Carlos Massari (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"O
que esperar de um filme dos irmãos Coen? A resposta é simples:
um filme com um humor leve e estranho, que só eles sabem fazer, aliado
à uma trama policial de roubos cheia de reviravoltas e que abre espaço
para o humor. A dupla, que já brindou o mundo do cinema com as obras-primas
"Fargo" e "Arizona Nunca Mais", aqui tenta fazer a mesma
coisa. Mas não deu muito certo. Não que o filme seja ruim, está
muito longe disso, tem o mesmo humor dos deliciosos filmes citados, só
que eles esqueceram do detalhe que dá vida a ele: a trama policial satirizada.
É essa parte que fez de "Fargo" um dos dez melhores filmes
da década de noventa e que, inexplicavelmente, aqui é um pouco
frouxa. Surpreendente para os irmãos Coen, mas nada que prejudique muito
o filme!
A história (adaptada de "A
Odisséia", de Homero) é sobre três amigos, completamente
perdidos em uma dura prisão americana que resolvem fugir em busca de
um tesouro. Um ritmo de aventura marca esse começo da história,
que logo se torna um pouco mais dramática, quando eles se demonstram
grandes cantores em uma pequena rádio e se tornam "líder
das paradas", só que fogem!!! E aí ninguém sabe onde
eles estão nem quem eles são! Uma história de drama que
abre alas para o humor negro dos Coen.
No roteiro, como sempre, dos Coen,
aparece a genialidade que eles têm para prender o espectador na tela.
Porém, o que não aparece é a genialidade de usar personagem
inesperados e reviravoltas na trama, algo que acontece pela primeira vez em
um filme deles. Há alguns personagens desnecessários, mas há
também alguns que só eles podiam inventar, como o criminoso que
dá carona ao trio de fugitivos. Se percebe que os irmãos Coen
tentaram ao máximo toranr a trama bem feita, e evitaram o desastre que
aconteceria em outras mãos!
A direção (dos Coen!)
é realmente perfeita (as falhas citadas acima são do roteiro).
O tom e o ritmo certo foram dados à história. Sem causar um choque
de estilos que poderia acontecer em mãos irresponsáveis, a direção
também foi leve, sempre deixando o espectador preso à tela e sem
excessos. Algo raro no cinema atual!
A parte técnica do filme também
é ótima. Se houve uma injustiça com ele foi a não
vitória (e nem indicação) no Oscar de trilha sonora, que
foi a melhor do ano. A fotografia também é excepcional, mas infelizmente
o filme tem algumas falhas de montagens que ficaram um pouco escancaradas. Isso
poderia ser evitado!
O elenco tem um trio de protagonistas
muito bem, mas o Oscar seria muito. O George Clooney, o John Turturro e o Tim
Blake Nelson estão cômicos, mas fazendo a sua obrigação.
Clooney fez alguns péssimos papéis ultimamente e parece estar
se recuperando. Acredito que esse filme pode significar uma boa virada na sua
carreira. E o Turturro é um ator muito injustiçado, ele tem talento
de sobra (quem já viu "Sugartime" sabe disso), mas acaba dando
azar em vários filmes. O filme também conta com uma pequena ponta
da Holly Hunter (que deu um show em "Arizona Nunca Mais"), porém,
totalmente perdida em cena e sem graça. Os Coen sabem dirigir o elenco,
mas deixaram um pouco a desejar com a Holly. É uma boa atriz, mas precisa
ser dirigida em cima.
Se você gosta de comédias
leves e sem apelações, longe das piadas sujas das comédias
teen, com o toque especial dos Coen, esse vai ser um grande filme para você,
pode correr para locadora. Mas se seu tipo de filme é aquele lotado de
efeitos e apelação, passe loge desse filme. E também de
"Fargo", de "Arizona Nunca Mais", de "O grande Lebowski",
e todos os filme dessa dupla. Essa é a obra mais abaixo desses gênios,
mas é um sem dúvidas um bom filme!"