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O único filme dirigido por Charles Laughton é considerado um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Não é tudo isso, mas é maravilhoso. seu trabalho de Direção deixa o expectador sufocado, principalmente nas cenas de perseguição do maníaco salvador de almas, interpretado soberbamente por Robert Mitchum. Há cenas bonitas como a imagem da esposa morta, interpretada por Shelley Winters, no fundo do mar. E a fuga onírica das crianças do louco num barquinho pelo rio até o aparecimento de Lilian Gish,a cristã dos contos de fadas. Bom filme. |
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10 mil dólares, produto de um roubo a banco, era o dinheiro que Ben Harper (Peter Graves) escamoteara antes que os soldados chegassem à sua arruinada e singela propriedade ribeirinha. As cédulas, ainda ensangüentadas do ferimento de bala que tinha no ombro, eram confiadas a seus filhos Pearl (Sally Jane Bruce) e John (Bill Chapin), duas crianças. A mãe, a notável atriz do meio do século passado Shelley Winters, ficara sem saber do segredo mantido entre os três. É aí que começa o fio da meada, o início de uma história aterrorizante, maniqueísta, a imagem do bem contra o mal, a caça do gato e do rato, a noite do caçador, como bem diz o título em inglês. Mas isso só é possível porque entra em cena o dono do filme, um ministro pretensamente religioso e psicopata, um diabólico mensageiro do medo, um personagem composto de forma brilhante pelo ator Robert Mitchum. Este é o filme que pela vez primeira lançou as palavras amor (love) e ódio (hate) tatuadas nas falanges dos dedos de um personagem, o que serviu de inspiração para outros filmes. Há uma passagem em que o ministro se dirige ao pequeno John e diz: "Ah, meu filho, vejo que está olhando para os meus dedos. Quer que lhe conte a história da mão direita e da mão esquerda, a história do bem e do mal? Foi com esta mão esquerda que Caim matou o seu irmão mais moço. E agora está vendo a mão direita? Esta mão tem veias que vão diretamente ao coração! É a mão do amor!" Shelley Winters serve de apoio nas emoções da parte inicial, Robert Mitchum e as crianças dão vida ao filme na fuga e perseguição e a já veterana Lillian Gish, como a criadora de órfãos Rachel Cooper, enriquece a parte final. É dela a frase como a justificar a criação de tantos órfãos: "Sou uma árvore forte, com galhos para abrigar muitas aves". Um belo filme, com uma fotografia em preto-e-branco irrepreensível. A tomada em que Mitchum, num cavalo roubado e na claridade, passa lentamente à distância entoando um hino, ao tempo em que as crianças se escondem no escuro do rancho, formando um contraste de imagem, é prova evidente disso, do mais puro cinema de arte. Grande direção do excelente ator inglês Charles Laughton, que infelizmente se ateve a só essa rica experiência. Injustiçado no começo, é verdade, hoje é cultuado por uma legião de cinéfilos que valorizam o cinema que se fazia na década de 50. Vi essa obra ainda nos anos 50, época em que só as salas de cinema a exibiam, e quando há oportunidade a revejo, mesmo em vídeo, por considerá-la um dos grandes filmes do cinema. Com os recursos tecnológicos de agora, 50 anos depois, é de se supor que as suas imagens não se perderão jamais. Ainda bem. Grande filme, inesquecível, que não envelheceu. |
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Uma palavra com oito letras sintetiza o meu conceito sobre este filme: "PERFEITO". |
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