Arnaldo Heredia, Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:

"O filme é cheio de altos e baixos. Mas se cinema é arte, é também entretenimento. E visto desse ângulo, o filme cumpre muito bem o seu papel.

A primeira parte do filme é bastante enfadonha. Serve apenas para endeusar a Federal Express e ficar ressaltando a sua eficiência. E isso leva mais tempo do que seria desejável. A trama demora muito para engrenar. A sorte é que não seja um hábito no espectador de cinema abandonar o barco no meio da sessão. Fosse na televisão, nesses tempos de controle remoto, a audiência já teria migrado para o programa do Ratinho.

Mas depois dessa espera torturante o filme entra na sua melhor parte. A cena do naufrágio. Aí sim, estamos vendo cinema de verdade, com tudo o que Hollywood consegue fazer com qualidade. As cenas são sufocantes, quase se perde o ar. A situação do protagonista dá muito medo e torce-se por ele com convicção.

Depois disso o filme entra numa nova fase, muito boa também, que trata das maneiras que o náufrago encontra pra sobreviver na ilha deserta. Muito realista, sem nenhuma dose de grandes sacadas. Seria de se esperar, num roteiro mais fantasioso, que se encontrassem formas geniais de adaptar os recursos naturais da ilha. Que fabricasse os apetrechos mais modernos e eficazes para tornar a vida do nosso herói mais confortável. Mas o filme é muito mais realismo do que fantasia. Nada na vida do pobre coitado é confortável ou divertido. Não há nenhum momento de alegria ou serenidade e talvez aí resida o ponto mais positivo do filme.

Com uma continuidade muito bem feita, o roteiro tem pouquíssimos furos. O maior deles é não explicar como ele conseguiu cortar o sapato do seu companheiro de naufrágio, depois de ter dificuldades para executar operações muito mais simples. Mas isso não atrapalha em nada o filme e nem o desabona.

O trabalho de Tom Hanks é impecável. Eu sempre tive muita má vontade com este ator mas tenho de admitir que ele tem qualidade. É um filme que deve ser visto. É puro entretenimento. Exige pipoca e uma boa companhia. E nos momentos entediantes, no escurinho do cinema, os namorados que aproveitem pra ficar se beijando. Enfim, um programa completo."