoa
ajuda três em problemas muito importantes, cada uma dessas três
ajuda outras três, até formar uma grande corrente. A partir daí,
o garoto resolve ajudar pessoas como a mãe, o professor e até
leva um mendingo para dormir em sua casa (!). Mas as coisas não estão
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saindo muito bem e ele se dedica a ajudar sua mãe e seu professor a ficarem
juntos, algo que desejava muito.
Com uma premissa até certo
ponto interessante (tirando a absurda parte do mendingo, claro), o que o roteiro
precisava ter era um pouco de emoção, sem perder a razão.
Só que ele caiu na mão de dois irresponsáveis que transformaram
a emoção em pieguice, e a razão virou um bando de situações
absurdas apenas para dar "substância" à superficialidade
racional do roteiro. E também, claro, para causar polêmica com
um tema tão importante para o desenvolvimento da sociedade egoísta
e hipócrita (faça-me rir). O grande exemplo desse grave defeito
citado é o final. Por que aquela parte tão trágica? Só
para uma mensagem bela (ou melhor, piegas)? É claro que não. Só
para fazer polêmica e sensacionalismo em um assunto fútil e retardado.
Qualquer pessoa que já tinha
visto "Impacto Profundo" sabia o desastre que seria a direção
de Mimi Leder - Ou melhor - A Rainha da melosidade. Os detalhes mais fúteis
encontrados na fraca trama são mostrados como se tivessem suma importância
no entendimento. Na verdade o que tinham era a tão cobiçada substância
para fazer a cabeça da maioria influenciável. Isso é especialidade
de Mimi Leder. Na bomba citada a cima ela faz a mesma coisa.
O elenco está inacreditável.
Temos um Kevin Spacey (o inesquecível Lester Diamond da obra-prima "Beleza
Americana") apático e morno, se escondendo na parte psicológica
e depressiva de seu personagem para poder causar algum impacto. Não consegue.
Já o garoto Haley Joel Osment está perdido em cena e contaminado
pela pieguice conferida ao seu personegem no roteiro. Já Helen Hunt está
totalmente sem influência, ela entra e sai de cena sem que ninguém
perceba. Uma coisa inacreditável. Esses três grandes atores devem
ter sido contaminados pela abominável presença de Jon Bon Jovi
no elenco. Realmente é de assustar qualquer um.
Se for para falar de todos os defeitos
desse "A Corrente do Bem", vou ficar aqui até o ano que vem
escrevendo. Basta resumi-lo em poucas palavras: lixo tóxico piegas e
abominável. Ou simplesmente não jogue seu dinheiro no lixo."