Carlo Bovolenta Gianese (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"SILÊNCIO
A idealização de um
plano de vida, um objetivo a se alcançar. Os sentimentos, nobres ou obscuros,
são motivados pelos sonhos, um faz de conta que torna mais fácil
acreditar o quão perto está a realização humana.
Palco para a geração de sonhos e núcleo de uma indústria
de ilusão, Hollywood é o meio em que se desenvolve a trama de
errado
"Cidade dos Sonhos" (Mulholland Drive), última obra do diretor
David Lynch.
Betty, ou Diane, sonha. Personagens
reais de sua vida e outros frutos de seu imaginário criam a atmosfera
desejada pela aspirante a atriz alcançar o caminho para o estrelato.
Projetar-se no sucesso de outra pessoa é uma questão que Lynch
aborda na primeira parte da trama. Rita, aparentemente uma atriz com carreira
bem sucedida, sofre um acidente e em sua trajetória encontra Betty, recém
chegada do Canadá para tentar a sorte na indústria cinematográfica
de Los Angeles. Um teste para um filme, o êxito de Rita e uma amargura
guardada por Betty. Rita relaciona-se com um diretor de cinema, Adam Kesher,
é amante de Betty, que anseia por uma oportunidade.
Em seu sonho tudo é válido:
mafiosos a seu serviço, tramóia, assassinato. Questões
morais são transpostas e deixadas de lado. A perversidade, um monstro
escondido libertado pela chave da ambição. Betty descobre que
o talento não é tudo, no “Club Silencio” a
arte brota de figuras vazias, representações de artistas. São
necessários outros meios para conquistar a almejada oportunidade. Betty
sonha, cria, inverte papéis, foge por um momento de sua realidade de
amargura e sofrimento e vive num sistema guiado por seus próprios interesses.
Mas os fantasmas assombram e mostram as conseqüências dos atos desenfreados
de nosso emocional e que algumas vontades devem ser guardadas em silencio.
Por Carlo Bovolenta Gianese, 30 de
junho de 2002."