Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 6:
errado
"Depois de ser aclamado em sua estréia em um longa com seu "Sexo, Mentiras e Videotape" (filme irregular, que eu não sei onde acharam tanta qualidade), parece que Steven Soderbergh é o novo escolhido para ser o queridinho de Hollywood. Qualquer filme que ele lance, independente da qualidade, os críticos vão ou pegar leve (como aconteceu com este "Ocean's Eleven") ou então aclamar o filme até cansar (como aconteceu com o "Traffic"). Agora, momento de reflexão: será que ele é tudo isso mesmo? Na minha humilde opinião, não!

Este "Onze Homens e um Segredo" é um remake de um filme homônimo de 1960, onde a grande sacada era o elenco cheio de grandes nomes. Em sua refilmagem, Steven Soderbergh seguiu o mesmo caminho e convocou um elenco para botar inveja em qualquer diretor. Mas convenhamos, existe espaço em apenas um filme para Julia Roberts, Brad Pitt e George Clooney? Steven Soderbergh, mesmo com toda a experiência que tem, parece que tremeu com tamanho desfile. Desfile? Claro, essa é a única coisa que muitos personagens fazem. Inclusive Julia Roberts, que diz meia dúzia de palavras e não faz mais nada. Sua personagem é importante, porém sua criação é infame.

A idéia de refilmar o filme de 1960 veio de George Clooney. Aqui ele interpreta Danny Ocean, um ladrão que logo ao sair da prisão bola um plano cheio de pretensão e ambição. Seu plano é o seguinte: roubar três cassinos de Las Vegas durante uma disputa de uma luta de peso-pesados (onde temos a participação especial do campeão Lennox Lewis, interpretando ele mesmo). Para isso ele irá contar com a ajuda de 10 homens, entre eles Ryan (Pitt) e Caldwell (Damon). Porém o plano de Ocean vai além daquilo dito no planejamento, suas pretensões incluem ainda sua ex-mulher Tess (Julia Roberts), que vive agora com Benedict (Andy Garcia).

Dizer que "Onze Homens e um Segredo" é um filme ruim seria um absurdo, porém não chega a ser tudo o que dizem. Entrei no cinema esperando ver algo bem bolado e cheio de criatividade inteligente, porém não foi o que eu vi. Claro, existem toques geniais de diálogos no roteiro, como por exemplo quando Ocean pergunta para Tess se Benedict faz ela rir, a resposta dele é um simples e engraçado: "ele não me faz chorar". Mas o roteiro falhou demais. A maneira esquemática é incômoda. A trama em momento algum apresenta algo novo e construtivo e o filme passa como uma leve "Sessão da Tarde".

"Onze Homens e um Segredo" é nos bastidores o filme dos reencontros. Julia Roberts, que estava louca para trabalhar em "Traffic" do Soderbergh, acabou sendo prometida para o próximo filme do diretor, que acabou sendo este. Mas ela já está escalada para o próximo filme dele, a continuação BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> do irregular "Sexo, mentiras e videotape". Julia também se reencontra com Brad Pitt, depois do fiasco deles em "A Mexicana", enquanto Soderbergh se vê novamente junto com Clooney, após o megasucesso de "Irresistível Paixão".

"Onze Homens e um Segredo" é um filme que passa longe de ser ruim, porém fica aquele gosto amargo de decepção. De um elenco cheio de grandes nomes e um nome grande na direção, eu esperava algo mais ousado e com maiores experiências técnicas, porém o que se vê na tela é um filme burocrático até a medula. Este filme é o retorno de Steven Soderbergh após ter roubado o Oscar de melhor diretor de Ridley Scott, onde ele ganhou por seu bom trabalho em "Traffic". No geral, "Onze Homens..." é um filme até que divertido e bem armado, porém poderia ser menos óbvio de didático."