Francisco Russo, Editor do Adoro Cinema - Nota 4:

"De início, o filme até que me surpreendeu. Não esperava um filme tão para baixo, com tantos assuntos pesados juntos (alcoolismo, drogas, violência na escola, problemas familiares, pobreza, etc). Além disto, há ainda o choque inicial com o modo como alguns atores aparecem em cena, em especial Helen Hunt. Ela que estamos sempre acostumados a ver linda e glamourosa em seus filmes, aqui aparece completamente diferente, interpretando uma alcóolatra vulgar e cheia de problemas.

Porém, passado o impacto e a surpresa inicial, o filme se torna monótono. São duas as histórias principais, uma focada no garoto Haley Joel Osment (razoável apenas, com alguns bons momentos e outros constrangedores), e outra focada no jornalista interpretado por Jay Mohr. Aos poucos as duas interagem e acabam se tornando errado uma só.

Durante o filme, descobri o motivo que fez com que tantos assuntos pesados co-habitassem a história: a intenção era justamente fazer com que o personagem de Haley Joel Osment fosse a luz em meio à escuridão ou ao menos que fosse a esperança de que um dia tudo aquilo mudaria. Porém, o modo como a história é conduzida não ajuda muito, resultando numa solução simplista para interagir as duas histórias. Mas o pior ainda viria depois, com um final totalmente dispensável e daqueles feitos com o único propósito de fazer a platéia (ou ao menos os mais sensíveis) chorarem à vontade. Sem falar que a última cena do filme é constrangedora.

No geral, "A corrente do bem" é um filme apenas razoável. Traz uma idéia até interessante, mas que poderia ter sido muito melhor trabalhada não só pela direção de Mimi Leder como também pelo próprio roteirista do filme."