Sabrina Ribeiro Baltor (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"O
filme "Os Outros", do diretor chileno radicado na Espanha Alejandro
Amenábar, é classificado naturalmente como um misto de terror/suspense.
No entanto, ele não se limita a aterrorizar e a assustar, o que, aliás,
faz também muito bem. O filme igualmente é um drama deveras denso
que exige muito dos atores, principalmente de Nicole Kidman, que interpreta
uma mãe extremosa, Grace, constantemente preocupada com a sobrevivência
dos filhos que possuem uma doença rara e não podem ter nenhum
tipo de contato com a luz, a não ser a luz de vela.
O roteiro, que é o melhor
que eu já vi em termos de suspense, foi escrito pelo próprio diretor,
que também compôs as músicas do filme. A mansão onde
vivem a mãe, Grace, as duas crianças doentes, Anne e Nicholas,
e os três novos empregados, a governanta Bertha Mills, o jardineiro Sr.
Turtle e a empregada Lídia, que há anos atrás se torna
muda sem motivo aparente, é angustiante e assustadoramente escura, uma
vez que a maioria das cortinas se encontram cerradas durante todo o dia devido
à doença das crianças. Além disso, é situada
na ilha inglesa de Jersey, lugar envolvido por um ininterrupto nevoeiro. Cenário
este muito propício para um inteligente jogo de luz e sombras executado
magistralmente pelo jovem diretor chileno de 27 anos. Vale ressaltar que "Os
Outros" é o primeiro filme de Amenábar nos EUA e apenas o
terceiro de sua carreira.
As crianças, além de
sofrerem por não poderem brincar ao ar livre e por viverem constantemente
nas trevas, ainda padecem com a religiosidade quase fanática da mãe
que as obriga a decorar lições inteiras do catecismo e, até
mesmo, a ler a Bíblia como castigo. Para completar o quadro, o marido
de Grace e pai das crianças se encontra desaparecido há meses,
desde o término da segunda Guerra Mundial. Grace já não
acredita que ele esteja vivo e sofre por ter que assumir sozinha uma casa eternamente
triste e escura.
Nesse ambiente já macabro
pela presença constante de um forte nevoeiro, pela ausência de
luz e pela rigidez religiosa de Grace, Anne começa a ver pessoas que
andam livremente pela casa, que ela chama de intrusos, ou seja, os outros que
dá título ao filme. Mas sua mãe a critica duramente, pois,
segundo a religião católica, os fantasmas ou espíritos
não existem, até que a própria Grace passa a, aos poucos,
ouvi-los, senti-los e, até mesmo, vê-los...
Alejandro Amenábar consegue
cativar o espectador com uma trama envolvente que mantém o suspense até
os últimos minutos do filme e que consegue ser surpreendente sem ser
batida ou absurda. Encanta com personagens inteligentes, como Anne, ou doces,
como Nicholas, e leva ao limite do desespero o espectador que por um só
momento se coloca no lugar de Grace, atormentada com a doença dos filhos,
com a casa às escuras, com os supostos fantasmas que a filha vê
e com a ausência do marido.
A música e os sons do filme
têm o time correto e mantêm o clima instaurado pelo roteiro. A fotografia
de Javier Aguirresarobe é impressionante, magnífica, belíssima
e ainda sinto que estou sendo desonesta só com esses elogios. Mesmo sendo
uma eterna fã de Hitchcock e ele sendo um dos meus diretores favoritos,
nenhum filme deste diretor inglês me envolveu e me encantou tanto quanto
"Os Outros", nem foi tão assustador ou tão angustiante.
Enfim, o melhor filme de suspense que já vi e me arrisco a dizer que
é o melhor filme de suspense da história do cinema."