André Cardoso, Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:

"Vou tentar escrever sobre este filme, que para mim é sério candidato ao posto de melhor filme do ano, e desde já para mim correria como grande chances de concorrer como melhor filme no Oscar, melhor direção, melhor ator e melhor edição, mas o problema é de ser um filme independente.

No princípio parece ser mais uma daquelas velhas histórias bobas de marido que quer vingar a mulher assassinada, mas engana-se quem desistir de ver este filmaço por causa desta sinopse. O filme simplesmente é inovador e o que precisamos no cinema cada vez mais é inovação, mas por que o filme inova? Basicamente por ele ser contado de trás para frente, isso mesmo, foi sensacional a idéia de se filmar (na verdade se editar) o filme de trás para frente. O meio é o único lugar que esta no lugar, pois o fim é o começo e o começo o fim. Confuso, pode parecer, principalmente para quem perder um minuto do filme, para quem tiver que sair durante a sessão ou quem for ver o vídeo tiver que parar o filme, para estes recomendo ver o filme novamente, do início ou seria do fim?

Com o roteiro feito pelo próprio diretor, baseado num conto de seu irmão Jonathan Nolan, o roteiro é dinâmico e brinca com a nossa inteligência, pois nos faz imaginar o que levou aquela pessoa perdida em suas lembranças a agir daquela forma, por que ele acredita naquela pessoa e porque não acredita em outra. O filme é uma viagem à nossa imaginação, principalmente depois que termina. Isso mesmo, após sair da sala do cinema todos que viram o filme até agora devem estar se perguntando o que aconteceu, o que houve, o por que.... E pelo jeito era isso que o diretor queria.

Com uma ótima interpretação de Guy Pearce (que já vimos no bom "L.A. Confidential"), mostrando-se totalmente perdido em seus pensamentos, um cara alucinado e que só sabe que não deve confiar em ninguém, pois as pessoas em sua volta sabem do seu problema, e passando para nós o desespero e a insegurança do
personagem, e isso com excelente maestria por este excelente ator. Carrie-Anne Moss nos faz acreditar nela o tempo todo como uma doce menina, na verdade é o que o Lenny enxerga, pois vemos o filme pela cara do Lenny. Muito bem na sua personagem. Joe Pantoliano esteve perfeito, nos mostra basicamente o seu personagem como Lenny faz a idéia dele, um cara não confiável, e nos deixa totalmente em dúvida. Ele é a figura ímpar de todo o filme, vemos isso logo no começo. O diretor dirigiu com mãos de ferro seus atores, todos estão bem, evitou furos no roteiro durante todo o filme, colocando diálogos que nos faziam não tentar achar furos, o principal que a maioria aponta é o fato de como Lenny se lembrar que tem o problema? Simplesmente pois a repetição faz com que Lenny aprenda, torna-se um fato que sua cabeça não esquece, e Nolan se preocupou em nos mostrar isso. A edição das cenas são a arma do filme, com isso ele consegue nos pegar em cheio, colocando ainda entre uma cena e outra da história um fato que chegamos a perguntar de que parte é isso, é do meio, do fim ou começo. Talvez não seja nenhum, mas apenas uma forma de nos colocar ainda mais a par da situação e dos problemas de Lenny. O diretor conseguiu nos passar a visão de Lenny sobre cada personagem, sobre cada assunto, e isso é a segunda grande arma do filme.


Se pareceu complicado o que escrevi, veja o filme. Sua cabeça também ficará complicada. O melhor filme do ano até agora."