Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
"Antes
de fazer a bomba "Impacto Profundo" e o deplorável "A
Corrente do bem", Mimi Leder fez este confuso "O Pacificador",
que foi a estréia da hoje bem sucedida DreamWorks. Levando em conta os
dois últimos trabalhos já citados desta diretora, "O Pacificador"
até que não se sai tão mal. É claro, o filme passa
longe de ter grandes qualidades e só consegue decolar na correria da
meia hora final... O início do filme é confuso e desgastante,
não se sabe ao certo o que está acontecendo, não por culpa
do ótimo roteiro mas sim pela fragilidade da direção de
Leder. Se caísse nas mãos de um diretor mais competente, o resultado
de "O Pacificador" poderia ser muito melhor, pois o elenco é
formidável e o roteiro coerente.
A cientista nuclear Julia Kelly (Nicole
Kidman) e o tenente Thomas Devoe (George Clooney) se unem para descobrir o que
cerca um misterioso acidente de trem. Na Rússia, dois trens se chocarem
fatalmente e um deles continha produtos nucleares. Investigando, a dupla descobre
que aquilo não foi um simples acidente. As ogivas nucleares foram roubadas
por terroristas e agora, juntando nomes e códigos, Julia e Thomas irão
passar os maiores perigos.
O roteiro escrito por Michael Schiffer
é de ótima qualidade. Não se resume em apenas contar uma
história sobre terroristas fazendo os americanos de heróis. Abre
discussões políticas interessantes e até critica a prepotência
americana. Tem o patriotismo exagerado, mas não é hipócrita
como tantos outros filmes que existem por aí. O roteiro solta com leveza
as situações, mas Leder não quer saber e vai atropelando
tudo. Faz cenas de ação sem grandes emoções, faz
cenas de emoção sem sinceridade, o filme acaba ficando frio e
seco, não passando de mais um filme interessante e apenas rotineiro.
No elenco temos uma dupla bem afinada
formada por Nicole Kidman e George Clooney. Ela esbanja carisma e competência,
sua personagem é comum mas ela não é. Já Clooney
faz o papel perfeito para um tenente canastrão e sarcástico.
"O Pacificador" tinha tudo
para ser um grande filme de ação, principalmente por contar com
um roteiro inteligente e um elenco afinado. Foi lamentável a escolha
de Leder para comandar a produção. Destaque também para
a ótima trilha sonora de Hans Zimmer, um dos mais competentes compositores
de Hollywood. Faltou no filme mais emoção, aventura, ousadia e
dinâmica no começo. Durante 1 hora e meia, o filme é patético
e confuso."