O Pântano

O Pântano 2010-05-22 Francisco

Título original: (La Ciénaga)

Lançamento: 2001 (Argentina)

Direção: Lucrecia Martel

Atores: Mercedes Morán, Graciela Borges, Martín Adjemián, Leonora Balcarce.

Duração: 103 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

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(12 votos)

                   

Sinopse

A cidade de La Cienaga é conhecida pelas extensões de terra que se alagam com as chuvas repentinas e fortes, formando pântanos que são armadilhas mortais para os animais da região. Perto da cidade fica o povoado de Rey Muerto, em que está localizado o sítio La Mandrágora, onde são cultivados pimentões vermelhos. Para ele vão duas famílias, lideradas por Mecha (Graciela Borges) e Tali (Mercedes Morán). Mecha é uma mulher em torno de 50 anos, que tem 4 filhos e um marido que procura ignorar bebendo cada vez mais. Já Tali é prima de Mecha e também tem 4 filhos, sendo que ama seu marido e sua família. Em meio a um verão infernal, as duas famílias entram em conflito quando a tensão entre elas aumenta.

 

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Elenco

  • Mercedes Morán (Tali)
  • Graciela Borges (Mecha)
  • Martín Adjemián (Gregorio)
  • Leonora Balcarce (Veronica)
  • Silvia Baylé (Mercedes)
  • Sofia Bertolotto (Momi)
  • Juan Cruz Bordeu (José)
  • Noelia Bravo Herrera (Agustina)
  • Maria Micol Ellero (Mariana)

Comentários

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Atena Negra em 20/04/2011Nota: 10     

Há determinados filmes que , na minha opinião, só se ver uma vez. Ou porque o filme é ruim ou ao contrário, porque é tão bom e tão forte em sua linguagem que chega a incomodar. O Pãntano se enquadra nessa segunda categoria. Não é um filme de fácil compreensão, chega a te pertubar por "aparentemente" nada acontecer e o final é tão angustiante e triste que você fica apático em frente à tela, pensando no que acabou de ver. Méritos para Lucrécia Martel e o cinema argentino, que melhora a acda ano. Só não concordo com algumas pessoas que insistem em comparar o cinema argentino com o brasileiro, como se para gostar de um tem que se detestar o outro. Nada a ver.

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ISGonçalves em 30/09/2010Nota: 3     

Bom filme concordo, o que a Lucrécia Martel fez neste filme o Cinema Novo já fez a 40 anos atrás. Os atores não interpretam eles vivem o personagem. A monotonia é o tema central do filme, seguido por uma melancolia retumbante. Para os padros do cinema argentino, o filme é muito bom chega a ser um marco! Mais discordo totalmente do ''EDUARDO'' o filme não da um banho nos cineastas brasileiros. A cultura brasileira e totalmente diferente da argentina, isso se reflete no cinema também. Eu não vou criar uma discussão para provar qual cinematografia é a melhor, mais pretendo dizer que o nosso cinema não é inferior, pelo contrário temos qualidades impressionantes. 

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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR em 04/01/2001Nota: 4.5     

A crise econômica e social argentina nunca foi tão bem retratada no cinema como neste filme. A jovem diretora "hermana" pega duas famílias que vivem numa espécie de fazenda no norte da Argentina. Nos tempos áureos o cultivo da pimenta gerava muito lucro. A realidade agora é outra. Já nas primeiras cenas do filme vê-se várias pessoas à beira da piscina (imunda, por sinal) da casa, tomando banho de sol e embriagando-se com vinho barato. A matriarca de uma das famílias, Mecha (Graciela Borges), cai e se corta com os estilhaços do copo que ostentava em suas mãos. Nenhum dos adultos toma provicência alguma para ajudá-la. Nem mesmo seu marido, Gregorio (Martín Adjermían), se dignou a parar de consumir a sua bebida alcoólica para ajudar a esposa. Foi necessária a intervenção da filha, Momi (Sofia Bertolotto), uma adolescente, para ajudar a mãe e levá-la para o hospital da região onde ela pudesse ser socorrida. Essa cena é emblemática porque evidencia em primeiro lugar o descaso com a vida alheia, parece que todos estão preocupados apenas e tão somente com o seus próprios umbigos, ou seja, uma "anestesia" afetiva toma conta de todas pessoas que habitam aquela fazenda; em segundo lugar, é a representação alegórica de um país que outrora viveu tempos de fartura, e agora vive com a vaga lembranças daqueles tempos, cujo símbolo principal é a piscina, que não é limpa há muito tempo. O calor e as chuvas torrenciais dão a tônica climática da região da fazenda, que serve metaforicamente para mostrar a sociedade argentina se atolar no lodo através de uma vaca que fica presa e morre no pântano. Crianças e adultos têm uma higiene precária, ficam deitados a maior parte do tempo. Lembram aquele ditado que "querem que o mundo terminem em barranco para morrer encostados". Lucrécia Martel, de 35 anos, soube como ninguém capturar o clima de decadência financeira, e, principalmente, ética de seu país. Se há alguma coisa boa em tempos de crise é que favorece a determinadas criações artísticas. A diretora nem tenta colocar "cereja" no bolo de ninguém: o retrato argentino é de uma degeneração moral devastadora. É um filme que incomoda, que vai fundo na chaga argentina, e que está muito longe dos padrões hollywoodianos de cinema. Ainda bem.

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Patríciaa em 07/01/2001

Sinceramente, eu não consigo entender como um filme dessa qualidade (péssima) conseguiu ganhar prêmios. O filme é simplesmente horrendo, muito ruim mesmo!

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Saul Clandino Jr. em 06/01/2001Nota: 4     

Um retrato da Argentina dos últimos tempos, retratada no conflito familiar, na decadência da sua economia e na arrogância da aristocracia. O cenário é inospito, torrido. A narrativa, propositadamente lenta, tem um toque de erotismo implicito. Uma obra muito interessante, como tem sido os filmes argentinos dos últimos anos.

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Victor Rocha em 05/01/2001Nota: 4.5     

Um filme desconcertante, uma pequena obra-prima pouco conhecida. Chega a ser claustrofóbica a imobilidade dos personagens tomando sol à beira de uma piscina cheia de lodo e sujeira. A direção é contida e o filme transpira realidade. Altamente recomendpavel para um público que goste de filmes lentos, mas geniais.

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César Leite em 08/01/2001Nota: 2     

Filme absurdo, chato e irreal demais. Nenhuma família é tão decadente assim. Os personagens só ficam deitados e a história é arrastada. Desperdício de talentos.

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Felipe Medeiros Néri em 03/01/2001Nota: 5     

O filme revela, de maneira sutil e ao mesmo tempo incômoda, o profundo vazio que mergulha a sociedade.Com personagens crus, denuncia a inércia de seres metaforicamente atolados em um pântano, à espera de outro alguém capaz de salvá-los. Essa situação é bem demonstrada no momento em que se mostram as esperanças depositadas na imagem da Virgem.Uma obra intrigante, que atua como uma mosca na nossa sopa.

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Geovanaa em 09/01/2001Nota: 4.5     

Vale assitir. O sentido do filme está para além do que se vê. Um filme sobre desejos materiais e espirituais, sobre infância, solidão, sobre família, estilos de vida, classe social. Como, a partir de um universo pantanoso, fechado, decadente, desesperançado, de relações de dependência e fuga, surge vários tipos de amor.

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Ronnie em 10/01/2001Nota: 2.5     

Eis um filme bem ao gosto dos modernos comentadores de cinema, esses que adoram se reunir em torno de um copo de cerveja para discutir a questão. Não é à toa que o filme, assim como um Encontros e desencontros da vida, causou certo frisson entre esses rapazes e moças recém saídos de alguma faculdade de jornalismo ou de filosofia e que se dizem críticos de cinema. Pois do que na verdade trata esse O pântano? Certamente apenas a dona Lucrecia Martel para nos responder em última e definitiva instância. Mas alguma coisa podemos afirmar que vimos - mensagens subliminares à parte. Então. Temos duas famílias interagindo numa casa de campo, duas famílias numerosas, com muitas crianças e adolescentes. Que por sinal fazem uma barulheira dos diabos quando convocados à cena! É gente cruzando pra cá e pra lá, é aquele falatório. Há discórdia familiar, há hipocrisia, há tédio. O problema é que a trama não se detém em nada a ponto de fazê-lo se desenvolver e se sobressair de alguma forma. Isso por exemplo atravanca toda possibilidade de aflorar qualquer tipo de emoção do filme por meio dos personagens. E isso não é coisa que se perdoe numa obra narrativa! O que, portanto, fica de O pântano? Certamente um certo virtuosismo estéril por parte da direção. Refiro-me a um determinado vigor nos enquadramentos e nos movimentos de câmera da moça. Sugere-se até o surgimento de um novo naturalismo cinematográfico. Concordo: isso não é pouco! Percebe-se que de alguma forma estamos diante de algo novo ainda que seja um novo sem pé nem cabeça! Quem sabe com o tempo a já superestimada(!) diretora consiga calibrar melhor seu discurso.

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