Título original: (A Ostra e o Vento)
Lançamento: 1998 (Brasil)
Direção: Walter Lima Jr.
Atores: Lima Duarte, Leandra Leal, Fernando Torres, Castrinho.
Duração: 118 min
Gênero: Drama
Status: Arquivado
A jovem Marcela (Leandra Leal) vive com seu pai, o faroleiro Jose (Lima Duarte), e o velho Daniel (Fernando Torres) numa ilha. O único contato da menina com o mundo exterior se dá através de uma embarcação com 4 marinheiros que regularmente vai levar-lhes provisões. Através das palavras de Daniel, que a ensina a ler e sua fonte de ternura e conhecimento, e da severidade do pai, que quer protegê-la do resto do mundo, Marcela segue sua vida até que, ao tornar-se adolescente, passa a sentir sua sexualidade e seus anseios de viver de forma intensa.
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Silvestre! em 07/01/2012
Muito bom este filme que colocou Leandra Leal como uma destacada atriz do cinema, que o dia os fãs de "Nome próprio".
Rico enredo, fotografia perfeita e uma sequência de cenas atemporais que fixa o telespectador. Parabéns a todos pelo brilhante trabalho. Pena que essa obra prima não chegue à TV da grande parcela da nossa população.
Valdeci C de Souza em 23/11/2010Nota: 5
Apenas uma correção ao comentário sobre A Ostra e o Vento que publiquei a pouco: O nome da atriz que interpreta Marcela é LEANDRA LEAL e não Sandra Leal como escrevi. Peço desculpas.
Valdeci C de Souza em 23/11/2010Nota: 5
A Ostra e o Vento, com direção e roteiro de Walter Lima Jr. de imediato o filme captou minha atenção pelas belas imagens naturais de uma ilha e seu farol no topo da montanha. Resolvi então acompanhar a história já que a solidão de qualquer farol (e a vida da pessoa que nele vive) me fascina. José (Lima Duarte) é o responsável pela manutenção do farol e pai de Marcela (Sandra Leal) únicos habitantes do local. Suas vidas resumem-se em rotinas simples de manter em funcionamento o tal farol no topo da montanha. Marcela (apesar de seus poucos anos) cuida da alimentação, limpeza e outros pequenos afazeres domésticos enquanto seu pai fica responsável em fazer com que o farol ilumine a perigosa costa e assim evitar acidentes das embarcações que navegam nas imediações da ilha. Uma vida pacata e muito tranquila. É o que se supõe ao imaginarmos uma vida num lugar assim. Mas a solidão cobra um preço muito alto e José, com seu amor possessivo e autoritário, torna a vida da menina Marcela uma prisão ao não permitir que ela tenha contato com o continente ou com outros homens. No início do filme quatro marinheiros chegam à ilha para abastecê-la de suprimentos e a encontram deserta. O farol está quebrado e sujo de sangue. Ao percorrerem o local Daniel (Fernando Torres) encontra o diário da menina abandonado na praia. De imediato somos apresentados ao primeiro enigma do enredo: O que teria acontecido com José e Marcela? Com o desenrolar da trama outros enigmas vão surgindo e o espectador é convidado a raciocinar para descobrir a identidade e o paradeiro da mãe de Marcela. Onde ela está? Quem é Roberto e Saul? O interessante é que o filme não é linear e a narrativa utiliza-se de flashbacks para fazer com que o espectador fique sempre atento à história e assim poder solucionar os enigmas que estão espalhados pela ilha. Passado, presente e futuro se misturam a todo o momento e o mais interessante é a criatividade do roteiro em fazer os personagens contracenarem entre um tempo e outro na mesma cena. Marcela criança ainda contracena com ela própria aos 13... 14 anos e José, em certos momentos, está “dialogando” com ele próprio no passado/presente/futuro. Este truque inteligente é utilizado também com os quatro marinheiros que chegam à ilha para abastecê-la com suprimentos e a encontram deserta no início do filme. Para desvendar este mistério, o espectador é convidado a acompanhar o desenrolar desta investigação e descobrir a razão dos acontecimentos passados na ilha. Sandra Leal, em seu primeiro trabalho como atriz, dá um show de interpretação ao mostrar-nos uma jovem na flor da idade e descobrindo a sua sexualidade numa solidão sufocante e angustiante. Por não ter com quem compartilhar suas descobertas e amigos da sua idade a quem conversar encontra no vento uma companhia inusitada, mas constante. Daniel é a única pessoa que parece entendê-la e, nas poucas vezes em que se encontra na ilha, passa a ensiná-la e a fazer a ponte de ligação com o continente. Igualmente Pepe (Castrinho) outro marinheiro também é seu amigo e sempre lhe traz presentes. Mas estas amizades com os “adultos” não são suficientes para aplacar suas dúvidas e muito menos para satisfazer seus desejos de menina/moça que está sentindo aflorar a sexualidade. O filme prende a atenção do espectador na medida em que o coloca como um investigador dos acontecimentos e a atenção devem ser constantes já que tudo ocorre na forma dos flashbacks onde passado, presente e futuro se misturam. Interpretações soberbas de Lima Duarte, Fernando Torres e Sandra Leal fazem de A Ostra e o Vento um grande filme. Além é claro da cenografia eficiente e verdadeira (quase minimalista), da fotografia magnífica e a trilha sonora na medida certa a emoldurar o silêncio e a solidão da ilha. O tempo aqui é outro e este vagar sem diálogos em cenas por vezes poéticas é emocionante. Meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com
Alvanísio Damasceno em 04/01/2001Nota: 5
O filme é maravilhoso em todos os aspectos: roteiro adaptado, fotografia, direção. Quem leu o ousado e belo livro A ostra e o vento, de Moacir C. Lopes, sabe as dificuldades que Lima, Jr. e Tambellini enfrentaram para adaptá-lo. Por menos evidentes que pareçam, são várias histórias numa só e no filme sobrevivem as principais: a história da solidão e do poder e a do conflito entre a cultura careta e a natureza impudica. O resultado é sensacional. Não deixem de ver o filme nem de ler o livro!
Marciano Lopes e Silva em 05/01/2001Nota: 5
Numa das mais famosas novelas policias de Agatha Christie, O caso dos dez negrinhos, quando os investigadores chegam na Ilha do Negro há dez cadáveres e um mistério: quem é o assassino se não havia mais ninguém na ilha e também não havia possibilidade de alguma pessoa dela ter fugido devido ao mal tempo? Em busca de uma resolução do mistério, os investigadores reconstituem os fatos ocorridos na ilha através de alguns diários encontrados o que permite, ao narrador, a elaboração da narrativa literária. Mas todos esses diários encerram no momento em que os autores encontram a morte, o que não permite a resolução do mistério... E assim terminaria a obra se a autora se contentasse exclusivamente com o prazer da criação, mas existe um público, do qual depende, que provavelmente não gostaria nem um pouco de um final aberto, sem a resolução dos crimes. Afinal, como ficaria a moral e a justiça, o exemplo de que o bem sempre prevalece? E a invencível curiosidade de saber a explicação de tão inusitada trama? Por outro lado, o criminoso-artista também não se satisfaz apenas com o prazer demiúrgico da criação. Como teria o reconhecimento público e a glória por elaborar uma obra-prima do crime se ficasse no anonimato? Para resolver tais problemas, o mistério é esclarecido, ao final, por um manuscrito encontrado em uma garrafa a boiar nas águas do mar. Nele, o criminoso explica o seu engenho. Salva-se dessa forma o gênio e o ego do maquiavélico personagem e por que não? da maquiavélica e genial Agatha Christie. No filme A ostra e o vento, de Walter Lima Jr. (baseado no romance homônino de Moacir Lopes), a trama da narrativa é semelhante. Quando Daniel (Fernando Torres) e seus companheiros chegam na ilha, após um ano e meio de ausência, para levar mantimentos para o faroleiro José (Lima Duarte), sua filha Marcela (Leandra Leal) e o empregado Roberto (Floriano Peixoto), encontram dois cadáveres e uma ausência... Alguns fatos que compõem a trama são recuperados pela memória de Daniel e, em alguns momentos, pela memória da personagem representada por Castrinho. A boneca, o cata-vento, o astrolábio e as ostras são objetos, assim como os diários, que evocam lembranças de fatos ocorridos e vivenciados por ambos. Mas a ação correspondente ao tempo compreendido nos misteriosos dezoito meses que Daniel e seus companheiros estiveram fora, no continente, é recuperada apenas pelo diário pessoal que José mantinha no livro de administração do Farol e pelo diário de Marcela, encontrado sobre a grama e entregue às mãos e ao olhar do vento e depois às mãos e ao olhar de Daniel... No entanto, os diários finalizam sem esclarecer todas as dúvidas sobre a situação encontrada e, diversamente do que ocorre na narrativa de Agatha Christie, não há no mar nenhuma garrafa com um manuscrito que possa tranqüilizar o espectador, que possa lhe salvar a paz e o amor pela justiça e pelas verdades claras e inquestionáveis. Aí reside a grande diferença entre ambas as narrativas, além, é claro, do fato de cada uma ser feita com linguagens diferentes, pois a obra da rainha do mistério é literatura e como tal tem a linguagem verbal como matéria prima; enquanto A ostra e o vento que estamos tratando é cinema e possui, portanto, na imagem e no ritmo do seu movimento a matéria-prima principal. Outra importante diferença entre ambas as obras diz respeito à trama e ao ponto de vista narrativo. Enquanto o livro de Agatha Christie possui um narrador onisciente, que centraliza a organização da narrativa dando-lhe uma coerência ao dispor os fatos de maneira linear, no filme (assim como no livro de Moacir Lopes) os fatos surgem fragmentariamente, desordenados, como cacos, estilhaços de uma realidade que se espatifou sobre os rochedos e que é narrada a partir do cruzamento de diferentes pontos de vista, diferentes olhares e vozes que se sobrepõem e retiram, em vários momentos, a primazia do olhar onisciente da câmera (poucos são os momentos em que a montagem faz com que a câmera deixe claro ao espectador qual é a voz e o olhar responsáveis pela organização e seqüência das cenas). No balanço dos olhares, os pontos de vistas dominantes são compartilhados pelo olhar onisciente da câmara narradora e pelas lembranças do velho Daniel, que faz a leitura dos diários e a partir deles tenta reconstituir o ocorrido. Mas não esqueçamos que cada diário mesmo que "recriado" por ele é antes de tudo expressão de um outro olhar, uma outra voz, um outro ser e, portanto, um outro ponto de vista. Dessa sobreposição decorre a incerteza quanto ao ponto de vista e à verdade dos fatos, mesmo porque todo texto é carregado de vazios, de lacunas cuja significação deve ser preenchida pelo leitor/espectador, o qual torna-se co-autor da obra ao usar a sua imaginação para lhe dar vida. Por tais motivos, a leitura que Daniel faz dos diários não é objetiva, não revela a "verdade", não descreve os fatos tal qual ocorreram. À subjetividade de José e de Marcela soma-se a do espectador, decorrente da maneira como interpreta os textos e preenche os seus "brancos". Na medida em que o filme avança em direção ao final, a maioria das imagens que a câmera registra só encontra justificativa na imaginação de Daniel, nas inferências que realiza a partir da maneira como interpreta os textos, preenche os vazios, articula os fragmentos e confronta os pontos de vistas. Desta teia de dúvidas e olhares resulta a impossibilidade de respondermos a todos os enigmas: Quem matou quem? Que fim levou a pessoa desaparecida? Quem era Saulo? Era realmente o vento, ou esta idéia é fruto de inferências que Daniel fez a partir da leitura do diário de Marcela? E o vidro do farol, será mesmo que foi quebrado por uma gaivota? E se não foi, foi por quem, quando e por quê? Todas essas questões geram a necessidade de exercitarmos a imaginação e acrescentarmos mais um olhar e um ponto de vista na complexa e emaranhada trama narrativa de A ostra e o vento. E ao espectador exigente, que não se satisfaz somente com o nível anedótico da narrativa, a dimensão metalingüística do filme propõe inevitavelmente uma reflexão sobre alguns temas pertinentes à linguagem. Entre eles surgem, aliados à problemática da representação e do realismo, os temas da necessidade da arte e da literatura como meios de construção da identidade e de evasão, ou transcendência, através do sonho e da fantasia compensadoras da solidão. Sem dúvida, A ostra e o vento é um filme que dialoga com a narrativa de mistério oriunda do romantismo literário (romantismo que também é recuperado em diversos temas e motivos), mas transcende o gênero criado por Edgar Allan Poe e consagrado por Agatha Christie e Conan Doyle na medida em que também dialoga com outros gêneros e estilos de narrativa (tais como a erótica, a confessional, a dramática e a psicológica). E ao contemplar a profundidade psicológica de Marcela, brilhantemente interpretada (assim como os demais personagens), a obra de Walter Lima Jr. incorpora as dimensões simbólica e metalingüística, construindo um filme pleno de poesia e consciência crítica. * Professor de Teoria da Literatura e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Estadual de Londrina (UEL) de 1995 a 1997 e na Universidade Estadual de Maringá (UEM) desde 1997. Atualmente cursa o doutorado em Letras, áreas de Teoria Literária e Literatura Comparada, na Unesp (câmpus de Assis) sob a orientação da Dra. Maria Lídia L. Maretti. Sua pesquisa trata da presença do romantismo na obra de Raul Pompéia. Também é poeta, já tendo publicado um livro individual (Torpor. São Pauloa Arte & Ciência, 1998) e participado de três antologias (Concurso DCE 15 anos de contos e poesias. Rio Grandea da FURG, 1987; e duas edições do livro Poetas da UEM, Maringá, ADUEM, 1998, 2001).
Amarildo Gamba em 03/01/2001Nota: 4.5
O cinema nacional mostra a cada dia uma melhora considerável. O filme "A ostra e o vento" é uma prova disso. O elenco foi muito bem escolhido e a história se desenvolve de uma maneira serena e envolvente! Parabéns a todos envolvidos neste projeto.
Marcos Vinícius Teixeira em 02/01/2001Nota: 4
O filme é bom. Desagradou-me o fato de os principais atores terem declarado a não leitura do romance de Moacir C. Lopes. O livro, por sua vez, está dentre os melhores que já li. Com relação ao filme "A Ostra e o Vento", indico o raro filme "O menino e o vento", de Carlos Hugo Christensen, por se tratar de vivência das personagens com o vento. "A Ostra e o Vento": recomendo!
otimas atuaçoes,mas não gostei do filme e acho que é muito fora da realidade. como é que...
por Luciano R...., 13/02/2012 às 08:38
DESSA VEZ GOSTEI DA ATUAÇÃO DE SAM WORTHINGTON,E O FILME REALMENTE PRENDE A ATENÇÃO.
por Luciano R...., 13/02/2012 às 08:29
DESSA VEZ GOSTEI DA ATUAÇÃO DE SAM WORTHINGTON,E O FILME REALMENTE PRENDE A ATENÇÃO.
por Luciano R...., 13/02/2012 às 08:29
Estranhei a fórmula, embora a trama passada em uma única data, ao longo de 20 anos, seja u...
por Melody, 13/02/2012 às 04:27